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A China deve se tornar o país mais rico do mundo bem antes do previsto

China pode quebrar hegemonia americana que vem desde a década de 1920 e se tornar a maior economia do mundo nesta década, segundo novo estudo

Que a economia chinesa estava fadada a ultrapassar a americana em algum momento, era sabido. Mas um novo estudo divulgado no apagar das luzes de 2020 gerou um pequeno frenesi entre os economistas mundo afora e veículos especializados: a projeção de que o PIB da China será superior ao dos Estados Unidos já em 2028.

A estimativa é da consultoria britânica Centre for Economics and Business Research (CEBR), em seu World Economic League Table, estudo sobre a economia global publicado anualmente desde 2009.

São cinco anos mais cedo do que a projeção do ano passado da própria consultoria, que previa esse movimento só em 2033. Projeções de outras instituições anteriores à pandemia de covid-19 também apontavam que a China ultrapassaria os EUA somente na próxima década.

"À medida que praticamente todos os países foram afetados pela pandemia, um de seus impactos foi redistribuir o momentum econômico entre os países, com a Ásia se saindo melhor", aponta o relatório. A partir de 2021, a CEBR calcula que a China deve crescer anualmente cerca de 5,7% até 2025 (depois 4,5% por ano entre 2026-2030 e, por fim, 3,9% entre 2031-2035).

O estudo chamou a atenção por cravar uma projeção que já vinha sendo aguardada desde o começo da pandemia: o fato de que a crise da covid-19 deve antecipar a chegada chinesa ao topo, em detrimento da economia americana e de países europeus.

Mesmo sem covid-19, o crescimento chinês nas últimas décadas tem sido meteórico, em uma combinação de pujança do mercado interno e crescimento das exportações com industrialização, empresas de tecnologia se destacando no mundo e bons resultados educacionais.

A China foi de quinta maior economia do mundo em 2005 para segunda em 2010, posto em que se mantém desde então. Sua fatia na economia global subiu de 3,6% em 2000 para 17,8% em 2020.

Os EUA estão no posto de maior economia do mundo desde a década de 1920, consolidando a liderança global após as duas guerras mundiais.

O ano de 2021 marcará também o começo do novo Plano Quinquenal chinês, que vai de 2021 a 2025. Com o mote de fazer o mercado interno e externo "se complementarem", nas palavras do presidente Xi Jinping, o plano já traz de forma clara que a guerra comercial com os EUA deve perdurar e, para além disso, o mercado consumidor externo não deve se recuperar rapidamente da crise da covid-19.

A China é o país mais populoso do mundo, com quase 1,44 bilhão de habitantes em 2020, mais de 18% da população mundial. Os milhões de consumidores chineses e a crescente influência da China entre os vizinhos asiáticos serão necessários como nunca.

A projeção do CEBR é ainda que a China se torne uma economia desenvolvida (ou high income economy) em 2023, também antes do previsto. Uma economia desenvolvida tem, segundo o Banco Mundial, um determinado PIB per capita (de 12.536 dólares, nos números de 2019), mas o termo também é frequentemente usado para se referir aos "países de Primeiro Mundo".

A China está entre os poucos países que devem encerrar 2020 com crescimento do PIB. Segundo estimativa de outubro do Fundo Monetário Internacional (FMI), só 25 países terão saldo positivo na economia neste ano, a maioria deles da Ásia e da África que já vinham em alto crescimento antes da crise -- com situação melhor também para os que conseguiram controlar de alguma forma a pandemia, como é o caso da China.

A estimativa do FMI é que a China cresça 1,9% neste ano, muito abaixo do crescimento nos anos anteriores à crise, mas ainda um feito, enquanto a maioria dos países enfrenta recessão.

Os EUA devem ter recessão de 4,3% neste ano, segundo a mesma projeção do FMI. No combinado de todo o grupo dos países ricos (como Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Reino Unido), a previsão é ainda maior, de queda de 5,8% em 2020, puxada por desempenhos ruins na Europa

No Brasil, a título de comparação, a estimativa é queda de mais de 5,8% no PIB, pelas contas do FMI (que economistas têm considerado elevadas para o cenário brasileiro), ou de 4,4%, segundo os analistas ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, nesta semana. Boa parte do crescimento brasileiro na retomada econômica da crise da covid-19 dependerá, inclusive, da própria China, atualmente maior parceiro comercial do Brasil.

Garantir que a China não vá longe demais em sua expansão global -- incluindo na influência sobre outros países, como o Brasil -- deve ser um dos principais objetivos do presidente eleito nos EUA, Joe Biden. De todas as coisas que Biden pretende fazer diferente do atual presidente, Donald Trump, a fala grossa com a China não deve ser uma delas, disse em entrevista à EXAME o analista americano Francis J. Kelly, chefe de relações com o governo e assuntos públicos para as Américas do Deutsche Bank.

“O presidente eleito entende que o mundo mudou [desde o governo Obama] e a China é um lugar diferente agora. Acho que o que se verá com a China é uma continuação de negociações comerciais muito duras e até do que vimos sob Trump”, disse Kelly.

Para os analistas, embora seja impossível voltar atrás na visão da China como grande rival americana construída sob Trump, as empresas americanas -- muitas com negócios na China e querendo chegar ao bilionário mercado asiático -- também têm "muito em jogo".

"A gestão do assunto 'China' é conduzida por três grupos concorrentes nos EUA: segurança nacional, interesses comerciais e interesses nacionalistas", aponta relatório da Gavekal Research publicado pela EXAME Research sobre a relação China-EUA (leia na íntegra gratuitamente). Equilibrar essas três frentes será um desafio e tanto no governo Biden.

O fenômeno de crescimento maior da China é natural -- desde a década de 1990 o crescimento dos emergentes tem sido maior do que o das economias já desenvolvidas. Mas, se a pandemia acelerou transformações no mundo, como a adoção de novas tecnologias, acelerou também uma mudança profunda na hegemonia econômica.

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