Safra de startups busca capital para crescer e colher frutos em 2021

Para atender investidores exigentes, empresas reforçam comitês de gestão

Assim como no mundo dos vinhos, os investidores em venture capital, dedicados a capital de risco, dividem as startups em safras, uma vez que podem demorar até dez anos para colher os frutos dos aportes realizados. Na última década, com mais capital de risco disponível, o Brasil viu florescer uma safra de empresas de tecnologia capazes de conquistar clientes e cheques milionários. A expectativa é que 2021 seja o momento de colher esses frutos com fusões, aquisições e aberturas de capital na bolsa (chamadas de IPO, na sigla em inglês).

Essa possibilidade está embalada num 2020 surpreendentemente bom para muitos empreendedores brasileiros. O país vem batendo recordes de fusões e aquisições de startups ­— um dos indicadores mais potentes do alvoroço com as empresas de tecnologia. Até novembro, foram 143 transações do tipo no país, mais do que o dobro de 2019.

O salto foi causado pela pandemia. A quarentena obrigou muitas empresas brasileiras a reinventar sua forma de trabalho — e acelerou investimentos em transformação digital, um papo até então relegado aos times de inovação das organizações. Com a vida virada de ponta-cabeça, empresas grandes tiveram de buscar nas startups um jeito de transitar pela nova realidade.

O Magazine Luiza, por exemplo, comprou seis startups ao longo do ano. Empresas como Nubank e Neon, que receberam aportes de 300 milhões de dólares cada uma em 2020, também aproveitaram para adquirir startups. “É uma avenida que se abriu e deve continuar em alta em 2021”, diz Leonardo Teixeira, sócio do fundo de investimentos Iporanga Ventures.

Daqui para a frente, o que vem animando os investidores é a possibilidade de abertura de capital no Brasil. Até 2020, isso parecia muito distante dos empreendedores brasileiros, acostumados com a falta de crédito até para pagar as contas do dia a dia.

A expansão do mercado de capitais decorrente dos juros na mínima histórica do Brasil levou duas startups à B3 em 2020: a Méliuz, plataforma de descontos online (o chamado cashback), e o  Enjoei, um brechó online avaliado em 1,1 bilhão de reais. “É histórico. Foi a primeira vez que startups de tecnologia dessa geração fizeram IPO no Brasil. Isso abre um horizonte de saída e liquidez mais próximo para os investidores”, diz Felipe Matos, vice-presidente do Grupo Dínamo, think tank para o empreendedorismo.

 (Arte/Exame)

Em 2021, a tendência é que a ida à bolsa ganhe força. Há cerca de 40 empresas na fila para abrir o capital. Entre elas, a Mobly, um e-commerce de artigos para casa, e a Mosaico, dona dos sites de comparação de preços Zoom, Buscapé e Bondfaro. “Temos histórias bem-sucedidas de empresas digitais, como MercadoLivre, Magalu e Locaweb, o que gerou um apetite grande por histórias como essas e forçou os investidores a estudar mais o ambiente de tecnologia”, diz Thiago Maceira, líder de tecnologia no Itaú BBA.

Até então, IPOs de empresas de tecnologia, como PagSeguro, ­Stone e XP, miravam a bolsa americana Nasdaq, que opera ações de várias empresas do setor, como Amazon, Apple e Microsoft. As aberturas no mercado brasileiro, além de refletirem uma demanda dos investidores por novas categorias de ativos, são resultado de uma iniciativa da B3 de se aproximar do ecossistema de inovação.

Nos últimos meses, a bolsa brasileira organizou cursos sobre o mercado de capitais com a Endeavor, ONG de fomento ao empreendedorismo, e o Cubo, berçário de startups mantido em São Paulo pelo Itaú. “Se as empresas decidirem pelo IPO lá fora, trabalharemos com dupla listagem para trazer os ativos ao Brasil”, diz Leonardo Resende, gerente de relacionamento da B3.

O amadurecimento dessa safra de startups dos anos 2010 abre espaço para que os empreendedores que venderam startups criem novas empresas. “É um efeito dominó positivo. Em anos, vamos ter múltiplos do que estamos vendo agora no ecossistema brasileiro”, diz Anderson Thees, sócio da gestora de investimentos Redpoint eventures.

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