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Juros altos reduzem pontualidade no pagamento das MPE

Segundo Serasa Experian, em um ano houve recuo de 0,7% na quitação de dívidas por parte de micro e pequenas empresas

Cheque especial (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Cheque especial (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

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Da Redação

Publicado em 20 de junho de 2011 às 14h10.

Brasília - O aumento dos juros começa a impactar no pagamento das contas das micro e pequenas empresas (MPE). A pontualidade de quitação das dívidas dos pequenos negócios recuou 0,7% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pela Serasa Experian.

Em maio deste ano, de cada mil pagamentos realizados, 945 foram quitados à vista ou com atraso máximo de sete dias. No mesmo mês do ano passado, a pontualidade havia sido de 952 pagamentos atualizados para mil contas. Esta é a terceira queda consecutiva do indicador. Há tendência de que o cenário continue em desvantagem em relação a 2010.

Em 2011, além do atraso nas contas, as dívidas estão sendo contraídas em valores superiores. O valor médio dos pagamentos em maio foi de R$ 1.741,55, 6,1% superior ao do mesmo período de 2010. “Este ano, a economia vai crescer menos e isso reflete na pontualidade dos pagamentos. As micro e pequenas empresas dependem muito do setor bancário para se financiar e o crédito mais caro afeta diretamente o caixa delas”, avalia o gerente de indicadores de mercados da Serasa, Luiz Rabi.

“Mas isso não chega a ser catastrófico, porque a base de comparação é muito elevada. O ano de 2010 foi muito bom para a economia, o que contribuiu para a pontualidade desses pagamentos”, completa.

De acordo com os economistas da Serasa, os atrasos se devem ao aumento dos juros. A taxa Selic, indicador fixado pelo Banco Central para balizar os juros cobrados pelas instituições financeiras, subiu muito nos últimos meses: passou de 9,4% ao ano, em abril de 2010, para 12,25% ao ano, segundo a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no início de junho.

“A alta dos juros e o consequente aperto nas condições de crédito estão produzindo efeitos adversos sobre o custo financeiro e o caixa das micro e pequenas empresas, afetando negativamente a pontualidade de pagamentos junto aos seus credores financeiros e operacionais”, diz a nota da Serasa.

Dia das Mães
Os dados mostram que as micro e pequenas empresas industriais e de serviços foram as que tiveram os maiores atrasos. A queda nos dois setores foi de 0,8% e 1,4%, respectivamente. No varejo, a redução foi de 0,2% no ano. O melhor desempenho no setor se deu em função das vendas do Dia das Mães, segundo a nota da Serasa, que ajudaram a alavancar o setor.

O Indicador Serasa Experian da Pontualidade de Pagamentos das Micro e Pequenas Empresas é construído por meio dos pagamentos efetuados, mensalmente, por amostra de cerca de 600 mil MPE de todo o País.

A Serasa Experian considera como micro e pequenas empresas aquelas cujo faturamento líquido anual não ultrapasse o montante de R$ 4 milhões. O Sebrae classifica como micro e pequena empresa as que registram faturamento inferior a R$ 2,4 milhões por ano.

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