Tecnologia

A IBM sob o comando de Ginni, sua primeira CEO em 100 anos de vida

A nova CEO Virginia Rometty, conhecida como Ginni, vai comandar uma IBM renovada e lucrativa, que continua inovando mais de cem anos depois da sua fundação

Presente no Brasil desde 1917, a IBM atua em 200 países e é a trigésima-terceira maior empresa do planeta (Sean Gallup / Getty Images)

Presente no Brasil desde 1917, a IBM atua em 200 países e é a trigésima-terceira maior empresa do planeta (Sean Gallup / Getty Images)

Maurício Grego

Maurício Grego

Publicado em 27 de outubro de 2011 às 13h14.

São Paulo — A troca de Sam Palmisano por Virginia Rometty no cargo de CEO da IBM, anunciada nesta semana, encerra um período de transformações na companhia. Trigésima-terceira maior empresa do mundo, segundo o ranking da revista Forbes, a IBM é também uma das mais inovadoras e tem demonstrado notável capacidade de se reinventar ao longo dos seus cem anos de história.

Na última década, a Big Blue abandonou negócios que deixaram de ser lucrativos e ampliou suas áreas de software e serviços. Como resultado, seus lucros quadruplicaram. No final de setembro, pela primeira vez desde 1986, a companhia ultrapassou a Microsoft em valor de mercado, um marco de certo valor simbólico para ela.

Além do hardware

Muita gente ainda associa a IBM aos mainframes que permitiram, a ela, dominar o mercado de computadores nos anos 70. A empresa continua sendo um fabricante importante de grandes computadores. Mas, em vista da enorme variedade de produtos e tecnologias que ela criou e continua desenvolvendo, essa visão é um tanto injusta. 

De fato, uma das razões para a longevidade da IBM é que a empresa sempre conseguiu transformar seus negócios em função dos avanços tecnológicos e das mudanças no mercado. A fase atual começou em 2002, quando a IBM comprou o escritório de consultoria PricewaterhouseCoopers por 3,5 bilhões de dólares. A compra gerou dúvidas no mercado por causa da diferença entre as culturas das duas empresas.


Os profissionais da IBM eram conhecidos pela disciplina e pelo estilo sóbrio, enquanto os da Price atuavam de forma mais autônoma. Se a turma da Price resolvesse debandar em massa, o valor da empresa para a IBM iria embora junto. O novo time foi posto sob a liderança de Virginia Rometty. A bem sucedida integração da equipe da Price criou uma área de consultoria muito forte na IBM. Também reforçou o cacife de Virginia para ascender, agora, ao posto de CEO. 

O IBM PC e a Lenovo 

Depois da aquisição da Price, o próximo grande passo da IBM para se tornar uma empresa mais lucrativa foi a venda da divisão de PCs à chinesa Lenovo, em 2005. Pioneira da computação pessoal, a IBM havia criado, em 1981, o IBM PC, o computador que serviu (e serve até hoje, 30 anos depois) de modelo para milhares de outros.

A arquitetura aberta do PC fez surgir um mercado de hardware, software e serviços de proporções globais. A acirrada competição entre os milhares de fabricantes fez com os preços caíssem continuamente. Isso foi ótimo para o consumidor, é claro, e permitiu que computador pessoal se popularizasse.

Para  a IBM, porém, os preços em queda estreitaram as margens a ponto de tornar o negócio de PCs desinteressante do ponto de vista financeiro. Vendê-lo à Lenovo permitiu que a companhia se concentrasse mais em suas lucrativas divisões de software e serviços. Em 2009, a IBM comprou a produtora de software SPSS por 1,2 bilhão de dólares, ampliando ainda mais sua área de software.


Supercomputadores

A IBM continua sendo um fabricante importante de grandes servidores e supercomputadores. Na última edição da lista Top500, que relaciona os 500 computadores mais poderosos do mundo, há 212 máquinas da IBM. É, de longe, o fabricante com maior participação (a HP, que vem em segundo lugar, tem 155 computadores na lista).

A divisão de semicondutores também continua forte. Os processadores da IBM estão presentes, por exemplo, nos principais consoles para jogos atuais – Xbox 360, da Microsoft; PlayStation 3, da Sony e Wii, da Nintendo. E a empresa é vista como líder em inteligência artificial. Essa posição ganhou visibilidade em fevereiro deste ano, quando o computador IBM Watson competiu no programa de TV de perguntas e respostas Jeopardy e derrotou seus oponentes humanos.

A estratégia de concentrar-se nos produtos mais lucrativos trouxe resultados notáveis. Durante a década em que Sam Palmisano – que agora deixa o cargo de CEO – comandou a IBM, seu lucro quadruplicou. No final de setembro, a empresa ultrapassou a Microsoft em valor de mercado. E a IBM continua sendo uma das companhias mais inovadoras do planeta. Em 2010, ela investiu 24 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento e registrou 18 mil patentes.

Centenário

O vídeo abaixo (em inglês) foi produzido pela IBM no início deste ano para comemorar seu centenário. Nele, cem pessoas – cada uma nascida num dos anos de existência da IBM – contam a história da empresa. E há destaque para a chegada da Big Blue ao Brasil, em 1917, apenas seis anos depois da sua fundação e ainda sem o nome definitivo.

https://youtube.com/watch?v=39jtNUGgmd4%3Frel%3D0

Acompanhe tudo sobre:ComputadoresConsultoriasEmpresasEmpresas americanasempresas-de-tecnologiaIBMServiçosSoftwareTecnologia da informação

Mais de Tecnologia

Na era do vício digital, a abstinência e a liberdade de 24 horas sem WhatsApp

Agora todos poderão ver o que você comenta em um story do Instagram; saiba como

Boeing Starliner tem retorno à Terra adiado pela segunda vez

Internet em qualquer lugar? Starlink, de Elon Musk, lança antena do tamanho de um laptop

Mais na Exame