Tecnologia

TikTok diz preferir fechar o aplicativo nos EUA do que vender

Diante de pressões legais, a empresa chinesa considera fechar app, mantendo a propriedade de seu poderoso algoritmo

Shou Zi Chew: CEO do TikTok (Alex Wong/Getty Images)

Shou Zi Chew: CEO do TikTok (Alex Wong/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 25 de abril de 2024 às 14h36.

Última atualização em 25 de abril de 2024 às 14h48.

Tudo sobreTikTok
Saiba mais

A ByteDance, proprietária do TikTok, enfrenta um impasse legal nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, a empresa chinesa estaria disposta a encerrar as operações da plataforma no país, caso esgote todas as opções legais contra uma legislação que visa banir a plataforma das lojas de aplicativos americanas. As fontes da agência indicam que os algoritmos do TikTok, essenciais para a operação da ByteDance, tornam a venda do app pouco provável.

As receitas e o número de usuários ativos diários provenientes do TikTok nos EUA representam uma pequena fração do total da ByteDance. Assim, em um cenário extremo, a empresa preferiria desativar o aplicativo nos EUA a vendê-lo para um comprador americano. A desativação teria um impacto limitado nos negócios da ByteDance, permitindo que a empresa mantenha seu algoritmo principal.

No contexto das discussões sobre a venda do TikTok, a ByteDance emitiu uma declaração na quinta-feira (18) passada através do Toutiao, uma plataforma de mídia que possui, negando planos de venda. Essa declaração veio em resposta a um artigo do The Information que sugeriu que a ByteDance estaria explorando cenários para vender os negócios do TikTok nos EUA sem incluir o algoritmo que recomenda vídeos aos usuários.

O CEO do TikTok, Shou Zi Chew, expressou na quarta-feira, 24, a expectativa de vencer o desafio legal contra a legislação assinada pelo presidente Joe Biden, que poderia banir o popular aplicativo de vídeos curtos, utilizado por 170 milhões de americanos. A legislação, aprovada pelo Senado dos EUA, levanta preocupações de que a China possa acessar dados de americanos ou usar o app para vigilância.

O presidente Biden estabeleceu o prazo de 19 de janeiro para uma venda, um dia antes do final de seu mandato, mas ele poderia estender esse prazo por três meses se determinar que a ByteDance está progredindo nas negociações.

Os algoritmos compartilhados entre o TikTok e outros serviços da ByteDance, como o Douyin, são considerados superiores aos de concorrentes como Tencent e Xiaohongshu. Segundo as fontes, seria impossível desinvestir o TikTok com seus algoritmos, pois a licença de propriedade intelectual está registrada sob a ByteDance na China, complicando a separação da controladora.

As operações financeiras da ByteDance, majoritariamente provenientes da China, continuam não sendo divulgadas publicamente. No entanto, foi revelado que a receita da empresa aumentou para cerca de US$ 120 bilhões em 2023. O TikTok nos EUA corresponde a apenas cerca de 5% dos usuários ativos diários globais da ByteDance.

A questão da venda ou desinvestimento do TikTok envolve regulamentações de exportação de tecnologia e deve passar por procedimentos de licenciamento administrativo de acordo com as leis e regulamentos chineses, complicando ainda mais o cenário para a ByteDance.

Acompanhe tudo sobre:TikTokApps

Mais de Tecnologia

Novidade no antigo Twitter: Elon Musk oculta curtidas no X

Muito além da IA: 10 novidades para esperar no seu iPhone e iPad

Brasil será primeiro país a receber recurso antirroubo do Google para android

Musk critica aliança Apple-OpenAI e ameaça barrar iPhone em suas empresas

Mais na Exame