A eficiência entrou na agenda dos grandes estados

A melhoria da gestão já se tornou um objetivo — ao menos no discurso — dos maiores estados da federação

Brasília - A despeito dos escândalos de corrupção, da inépcia e do apadrinhamento político denunciados quase todos os dias, uma mudança silenciosa vem ajudando a melhorar gradualmente a paisagem da administração pública no país.

Programas de aprimoramento de gestão, com maior ou menor grau de sucesso, foram iniciados nos últimos anos em uma dezena de estados, em um número semelhante de municípios e até em órgãos do Poder Judiciário.

Um ciclo de encontros de governadores com empresários, realizado ao longo de agosto por EXAME, mostrou que a melhoria da gestão pública é hoje uma agenda comum aos maiores estados da federação.

A série teve a presença dos governadores Geraldo Alckmin (SP), Antônio Anastasia (MG), Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA) e Sérgio Cabral (RJ).

A onda positiva conta com o apoio de consultorias como o Movimento Brasil Competitivo, criado pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter, e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial, do guru Vicente Falconi. “A recente adesão de estados como Goiás e Espírito Santo demonstra o alto grau de contágio positivo desses programas”, diz Erik Camarano, presidente do MBC.

“Assim como os políticos que se candidatam à Presidência aprenderam que o combate efetivo à inflação rende votos, o mesmo acontece agora com a eficiência da máquina administrativa para aqueles que querem disputar ou se reeleger em governos estaduais ou prefeituras.”

De acordo com o MBC, desde 2005 até maio deste ano, os programas com cortes de desperdício, redução de gargalos e economias na contratação de serviços e compra de materiais geraram ganho estimado em 14,2 bilhões de reais.  

O saneamento financeiro dos estados começou nos anos 90 em São Paulo, no governo Mário Covas, com um ajuste nas contas estaduais.


Em 2003, seria a vez de Minas Gerais fazer o mesmo no primeiro mandato do então governador Aécio Neves. Para isso, Aécio recorreu ao apoio do MBC e do INDG.

Na época, além de um déficit anual de 12% do orçamento, o caixa mineiro carregava uma dívida de 5 bilhões de reais, não conseguindo cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O sucesso de Minas, com a diminuição de 21 para 15 secretarias estaduais e o corte de 3 000 cargos, ficou visível com o equilíbrio das contas públicas já em 2004.

Desde então, a capacidade de investimento do governo — sem incluir as estatais como a Cemig — foi ampliada de 1,9 bilhão, naquele ano para 6,1 bilhões de reais em 2010. Outro exemplo de virada é o de Pernambuco, que adotou um programa de melhoria administrativa em 2006.

No ano seguinte, o governo do estado estabeleceu um mapa com dez objetivos estratégicos. Áreas­ como finanças, educação, saúde e segurança passaram a ter metas e indicadores de desempenho acompanhados semanalmente pelo governador Eduardo Campos.

Em seu discurso aos participantes do ciclo de encontros de EXAME, Campos anunciou que o governo de Pernambuco deverá investir 12 bilhões de reais até 2015.

Ele afirmou que uma das prioridades é a criação de escolas técnicas. “Estamos investindo em formação para a demanda que vem chegando, com base no quadro de necessidades de mão de obra que cada empresa nos entrega”, disse.

Pelo menos no discurso, todos os governadores enalteceram a importância dos programas para aprimorar a gestão e elevar a eficiência do setor público. É de esperar que as palavras dos administradores públicos continuem a se transformar em gestos concretos.

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