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Ele herdou um negócio cheio de dívidas –hoje fatura R$ 15 milhões

Este empreendedor decidiu assumir o negócio da família: um empresa de colchões que estava à beira da falência. Hoje comemora o sucesso.

O empreendedor Felipe Pedroso, dono da Cia Do Sono (Divulgação)

O empreendedor Felipe Pedroso, dono da Cia Do Sono (Divulgação)

Mariana Desidério

Mariana Desidério

Publicado em 25 de novembro de 2016 às 06h00.

Última atualização em 25 de novembro de 2016 às 06h00.

São Paulo – Desde os seis anos de idade, Felipe Pedroso convive com o negócio fundado pelos pais: a Cia Do Sono, empresa especializada em colchões ortopédicos.

O negócio começou a partir de uma dificuldade do pai de Pedroso. Ele sofria de dor nas costas e comprou um colchão ortopédico importado. “A melhora foi imediata, e eles viram aí uma oportunidade”, conta.

Era o ano de 1987, e a empresa começou a operar no modelo da venda direta. O produto era um colchão ortopédico mais macio que o vendido lá fora, adaptado pela empresa para o público brasileiro.

“A empresa ia muito bem nesse modelo, é um mercado maravilhoso. Porém, a venda direta é muito informal. Começaram a surgir muitas empresas amadoras”, afirma o empreendedor. Segundo ele, quando a Cia Do Sono teve início, eram pouquíssimas as empresas no ramo, hoje existem mais de 300, somente vendendo colchões.

Com isso, os pais de Felipe decidiram mudar de estratégia e investir em lojas físicas, através de distribuidores autorizados. E foi aí que o negócio desandou. “O modelo de negócio não ficou claro, a empresa começou a se endividar. Chegamos à beira da falência”, conta o empreendedor. Ele lembra que a Cia do Sono chegou a ter um dívida de cerca de 3 milhões de reais.

Foi aí que Pedroso decidiu assumir o negócio. “Conversei com meus pais e disse que queria assumir estar à frente. Eu estava lá há dez anos, conhecia o mercado e tinha ideias para levantar a empresa”, afirma.

A família aceitou a proposta e deixou o negócio nas mãos do filho. Sua primeira ação foi reformular o modelo de negócios da empresa, que estava confuso. Em vez de apostar nos distribuidores autorizados, a empresa passou a atuar via franquias. Decidiu também resgatar a ideia da venda direta.

“Eu fui cinco vezes campeão de vendas e sabia que a venda direta tinha potencial. Então, criamos a microfranquia, que é a venda direta de forma mais institucionalizada, não informal como vemos em outras empresas”, afirma.

Colchão para a vida

Outra mudança fundamental foi no produto. A Cia do Sono passou a oferecer um colchão personalizado. “Vemos a necessidade do cliente para só então fabricar o colchão. É um trabalho artesanal”, afirma.

Por exemplo: no caso de um casal, cada um pode ter uma necessidade específica. O homem pode ser muito mais pesado que a mulher, ou ainda um deles pode ter algum problema na coluna. Sendo assim, o colchão é preparado de modo a atender a cada uma dessas necessidades.

“Temos também o conceito de ‘colchão vitalício’. Depois que acabar a garantia, o cliente pode solicitar uma reforma no produto, de acordo com suas novas necessidades”, explica. Os colchões da Cia do Sono têm garantia de 5 a 10 anos, dependendo do material de são feitos.

Pedroso que a reforma custa entre 20% e 25% do preço de um colchão novo, sendo que um colchão da Cia do Sono pode custar entre 2 mil e 25 mil reais. “Queremos ser um produto para a vida toda.”

As mudanças geraram resultado. Se em 2012 a empresa estava perto da falência, hoje é uma rede com faturamento de 15 milhões de reais. Atualmente, a Cia do Sono tem 30 franqueados, sendo 23 lojas e 7 microfranquias.

O objetivo da rede é chegar a 100 unidades nos próximos dois anos – 50 lojas e 50 microfranquias. Além disso, a marca mira o mercado dos Estados Unidos e estuda exportar seus produtos.

Para ser um franqueado, o investimento inicial é de 5.800 reais (para a microfranquia) e de 140 mil reais (para quem quer abrir uma loja).

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