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Título de 100 anos marca retorno ousado da Petrobras

A empresa surpreendeu com a venda de US$ 2,5 bilhões em bonds de 100 anos, tornando-se a 1ª de um mercado emergente a emitir esse tipo de nota desde 1997

Todos esperavam que um eventual retorno da Petrobras ao mercado de bonds teria uma escala modesta e seria mais um passo para a reconstrução de confiança com o mercado que qualquer outra coisa.

Afinal, trata-se de uma empresa manchada por um escândalo de corrupção que lhe custou bilhões em baixas contábeis e um rebaixamento em sua nota de crédito para junk (grau especulativo).

Em vez disso, a estatal de petróleo surpreendeu os investidores na segunda-feira com a venda de US$ 2,5 bilhões em bonds de 100 anos, tornando-se a primeira empresa de um mercado emergente a emitir esse tipo de nota de longo prazo desde 1997.

A venda é a mais nova tentativa da Petrobras de deixar o escândalo para trás seis meses depois de ser excluída dos mercados internacionais de bonds em meio a uma investigação a executivos que teriam aceitado propinas em troca de contratos.

A empresa vendeu as notas com vencimento em 2115 com um yield, ou rendimento ao investidor, de 8,45 por cento -- 0,4 ponto porcentual a menos que a indicação inicial de preço dada pelos coordenadores da operação.

“A Petrobras está tentando desesperadamente se reabilitar, e a venda de títulos em dólares é parte fundamental desse processo”, disse Nicholas Spiro, diretor-geral da Spiro Sovereign Strategy em Londres, por e-mail. “É uma jogada corajosa, considerando o dano à reputação que a empresa teve”.

A assessoria de imprensa da Petrobras não respondeu a um e-mail e a um telefonema para comentar a emissão.

‘Boa notícia’

A operação foi uma “boa notícia” e ajuda a abrir caminho para que outras empresas brasileiras vendam dívidas, disse a repórteres o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em um evento do Fundo Monetário Internacional em Washington na segunda-feira.

Contudo, ela não saiu barata.

As notas foram emitidas com um yield 2,87 pontos porcentuais maior que os bonds de 100 anos denominados em dólares do México. O país vendeu bonds com vencimento em cem anos no mercado externo em cinco ocasiões desde 2010, em três moedas diferentes.

A Standard Poor’s classifica o México dois níveis acima da Petrobras; a Moody’s Investors Service o coloca cinco degraus acima.

A Moody’s reduziu a nota da Petrobras para junk em meio das dificuldades da empresa em conseguir divulgar seu balanço financeiro auditado. Após um atraso de cinco meses, a Petrobras finalmente publicou os resultados do terceiro e do quarto trimestre do ano passado em 22 de abril, reportando uma baixa contábil de R$ 6,2 bilhões (US$ 2 bilhões) ligada a corrupção e uma perda por desvalorização de ativos (impairment) de R$ 44,6 bilhões decorrente principalmente de projetos superfaturados e inacabados de refinarias.

A Petrobras foi a maior emissora de bonds corporativos dos mercados emergentes nos últimos quatro anos, levantando um total de US$ 40 bilhões.

Patrik Kauffmann, que ajuda a gerenciar US$ 11,2 bilhões em ativos na Solitaire Aquila, disse que manteve distância dos bonds porque as dívidas de prazo mais longo serão mais vulneráveis quando o Federal Reserve (Fed) elevar suas taxas de juros.

“A sensibilidade em relação à taxa pode resultar em enormes prejuízos”, disse ele, em um e-mail, de Zurique. “O mundo está esperando um aumento da taxa nos EUA”.

O oferta de bonds de 100 anos atraiu mais de US$ 7 bilhões em propostas, disse uma fonte próxima do assunto que pediu anonimato porque a informação não é pública.

“Eu estou impressionado com a demanda que eles tiveram”, escreveu Joe Kogan, chefe de estratégia de mercados emergentes do Bank of Nova Scotia em Nova York, em resposta por e-mail a perguntas.

“Apesar dos problemas da empresa, parece que muitos investidores têm fé na perspectiva para os preços do petróleo e na capacidade da empresa de exploração a longo prazo”.

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