Crise hídrica e a necessidade de mudar

A atual situação energética do Brasil reforça que é preciso agir e se comprometer com mudanças efetivas

O Brasil está vivendo uma crise hídrica histórica. De acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, há 91 anos não se via tão pouca água em nossas bacias.

O combo escassez de chuvas no inverno, mudanças climáticas e uma matriz energética altamente dependente de hidrelétricas nos levou a uma situação preocupante e que pode gerar  racionamento ou até um apagão no país. 

Os resultados já podem ser sentidos nos bolsos de brasileiros, que viram suas contas de energia subirem,  com a perspectiva de se tornarem ainda mais caras no próximo ano. Já passamos por uma situação muito parecida em 2001, quando o país teve uma série de interrupções no abastecimento de energia. Naquela época, 95% da matriz brasileira provinha de energia gerada por hidrelétricas. Atualmente, ela corresponde a 63,5%. Para não sobrecarregar as hidrelétricas, serão acionadas as usinas termelétricas, que apesar de possuírem um custo mais baixo em relação à energia gerada nas hidrelétricas, funcionam a partir de queima de combustíveis fósseis, gerando um alto impacto ambiental. 

Criar novas hidrelétricas não é uma solução para o momento de urgência. Além do tempo para implantação de uma usina ser grande, não contribuindo para a resolução da crise, o investimento é altíssimo e também demanda uma implementação com  custo de impacto ambiental inviável para a época que vivemos.  Não temos também mais capacidade ociosa entre as termelétricas. 

A resposta para essa complexa equação pode estar em opções mais limpas, como a energia solar. Além de ser uma fonte com menor impacto, é também mais barata. E pode movimentar um setor que só cresce no país. O Portal Solar, empresa que conecta consumidores a empresas cadastradas no seu site, projeta um acréscimo este ano de 5,4 mil novas companhias neste segmento no País neste ano, que vai corresponder a um crescimento de 27% no volume atual de organizações no mercado. 

Somos um dos países com a maior capacidade para gerar energia a partir do sol, com condições naturais favoráveis para tal, porém com carência de regulamentações. Mais do que limpar nossa matriz, a energia solar também tem o poder de reaquecer a economia. A ABSOLAR, no início deste ano, diz que o segmento de fonte solar fotovoltaica deverá gerar mais de 147 mil novos empregos aos brasileiros em 2021, espalhados por todas as regiões do País.

Vivemos uma crise que é anunciada há anos. Desde os apagões do início dos anos 2000, pouco ou nada se fez para que essa situação não se repetisse. Falta de planejamento e ações não são um problema somente em relação à crise hídrica. O país também não tem um plano efetivo para enfrentar as mudanças climáticas, que irão agravar situações como essa. É preciso agir e criar novos caminhos. 

Somente a esfera governamental não dá conta sozinha de trazer as soluções. É preciso a colaboração de todos e as empresas também precisam assumir seus compromissos. Na rede B, lançamos em 2019 o NetZero 2030, maior movimento corporativo referente ao tema redução de poluentes,  por meio do qual mais de 500 Empresas B se comprometeram a acelerar a redução de suas emissões de carbono em 20 anos. A meta, mais ousada do que aquela estabelecida pelo Acordo de Paris, representa o compromisso do Sistema B em impulsionar as empresas para um modelo de negócios alinhado com a preocupação ambiental.

Em nossas trocas de informações, como aconteceu na Cúpula Global do Clima, organizada no fim de junho pelo Movimento, escutamos de especialistas como  Natalie Unterstell  e Daniela Lerário, membros do nosso conselho e líderes do nosso grupo de mudanças climáticas dizendo que é preciso agir rápido. Como já disse em outras colunas, os compromissos precisam se materializar em medidas e mudanças de comportamento. E essas ações, entre outras coisas, passam por adoção de energias limpas e renováveis.

E você? O que tem feito para diminuir a crise hídrica e frear as mudanças climáticas?

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