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Google Maps faz 10 anos mostrando até o fundo de oceanos

Integrando mundo virtual com mundo real, o Google Maps faz dez anos nesta semana. Serviço é a fusão de três pequenas startups compradas pelo Google

São Paulo – No final do ano passado, fui ao casamento de dois amigos no interior de São Paulo. Alguns familiares que me receberam começaram a me dar instruções de como eu iria da casa deles até o jantar. Nada daquilo fazia sentido para mim. Duas palavras não paravam de soar na minha cabeça: Google Maps.

Nesta semana, o serviço de mapas do Google completa dez anos de vida. Ele é um dos maiores exemplos de como o mundo físico foi integrado com o mundo virtual com sucesso.

Aqueles que fizeram longas viagens há décadas se lembraram dos grandes mapas dobrados que mostravam pequenas ruas e locais de interesse. Não é radicalismo dizer que esse tipo de aparato de viagens foi aposentado.

Tudo começou com dois irmãos dinamarqueses, Lars e Jens Rasmussen. Eles foram ao Google em 2004 apresentar sua startup, a Where2 Technologies. O conceito imaginado pelos dois é basicamente o que o Maps é até hoje: um serviço de mapas no qual o usuário poderia fazer buscas, dar zoom e passear pela tela do computador.

Até então, o mapa mais tecnológico era o MapQuest, que exibia direções de como ir de um ponto a outro em uma plataforma digital.

O projeto dos irmãos Rasmussen (Lars hoje trabalha no Facebook) agradou ao Google, que escolheu por adquirir a empresa que seria o embrião do Google Maps.

Outros integrantes

Além da Where2, o conceito do Maps teve outras duas empresas. A primeira delas foi a Keyhole, que havia lançado o serviço Earth Viewer, que permitia o acesso a fotos de satélites. A equipe da empresa foi, dentro do Google, responsável por atualizar o serviço que mudaria de nome para Google Earth em 2005.

A última delas era a, minúscula, Zipdash. Na época, a empresa tinha entre 200 e 300 usuários. Depois da aquisição, foi o time da Zipdash que criou o app mobile do Google Maps.

O serviço como um todo foi oficialmente lançado em 8 de fevereiro de 2004, nos Estados Unidos.

O Maps não teve muito tráfico até que um detalhe pegou os usuários: as imagens de satélite. O modo híbrido (unindo mapa e fotos de satélites) foi inaugurado em julho de 2005 – apenas um mês depois do lançamento da primeira versão do Google Earth.

Procurar a casa ou o bairro virou febre entre os internautas. O mesmo aconteceria anos depois com o Google Street View – serviço integrado ao Google Maps.

No final de 2006, menos de dois anos após o lançamento do serviço, o Maps já era o maior serviço de mapas do mundo. Poucos meses depois, ele seria o segundo site com mais tráfego do Google – perdendo somente para o Google.com.

Apple e Google

O grande salto para o uso do app do Google Maps veio graças à Apple. Em 2007, a empresa de Steve Jobs anunciou que o serviço de mapas do Google viria pré-instalado no iPhone – a empresa depois trocaria o Maps do Google pelo seu próprio (e então cheio de bugs) serviço de mapas.

A popularidade do Google Maps iria apenas aumentar dali para frente – e sua adoção também. Ele passaria a vir como parte do sistema Android no futuro.

Hoje é difícil imaginar a vida em um smartphone ou tablet sem o uso do Google Maps. Não puramente pelo uso do app em si. Mas inúmeros aplicativos usam o serviço do Google.

Se você usou recentemente apps como Uber, Airbnb, 99Taxis ou Instagram, acabou esbarrando no Google Maps de uma forma ou outra.

Hoje o Maps serve para dar direções e até para procurar locais de interesse na região. O Google adaptou o serviço para outros apps, como o Field Trip, que fica de olho na geolocalização do usuário e envia alertas de locais bacanas na região.

O Google já mapeou locais turísticos como os canais da cidades italiana de Veneza, o interior de museus e até mesmo corais de recifes debaixo d'água.

Com o aumento no número e na variedade de dispositivos móveis (como relógios inteligentes e computação vestível em geral), o Maps parece ter um campo de exploração ainda muito rico para seus próximos anos de vida.

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