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Melhores e Maiores 50 anos: mais premiada de transportes, Latam tem experiência como diferencial

Empresa aérea, famosa por tapete vermelho, busca agora avançar em rota verde

LATAM: empresa foi criada em 1961, como Transportes Aéreos de Marília. (Germano Lüders/Exame)

LATAM: empresa foi criada em 1961, como Transportes Aéreos de Marília. (Germano Lüders/Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 20 de agosto de 2023 às 09h00.

Última atualização em 1 de setembro de 2023 às 14h13.

Em 1995, os brasileiros começavam a aproveitar as vantagens de um país com inflação controlada e moeda forte, frutos do Plano Real. Uma delas era viajar mais de avião, e a Latam (chamada de Tam à época) estendeu o tapete vermelho para receber mais público.

Naquele ano, a Latam apareceu pela primeira vez no especial Melhores e Maiores da EXAME, como melhor empresa de serviços de transporte. De lá para cá, a empresa foi mais sete vezes vencedores de seu setor, chegando neste 2023 como a campeã histórica em transportes.

A reportagem da época trazia uma foto do comandante Rolim Amaro (1942-2001), lendário presidente da empresa e um de seus fundadores, limpando a janela de um dos aviões.

Rolim Amaro, mecânico, taxista e aviador

Rolim Amaro, mecânico, taxista e aviador (REGIS FILHO/Exame)

Amaro ficou conhecido por cuidar de perto dos detalhes, especialmente do atendimento aos passageiros. Era comum que ele chegasse cedo ao aeroporto e fosse ajudar a embarcar os viajantes, para ouvir deles, pessoalmente, as críticas e as sugestões. 

Trajetória da Latam

A Latam foi criada em 1961, como Transportes Aéreos de Marília, e ganhou espaço primeiro na aviação regional e executiva. Em 1995, a empresa estava em rota de ascensão, mas ainda distante das três maiores aéreas do país na época, a Varig, a Vasp e a Transbrasil.

Os céus, no entanto, mudariam rapidamente: no fim dos anos 2000, as três maiores aéreas na década anterior tinham quebrado. Com isso, o mercado aéreo passaria a ser dominado pela Tam e por duas novas empresas, a Gol e a Azul, cenário que se mantém até hoje.

Em 2012, a Tam buscou uma parceria internacional: se juntou com a chilena Lan, dando origem à Latam, que lidera o mercado nacional. Em junho, a empresa transportou 37,3% do total de passageiros domésticos e 28% dos viajantes em voos internacionais, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Os dados somam a participação de subsidiárias como a Lan Peru.

Para Jerome Cadier, CEO da Latam, a qualidade da equipe e o foco no bom atendimento são o principal fator para explicar o sucesso da companhia por tantas décadas.

“A Latam é hoje a empresa mais longeva do setor no Brasil. Contamos com a melhor equipe, com mais experiência e conhecimento. Isto faz com que, na linha de frente, consigamos oferecer o melhor serviço dentre todas as empresas nacionais e que, na equipe administrativa, contemos com pessoas que conseguem navegar pelas dificuldades de um setor muito desafiante neste país”, diz Cadier.

Pandemia e recuperação judicial

O CEO aponta que ter um time experiente foi fundamental para enfrentar o maior desafio da aviação comercial em sua história: a pandemia, que fechou aeroportos e cancelou voos da noite para o dia. 

“Foram momentos muito difíceis, pois praticamente paramos de vender passagens e voar. Mas, encontramos internamente a força para enfrentar a crise, sem esperar ajuda externa”, lembra Cadier.

Logo nos primeiros meses da crise sanitária, a Latam optou por pedir recuperação judicial nos EUA, por um processo chamado de Capítulo 11, o que a ajudou a se proteger dos credores e a renegociar dívidas.

“Optamos por reestruturar a companhia por meio do Capítulo 11 e nos preparar para uma aviação diferente depois que os efeitos da crise passassem. Com mais eficiência, agora conseguimos abrir mais rotas, oferecer o melhor produto ao cliente de lazer e negócios, e fazer com que mais brasileiros possam voar.”

A Latam saiu do processo de recuperação judicial em novembro de 2022, com sua dívida reestruturada e malha recorde. Hoje, atende 55 destinos no Brasil e 90 no exterior, somando voos diretos e indiretos. 

Para as próximas décadas, a empresa tem a meta de ser carbono neutro até 2050, mas há outros objetivos antes. Até 2030, a meta é usar 5% de SAF (combustível sustentável de aviação, ainda escasso no mercado). E, até o fim desde ano, o compromisso é eliminar totalmente o uso de plásticos descartáveis nos voos. O tapete vermelho, símbolo da Tam no passado, hojepode levar também a um caminho mais verde.

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