Revista Exame

A mais célebre das canetas: o centenário da Meisterstück

A Meisterstück, o clássico instrumento de escrita em forma de charuto da Montblanc, completa 100 anos

Campanha antiga da Meisterstück: ênfase na qualidade  (Montblanc/Divulgação)

Campanha antiga da Meisterstück: ênfase na qualidade (Montblanc/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 25 de abril de 2024 às 06h00.

Tudo sobreMontblanc
Saiba mais

“Bonita caneta”, diz o recepcionista do hotel a Tom Ripley. A cena acontece no fim do primeiro episódio de Ripley, série da Netflix que conta a conhecida história de um farsante que se faz passar por um milionário nos anos 1960. O instrumento de escrita pertencia a Richard Greenleaf, o jovem rico em questão, e havia sido roubado por Ripley. Sem dar spoiler, mas a peça terá importância vital na trama.

A caneta da cena é uma clássica Mont­blanc Meisterstück 149. É fácil entender seu apelo. Trata-se de um dos mais célebres instrumentos de escrita do mundo. Existem outras mais exclusivas. Uma Fulgor Nocturnus com 945 diamantes chegou a ser vendida por 8 milhões de dólares. Certas versões de Caran d’Ache são bastante disputadas por colecionadores. Mas prestígio nem sempre está diretamente relacionado a dinheiro.

A Montblanc foi fundada em 1906 em Hamburgo por três alemães com o nome Simplo-Filler-Pen Co. A marca pela qual é conhecida hoje só seria registrada três anos depois. Foi com o modelo Meisterstück que a marca alcançou fama mundial. Conta a história que, no começo do século passado, alguns clientes começaram a pedir um instrumento de escrita para “uso aos domingos”. Ou seja, algo especial, com uma experiência mais refinada, não para uso diário.

Coincidentemente, os funcionários da empresa estavam desenvolvendo uma caneta para uso próprio. Com acabamento mais refinado, essas criações eram então conhecidas como Meisterstück, ou “obra-prima”, na tradução do alemão. Os experimentos dos artesãos deram origem à coleção Meisterstück. No começo, o nome foi traduzido para alguns mercados, mas a iniciativa logo foi abandonada. Prevaleceu a palavra no idioma de origem.

Comemorações de aniversário

O ano de lançamento da coleção foi 1924. A Meisterstück, portanto, completa 100 anos. Para celebrar o aniversário do modelo, a Montblanc está lançando algumas edições comemorativas. Cada edição da chamada Meisterstück The Origin Collection vem decorada com uma pena de design especial, com o número “100”, bem como os anos “1924” e “2024”.

Um anel do topo, especialmente projetado para essa linha, também aparece decorado com os dois anos marcantes. O logotipo original da Meisterstück está gravado na lateral da tampa de cada edição. O clipe dobrado é uma homenagem às diversas versões do adereço que existiam durante a década de 1920, quando não ele era fixado no instrumento de escrita e podia ser escolhido pelos clientes.

Inspirada nos diferentes efeitos de mármore dos primeiros instrumentos de escrita Meisterstück, a resina da tampa apresenta um efeito que lembra a dissolução da tinta, adaptada às técnicas de produção mais atuais, com cores diferentes para homenagear as fontes originais.

A Meisterstück The Origin Collection Precious Resin 149 apresenta corpo de resina preciosa preta, e a pena de ouro maciço Au750 revestida de ródio é embelezada com o design centenário. A Meisterstück The Origin Collection Precious Resin LeGrand combina corpo de resina preciosa azul-escura com tampa de efeito de tinta fluida azul. Já a Meisterstück The Origin Collection Precious Resin Classique é uma edição de resina verde. Outras coleções celebrativas, como Doué e Solitaire, foram também inspiradas nos arquivos da Montblanc. É como uma viagem ao passado, mas em uma nave da atualidade.

Edições comemorativas do centenário: resgate do passado (Olff Appold/Divulgação)

As características da Meisterstück

A lista histórica de fãs da caneta vai de John Kennedy a Barack Obama. Mas o que faz uma Meisterstück ser uma Meisterstück? No começo a peça tinha a aparência simples de uma caneta preta de segurança, cuja tinta não vazava. O número “4810” gravado na pena de ouro bicolor como referência à altura da montanha Mont Blanc em metros e o design do clipe apareceram pela primeira vez na década de 1920. No fim da mesma década, dois anéis de ouro foram adicionados à tampa, como elemento decorativo e também para reduzir o risco de fissuras. E a cor dourada começou a ganhar destaque.

Os anos de 1934 e 1935 marcaram o início de uma nova era para a empresa. A geração seguinte de líderes assumiu a gestão, e a companhia foi renomeada como Montblanc Simplo GmbH. Novos produtos foram lançados, e a Meisterstück ganhou um design atualizado, com formato cilíndrico, um único anel largo na tampa, clipes mais arrojados e uma pena em dois tons. Três anéis dourados foram adicionados à tampa — diz a lenda que se tratava de uma representação dos três fundadores da Montblanc.

Muitas e muitas versões foram lançadas nas décadas seguintes, mas uma permaneceu quase inalterada: o modelo 149, de 1952, com a inconfundível forma de charuto. Nos anos 1970, a Montblanc tomou a decisão de limpar um pouco o portfólio, e o design clássico da 149 foi adotado em outros modelos. Uma coisa não mudou em todos esses anos: o prazer quase nostálgico de deslizar a pena de uma caneta de qualidade sobre o papel, controlando os traços e formando as palavras, uma sensação que teclado nenhum jamais trará.

Acompanhe tudo sobre:1262LuxoMontblanc

Mais de Revista Exame

Swarovski apresenta coleção baseada nos mistérios subaquáticos

Dress watches: IWC apresenta três modelos do Portugieser

Aplicações na adega: o vinho como investimento financeiro

A luta e o recomeço

Mais na Exame