Canavial: Fontes do setor sucroenergético temem que Trump pressione pela redução da tarifa de importação do etanol americano, atualmente em 18%. Motivos para isso não faltam. (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 7 de maio de 2026 às 06h00.
Se o Brasil eliminar as tarifas sobre as importações de etanol dos EUA, o biocombustível americano pode ganhar espaço no Nordeste, região com déficit de oferta. Isso pressionaria os preços internos e afetaria o mercado do Centro-Sul, principal polo produtor do país, segundo a Datagro Consultoria.
“Se o Brasil ceder à pressão de Trump, o mercado, especialmente o nordestino, seria inundado pelo etanol norte-americano, o que reduziria os preços para os produtores em todo o país. Isso também afetaria as transferências de etanol da região Centro-Sul para o Norte-Nordeste, cujo volume médio anual gira em torno de 1 bilhão de litros”, afirma a consultoria.
O Brasil importa etanol dos Estados Unidos por razões comerciais.
Em geral, o país recorre ao biocombustível americano em momentos de alta demanda interna, quando a produção local não é suficiente para suprir o consumo. Esse etanol é utilizado na mistura obrigatória — atualmente em 30% — de etanol anidro na gasolina.
Além disso, há fatores logísticos, já que as regiões Norte e Nordeste estão mais próximas de Houston, nos EUA, de onde o produto é embarcado.
Outro ponto que favorece a importação é o custo. O etanol norte-americano chega às regiões Norte e Nordeste entre 12% e 15% mais barato do que o produto nacional, também de acordo com a consultoria.