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Remy Sharp
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“Sonho com um mundo onde o jogador seja mais importante que o dispositivo”, diz CEO da Xbox

Em entrevista exclusiva à EXAME, Phil Spencer detalhou o eu ele espera do futuro mercado de games nos próximos dez anos

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Phil Spencer, CEO do Xbox: jogadores terão cada vez mais controle sobre onde irão jogar (I Hate Flash/CCXP23/Divulgação)

Phil Spencer, CEO do Xbox: jogadores terão cada vez mais controle sobre onde irão jogar (I Hate Flash/CCXP23/Divulgação)

Quando se pensa em mercados bilionários que envolvem entretenimento, o que vem primeiro a sua cabeça? Sim, os parques temáticos movimentam muito dinheiro, o cinema segue mundialmente importante, as séries seguem uma constante de crescimento, mas há uma indústria muito mais prospera logo ao lado: os videogames. Essa noção dos games como economia pujante já vinha mesmo antes da pandemia, mas depois do isolamento, a projeção ficou ainda maior. A estimativa é que só em 2023, o mercado dos games termine o ano movimentando mais de U$ 188 bilhões, com pelo menos 3,3 bilhões de jogadores em todo o mundo, segundo a Newzoo, consultoria de dados especializada no setor. Isso significa, em outras palavras, ultrapassar a margem do cinema, que deve arrecadar cerca de U$ 77 bilhões.

Essa fatia bilionária da indústria do entretenimento que os games ocupam está alocada nas mãos de algumas gigantes do mercado. As líderes Sony e Nintendo no topo, e na última posição, mas não menos nobre, o Xbox, marca subsidiária da Microsoft. A empresa liderada por Phil Spencer segue um caminho diferente das rivais: quer dominar o mercado pelo que acredita ser o futuro do consumo de jogos, por meio do streaming, igual foi a Netflix para os filmes e séries.

O problema é que a meta para a aposta nesse modelo veio abaixo do esperado. A empresa subsidiou o console para tentar emplacar o Game Pass, a biblioteca de jogos online que possui, em uma tentativa de ganhar o setor quando esse modelo se tornasse o padrão, mas, ao que tudo indica, gastou demais com aquisições com a da Activision Blizzard, que comprou por US$ 69 bilhões, e não obteve retorno que esperava.

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Visando abocanhar ainda mais mercado de entretenimento e recuperar os danos da alta expectativa feita sob o Game Pass, a marca atuou com a Amazon Prime Video para emplacar uma de suas minas de ouro, o game “Fallout” em uma série, que tem estreia marcada para 12 de abril de 2024. E, tanto para divulgar a série quanto o próprio Xbox, o CEO da marca, Phil Spencer, veio para o Brasil na CCXP de 2023 para apresentar todas as novidades que a marca preparou para 2024. Vale dizer que essa foi a primeira vez que a marca esteve presente na CCXP, um movimento vindo logo em seguida da participação do Xbox na Brasil Game Show (BGS) e também no Big Festival.

Antes de se apresentar no painel do Palco Thunder da CCXP23, Spencer teve uma conversa exclusiva com a EXAME para falar do cenário do Xbox no mundo e no Brasil, bem como projetar novas tendências para os próximos anos. Veja a entrevista:

Sr. Spencer, na CCXP os fãs têm essa oportunidade única de conhecer seus artistas e criadores favoritos; eles se sentem parte de uma comunidade. No mundo dos videogames, você vê um tipo de dinâmica semelhante? Como o Xbox vê o papel das comunidades em relação aos seus grandes títulos?

Sim, acho muito inteligente focar na comunidade que é, em muitos aspectos, o que jogar realmente representa. Digo isso de comunidades em torno de um jogo específico, comunidades desse amor pelos jogos, comunidade de criadores de jogos, pessoas que estão construindo isso, e que querem aprender umas com as outras. Isso tudo é muito importante. Uma das razões pelas quais eu amo vir ao Brasil, e esse ano fiz questão de estar aqui para a CCXP, é que há algo de especial em estar cara a cara com a comunidade. Fizemos inclusive uma festa para fãs no estande e sim, é muito bom ver as comemorações e ter todos os jogos para jogar, mas o que tiro de maior valor dessa experiência é a oportunidade de ouvir e conversar com os clientes e os jogadores sobre o que eles gostam, o que não gostam, o que querem que façamos melhor. Estar aqui pessoalmente e poder passar um tempo ouvindo essas pessoas, até entrevistas, porque sempre escuto as perguntas que vocês, jornalistas, me fazem, me ajuda a entender o que é mais importante na comunidade de jogos brasileira. Isso é muito importante para mim.

E é a primeira vez que o Xbox vem para a CCXP, certo? Como é isso para você?

Sim, é nossa primeira vez na CCXP oficialmente; estivemos na Brasil Game Show (BGS) antes, mas na CCXP foi a primeira vez. Agora, mais de nossos jogos também estão aparecendo na TV e no cinema e, como indústria, você vê que isso não é apenas uma coisa do Xbox, outras marcas têm adaptado melhor seus jogos para a TV. Teremos o lançamento da segunda temporada de “Halo”, pela Paramount+ e também a estreia de “Fallout”, no estande da Amazon Prime Video. Com tudo isso acontecendo, a CCXP me parece o perfeito cruzamento entre videogames, cultura pop, filmes e séries. Isso é vantajoso não só para nós, mas para toda a indústria. Temos o maior estande de jogos da convenção, mas a Nintendo também está aqui e é bom ver que há outras empresas de jogos nesse espaço. É divertido. É o meu primeiro evento e tem sido divertido.

Mas por que vir só agora? O Xbox não é uma empresa nova e a CCXP completa 10 anos em 2023...

Primeiro, eu diria que o Xbox está por aqui, neste país, há 17 anos. O Brasil é um mercado importante para nós e já existe há muito tempo, então, estamos sempre procurando como podemos aparecer para a comunidade aqui, além de estar aqui presente, pessoalmente. Estar pela primeira vez na CCXP foi importante, porque foi um bom ano, mas estamos também muito alinhados com os nossos parceiros para futuros lançamentos, como Paramout e Amazon Prime Video. Pareceu o local certo, o evento certo para nós, para essa primeira vez. Temos muitos jogos, [na CCXP] temos cerca de cem estações onde as pessoas podem jogar mais de 30 jogos no estande. Nosso estande é gigantesco, mas do outro lado do corredor, você pode ver “Halo”, você pode ver “Fallout”, então, a interseção entre o trabalho que nossas franquias estão fazendo fora dos jogos e também nos jogos foi boa. Vou dizer também que estar aqui funciona bem para nós agora. Quando você pensa nessa época do ano, não há realmente mais uma série global no momento. Enfim, chegamos a um patamar de perceber que estamos no mercado há muitos anos e precisávamos de um evento que tivesse muita combinação com o que estamos fazendo. E em uma época do ano onde é bom poder conversar com as pessoas, falar sobre onde estamos indo.

O Xbox fez um estande gigantesco na CCXP, com vários jogos bem voltados também para os computadores. Você poderia dizer como essa nova fase, com os PCs e os consoles, deve moldar a cultura do Xbox em todo o mundo?

Especificamente falando do estande, acho que é novamente muito inteligente ver que o Brasil, em muitos aspectos, é um mercado de jogos. E os PCs mostram os sinais de onde vemos o brilho dos jogos globalmente: os jogadores querem poder jogar em qualquer dispositivo, pois sabemos que o preço dos eletrônicos de consumo aqui no Brasil não é barato. Jogar nos dispositivos que eles já possuem é uma boa opção para as pessoas. O crescimento do PC aqui tem sido tremendo para nós, nossa assinatura do PC Game Pass cresceu, o mercado de PC em geral cresceu, e agora há mais dispositivos. Temos a ASUS no Rog Ally, os PCs portáteis estão em nosso estande aqui na CCXP e nossas parcerias de streaming em nuvem estão indo muito bem por aqui. Também fizemos uma parceria com TVs Samsung para o Brasil, onde você pode transmitir o nosso aplicativo na Samsung, este é o nosso mercado número um globalmente para pessoas que fazem streaming em TV Samsung. Em geral, isso dá às pessoas a escolha, a preferência de escolher como elas gostam de jogar, como elas constroem sua biblioteca de jogos. Vemos isso no Brasil como vemos a realidade de um forte crescimento no mundo todo. Devo dizer que fico orgulhoso de saber que nosso estande na CCXP refletiu isso, essa possibilidade de vários dispositivos.

Como você enxerga os jogadores hoje? Quais são suas preferências, o que mudou e quais são as ‘trends’ de agora, em comparação com a última vez que você veio ao Brasil?

Uma coisa que eu diria com pesar que noto de diferença entre 2017 e hoje é que tivemos a pandemia de covid-19 nesse meio tempo. Muitas pessoas ficaram isoladas em casa e vimos um crescimento real nos jogos, pois as pessoas os usavam para se manterem conectadas com seus amigos e familiares, mesmo quando não podiam estar fisicamente na mesma sala juntos. Esse crescimento continuou. Em específico para o Brasil, acho que vale dizer que há diferenças em como eu vejo os jogadores. Fizemos algumas pesquisas e vimos outros estudos que mostram que 70% dos consumidores brasileiros se consideram jogadores, o que é um número absurdamente alto. E é alto também porque, bem, há ‘gamers’ de Candy Crush no celular, por exemplo, outras pessoas podem estar jogando Starfield no computador, é uma definição bastante ampla do que é um “gamer” por aqui, mas adoro ver esse crescimento. A outra coisa que realmente aponto é que, bem, a diferença de 2017 para hoje por aqui é quantos jogos são produzidos no Brasil. Acho que da última vez que estive aqui, estávamos comemorando o primeiro jogo independente desenvolvido em São Paulo para ser lançado no Xbox. Agora, estou me reunindo com estúdios que estão no mercado há mais de 10 anos. Eles construíram jogos. Acho que há mais de mil deles ou algo assim. É incrível que as crianças brasileiras que cresceram jogando videogame se tornaram adultos que jogam e produzem esses jogos, que começaram a pensar nisso como uma escolha de carreira. Quando eu era jovem, ninguém pensava que isso era possível e ver esse crescimento aqui, no mercado brasileiro, é lindo. E acabou tendo um impacto significativo na economia daqui, pois são empregos bem remunerados para pessoas, empregos criativos, empregam artistas, músicos. Obviamente, programadores e roteiristas e eu adoro ver esse crescimento aqui no mercado também. Eu acho isso fantástico.

​Considerando o foco em jogos móveis e streaming do Xbox e outros, a experiência ainda parece bem diferente de, digamos, assistir filmes no Netflix. Com a Netflix, há toda uma seleção selecionada. O Game Pass está inclinado a oferecer uma ampla variedade de jogos como o Netflix faz com vídeos, ou o foco está mais na qualidade dos jogos do que na quantidade?

Definitivamente, quando pensamos no Game Pass e em nossa assinatura, escolher jogos de qualidade e exclusivos é uma parte importante para manter e manter a confiança do cliente. Pode não ser que você ame todos os jogos do Game Pass, porque escolhemos um amplo conjunto de possibilidades, assim como você não ama todo o catálogo da Netflix ou do Disney+, ou qualquer outro serviço de streaming que você assina, mas queremos ter certeza de que cada jogo em que investimos para trazer para o serviço é um jogo excepcionalmente bom. O Game Pass não é sobre todos os jogos, é sobre o que dizemos com curadoria ou seleção lista, mas às vezes procuramos jogos únicos de criadores únicos, tentando garantir que histórias diferentes possam ser contadas, porque no topo de linha, os grandes jogos que vendem sempre serão jogados por milhões e milhões de pessoas, o que é fantástico.

E olhando para o futuro, você acha que chegará um ponto em que o console físico não será a parte principal da experiência de jogo? Quando isso deveria acontecer e como você imagina o Xbox nos próximos 10 anos?

Ainda acho que teremos consoles, mas gosto de pensar sobre isso. Costumávamos pensar no dispositivo como figura central, como se nós, como pessoas, nos conectamos a ele — e tudo se conecta a um dispositivo chamado meu console — e é assim que jogávamos. Agora, acho que é a pessoa no centro de tudo e os dispositivos ao redor dela, com os jogos que ela gosta podendo ser acessados de diferentes dispositivos. E acho mesmo que esse é o futuro, penso que, como jogador, os dispositivos deveriam ter toda a minha comunidade de pessoas com quem eu jogo, com todas as minhas conquistas, e tudo que eu fiz deveria estar em todas essas telas. Uma das tendências para os próximos anos é a nuvem realmente, que isso fique ainda mais comum, mas mesmo colocando a pessoa jogadora no centro de tudo, isso não significa que os dispositivos vão embora. Significa apenas que não são eles que ditam os jogos. O futuro para mim é aquele em que eu jogo onde posso e quero jogar, faço isso como o jogador que adora jogar no sofá, na minha grande televisão, porque essa é a minha maneira número um de jogar e há milhões de pessoas que adoram fazer isso, mas também sei que não funciona para todo mundo. Nem todos os mercados serão construídos em torno de se sentar na TV para jogar, e eu acho isso sensacional. Acho que temos que responder ao que nossos clientes precisam, não colocar nossas necessidades na frente das necessidades deles. Eu amo nossos consoles, mas também quero onde as pessoas já estão hoje, seja na nuvem, mobile, PC e quem sabe até outros, focando no cliente no centro e em todos os dispositivos que conectam esse jogador às suas experiências.

 

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