Influenciadora Charli D'Amelio é a 1ª a ter 100 mi de seguidores no TikTok

Se no YouTube um criador de conteúdo precisa batalhar com uma gama de outros do mesmo segmento, no TikTok o caminho é relativamente menos tortuoso

Charli D'Amelio tem 16 anos e se tornou, neste domingo, 22, a pessoa mais seguida no aplicativo de vídeos curtos TikTok no mundo todo. Com 100 milhões de seguidores, a garota está na frente de grandes nomes como da socialite Kylie Jenner e da cantora Ariana Grande — e com uma distância confortável. O mesmo número de seguidores só foi alcançado por um canal no YouTube depois de 14 anos de existência do aplicativo. O que isso significa para o chinês TikTok que, até pouco tempo atrás, estava sob forte ameaça de deixar os Estados Unidos, país onde D'Amelio mora?

É praticamente impossível ter uma conta no TikTok e não ter visto, até o momento, nenhum vídeo da adolescente, que ficou famosa por suas coreografias. A conta de D'Amelio existe desde maio do ano passado — em setembro, ela tinha 85 milhões de seguidores, o que representa um crescimento de 17,6% em apenas três meses.

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O recorde também é do próprio TikTok, que existe com esse nome comercial somente desde 2018. Em dois anos, o app virou uma febre no mundo todo, com mais de 800 milhões de usuários globais. O YouTube, por sua vez, tem 1,7 bilhão de usuários e o primeiro usuário a bater a marca de 100 milhões de seguidores foi o canal da gravadora indiana T-Series, em 2019.

Para Fabro Steibel, diretor executivo do Instituto de Tecnologia Social (ITS), o crescimento da adolescente (e do TikTok) pode ser explicado por três fatores: ser uma rede relativamente nova, e com "poucos consumidores", de já estar consolidada entre seus usuários e de influenciar grandes canais para que eles ilustrem um caminho a ser seguido por outros.

Se no YouTube um criador de conteúdo precisa batalhar com uma gama de outros do mesmo segmento, no TikTok o caminho é relativamente menos tortuoso. "Quando uma rede está entrando em um país, a rapidez com a qual ela cresce é muito maior porque a competição é menor", diz. "Não é uma base tão segmentada e não há tantos produtores de conteúdo que se igualam. Como tem o campo vasto, é um velho oeste. Há uma terra livre a ser conquistada e poucas pessoas chegam rápido e crescem rápido, o que retroalimenta esse processo", afirma.

Outro ponto a ser levado em conta é que o algoritmo do app chinês que, para Steibel, "faz seus vencedores". No TikTok o sistema de recomendação de vídeos funciona com ajuda de uma combinação de fatores, como vídeos que os usuários gostam, contas que eles seguem, comentários publicados e conteúdos criados.

Na hora de decidir qual vídeo será mostrado para quem, a empresa também leva em conta as preferências de idioma do dispositivo e o país de onde a pessoa está acessando o TikTok. Então, se seu celular está configurado para aparecer em inglês, as chances de vídeos estrangeiros aparecem para o usuário é maior do que alguém que usa o celular em português.

O aplicativo também entende se o usuário está mais sujeito a assistir um vídeo longo do começo ao fim, ou se ele prefere vídeos mais curtos. Tudo com base no que o indivíduo demonstra ou não interesse — o que torna a experiência do usuário ainda mais exclusiva. Segundo o TikTok, a quantidade de seguidores dos criadores não é levada em conta na hora de um vídeo chegar à página do #ParaVocê.

Foi assim que D'Amelio também levou sua família à fama no aplicativo. Sua irmã mais velha, Dixie D'Amelio, tem 44,7 milhões de seguidores — quase metade de Charli. E, se o crescimento por ali é gigante, por que não tentar replicá-lo em outras plataformas?

Recentemente as irmãs lançaram um podcast, um canal no YouTube e Charli anunciou um acordo para um livro. Dixie, a D'Amelio mais velha, que é cantora, tem mais de 93 milhões de visualizações em seu primeiro clipe publicado no aplicativo de vídeos do Google. Até os pais das meninas, Heidi e Marc, começaram a investir na internet, com contas nas redes sociais promovendo a "família D'Amelio". A rede social americana de vídeos Triller, que tem um propósito bastante parecido com o do app chinês, fechou um contrato com Charli — e, de brinde, levou também toda a família da adolescente. 

"O algoritmo do app chinês faz seus vencedores"

No YouTube, Charli tem uma base bem menor de inscritos, com 8,5 milhões — mas ainda assim bastante expressiva em um ambiente mais combativo. No Instagram, são 100.000 seguidores. Se as Kardashian se tornaram uma família famosa por causa de seu reality show, hoje em dia a receita parece ser muito mais simples: basta ter uma conta no TikTok.

"É como se todos os aplicativos tivessem criado esse mercado de commodities de conteúdo, aí o TikTok chega nesse elemento. Você vê que o TikTok tem uma política agressiva de incentivar novos produtores e isso acontece na China, e acontece aqui. Ele dá incentivos em conteúdo, agora está pensando em remuneração, porque ele entende que isso é muito importante", diz Steibel.

Colocando panos quentes

O TikTok esteve no centro das discussões neste ano não só pelo seu crescimento rápido ou por seus influencers (chamados TikTokers), mas sim por ter se tornado um dos alvos do presidente americano Donald Trump em sua guerra comercial com a China.

Para Trump, o aplicativo colhia dados dos usuários e os entregava ao governo chinês, o que "ameaçava a soberania dos Estados Unidos", além de existir uma certa preocupação com a proteção dos usuários abaixo de 13 anos — apesar de o TikTok afirmar que não existe um foco em um público específico, a maior concentração de usuários está entre jovens e adolescentes. A possível razão para isso é que a rede social se assemelha ao Snapchat, usado por usuários com idades entre 18 e 34 anos — segundo dados da consultoria eMarketer.

Se as Kardashian se tornaram uma família famosa por conta de seu reality show, hoje em dia a receita parece ser muito mais simples: basta ter uma conta no TikTok

O ultimato de Trump (que não foi tão ultimato assim) era de que o aplicativo precisaria ser vendido para uma companhia americana para continuar existindo no país. Em 14 de agosto, Trump emitiu uma ordem para que a companhia chinesa ByteDance, dona do app, mudasse certos aspectos de seu aplicativo para que ele continuasse a existir nos Estados Unidos.

Na semana retrasada, no entanto, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que o governo decidiu dar 15 dias a mais de prazo, em comparação com o original de 12 de novembro, para tentar um acordo com o TikTok — agora, o prazo termina nesta sexta-feira, dia 27 de novembro.

O TikTok com o @JoeBiden

Com a vitória do democrata Joe Biden nos colégios eleitorais americanos, a situação do aplicativo pode mudar — e a política do democrata pode ser "menos agressiva" do que com Trump no comando, uma vez que o republicano é fortemente averso à China e deixou isso claro nos quatro anos de mandato.

Ao menos é o que as big techs americanas esperam. O Vale do Silício tem a expectativa de que, apesar da visão crítica do democrata em relação ao poder de mercado dos gigantes de tecnologia americanos, seja mais fácil manter um diálogo do que com Trump no comando. Enquanto Trump queria lutar contra o "preconceito contra conservadores" nas redes, Biden pretende forçá-las a policiar melhor seus sites contra informações falsas.

E a forma que Biden escolher para lidar com o TikTok pode traçar um retrato de como será sua política com a China nos próximos anos. Em entrevista à EXAME antes dos resultados das eleições americanas, Steibel definiu que a saída de Trump do governo deixa "uma batata quente" para Biden lidar. "As discussões sobre monopólio e uso de dados vão continuar, porque os chineses seguem outro marco regulatório do que o americano", disse.

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