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Sumiço de Jack Ma: é o fim de uma era para os empreendedores da China?

O empresário atingiu status global de astro do rock ao fundar o Alibaba, mas seu tempo como ícone parece ter terminado na China

Um empreendedor com fama de astro do rock: é assim que Jack Ma, fundador do e-commerce Alibaba, ficou conhecido. O antigo professor de inglês ganhou reconhecimento global por criar na China, sob o regime do Partido Comunista, um negócio com força para competir com os gigantes americanos do Vale do Silício.

Em 2014, o Alibaba entrou para a história ao abrir capital na bolsa de Nova York com avaliação de mercado de 25 bilhões de dólares. A trajetória do empresário inspirou uma geração de empreendedores chineses na suas tentativas de criar uma startup de sucesso. Mas teria chegado ao fim a era do bilionário na China?

Antes de se tornar um dos homens mais ricos da China, Ma foi rejeitado mais de 30 vezes quando buscava seu primeiro emprego e ainda recebeu dez negativas diferentes da universidade americana de Harvard. Ao participar da fundação do Alibaba junto a outros empreendedores, ele se destacou não por sua experiência, mas sim pela capacidade de inspirar as pessoas a inovar. Como afirmou William Bao Bean, sócio da empresa de capital de risco SOSV, em entrevista à Bloomberg, "as startups se tornaram uma opção profissional aceitável por causa da fama de Jack Ma e do sucesso da Alibaba".

Mais de 20 anos depois da fundação da empresa, Ma volta às manchetes globais, mas dessa vez não pelo seu sucesso. O empresário não é visto em público há mais de dois meses, quando o governo chinês aumentou a pressão sobre seus negócios. A China não só suspendeu a oferta pública inicial do Ant Group, afiliada financeira do Alibaba, como anunciou uma investigação contra o grupo por supostas práticas monopolistas. A movimentação aconteceu semanas depois de o empresário criticar publicamente o sistema regulatório financeiro da China em uma conferência em Xangai.

Jack Ma estava habituado a falar sobre a China em público, como uma espécie de embaixador não-oficial do país em fóruns internacionais. Mas o discurso criticando a mentalidade dos bancos chineses e acusando as autoridades globais de atrasarem a inovação parece ter sido a gota d´água para o presidente chinês Xi Jinping.

O presidente adota uma postura diferente do seu antecessor em relação aos grandes negócios chineses, cobrando lealdade ao país em primeiro lugar. Em 2019, quando Jack Ma deixou o comando do Alibaba em um evento que reuniu milhares de pessoas, um representante do Partido Comunista escreveu em um editorial no Diário do Povo que não havia “uma era Jack Ma na China”, mas sim uma “era chinesa da qual Jack Ma fazia parte”. A nota já dava pistas do descontentamento do partido sobre o status de superstar do empresário.

A recente represália do governo chinês não vem isolada. A percepção dos chineses sobre Ma e sua fortuna tem mudado, passando de "empreendedor herói" a "vilão sanguessuga". Reportagem do jornal americano The New York Times mostra que os jovens chineses, ao se depararem com menos oportunidades ao sair da faculdade, estão criando um ressentimento contra os grandes bilionários do país. Postagens em redes sociais locais, como Weibo e WeChat, que criticam a fortuna de Ma e fazem referências à Revolução Francesa foram curtidas por milhares de pessoas. Apesar de a China caminhar a passos largos para ultrapassar a economia americana como a maior do mundo, ainda 600 milhões de chineses vivem com cerca de 150 dólares por mês.

Com seu império em crise e parte da opinião pública contra si, Jack Ma parece ter percebido que há um limite quando seu oponente é Xi Jinping. A postura do Alibaba diante da represália do governo dá o tom da nova era de empreendedorismo chinês. Um mês após o IPO da Ant ser suspenso, o presidente do grupo, Daniel Zhang, publicamente se disse arrependido e prometeu lealdade às autoridades, de acordo com o Financial Times.  "Somos construtores e beneficiários da economia digital da China. E estamos muito gratos por esta era", disse Zhang. Ao que tudo indica, não há mais espaço para empresários estrela na China de 2021.

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