Para IBM, as empresas devem “preparar o terreno” para o mundo pós-pandemia

A gigante de tecnologia americana acredita que a inteligência artificial e a computação em nuvem serão ainda mais importantes depois da crise

A rápida migração dos negócios para o ambiente digital durante a pandemia do novo coronavírus veio para ficar e, por causa dela, as companhias precisarão adaptar suas operações de TI para lidar com a nova demanda. Esta é a visão da empresa americana IBM, que anunciou nesta terça-feira um novo conjunto de produtos e serviços voltados para melhorar a infraestrutura de tecnologia das empresas, com o uso de inteligência artificial e soluções para redes 5G.

Em uma apresentação nesta terça-feira, o novo presidente da companhia, Arvind Krishna, afirmou que a transformação digital dos negócios se acelerou de forma inédita durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, é preciso que as empresas “preparem o terreno” para o mundo pós-covid-19, em que haverá uma integração cada vez maior entre as operações digitais e físicas.

Nesse cenário, duas tecnologias são imprescindíveis segundo o executivo: a inteligência artificial e a capacidade de as empresas operarem uma nuvem híbridas, que misturam serviços hospedados em data centers de terceiros (a nuvem pública) e serviços em data centers da própria empresa (a nuvem privada).

“A jornada da transformação que deveria durar alguns anos está agora sendo compactada em alguns meses”, disse o executivo. “Se existe uma lição desta pandemia da covid-19 é a importância crítica das soluções de tecnologia que permitem agir com velocidade, flexibilidade, discernimento e inovação.”

O executivo participou nesta terça-feira da abertura da conferência anual da IBM, chamada de Think IBM, que este ano está sendo realizada de forma virtual, por causa da pandemia do novo coronavírus. Cerca de 80.000 pessoas eram esperadas para acompanhar as palestras virtuais da empresa realizadas nesta terça e quarta-feira. Este é o primeiro grande evento público da IBM desde que Arvind Krishna assumiu o cargo de presidente, no início de abril, no lugar da executiva Ginni Rometty. Depois de oito anos à frente da IBM, Rometty decidiu deixar a presidência empresa no início de 2020. Durante a sua gestão, a IBM fez um amplo investimento em novas tecnologias nos ramos de inteligência artificial, computação em nuvem e computação quântica.

Dando continuidade a essa estratégia, Arvind Krishna anunciou o lançamento de novos produtos e serviços  que usam a inteligência artificial para automatizar processos de TI e oferecer maior capacidade de processamento em nuvem. Uma das novidades é a ferramenta Watson AIOps. O novo sistema de inteligência artificial permite que as empresas detectem em tempo real anomalias nas suas redes internas, para identificar com agilidade possíveis quedas e interrupções nos serviços ou possíveis ataques. A ferramenta já está sendo usada por startups como o serviço de hospedagem de arquivos Box e o aplicativo de gestão de trabalho Slack.

Além da novidade, a empresa também apresentou novos produtos que ajudam a automatizar tarefas e processos operacionais internos das empresas e a criar plataformas automatizadas de atendimento aos clientes.

Outra solução apresentada é um sistema que permite às empresas gerenciar os serviços digitais para os seus trabalhadores que ficam em campo, em operações remotas. De acordo com a IBM, o novo sistema, batizado de IBM Edge Application Manager, permite que um só administrador gerencie ao mesmo tempo mais de 10.000 equipamentos conectados à rede da empresa. A solução é voltada para o que o modelo conhecido como “edge computing” (ou “computação na ponta”). É a ideia de que todo o processamento é feito em equipamentos conectados que estão na ponta final de uma rede.

A companhia espera que este tipo de serviço seja cada vez mais requisitado pelas empresas em um mundo em que os serviços digitais estarão disseminados no dia a dia das pessoas, seja no trabalho, seja em atividades pessoais.

“As plataformas tecnológicas são a base das vantagens competitivas do século 21. Elas determinam o quão rápido uma empresa pode se readequar para atender novas oportunidades de mercado, o quão bem ela serve os seus clientes, o quanto ela pode crescer e o quão rápido ela pode responder a uma crise como a que estamos enfrentando hoje”, disse o presidente da IBM, Arvind Krishna.

Apesar da necessidade de as empresas se adaptarem ao novo contexto digital, uma dificuldade é convencer as companhias a fazerem grandes investimentos de TI num momento de recessão econômica. Nessa situação, muitas empresas devem rever os seus gastos com a suas operações e com as suas infraestruturas de TI, e novos investimentos tendem a ser adiados.

Segundo a consultoria IDC, especializada no setor de tecnologia, somente na América Latina, o setor de TI deve ter uma queda de 15 bilhões de dólares em receitas em 2020. Na divulgação do seu último balanço em 20 de abril, a própria IBM anunciou uma redução de 3% das vendas e de 26% no lucro líquido no primeiro trimestre de 2020 por causa da crise do novo coronovírus e decidiu retirar as suas previsões aos investidores sobre o faturamento para 2020, por causa do cenário de incerteza. Apesar da urgência da transformação digital, é possível que nem todas as empresas tenham condições de mudar na velocidade necessária.

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