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ESG vira métrica e impacta bônus de executivos em empresas

Metas passam a ser perseguidas dentro das empresas, mas dificuldade em selecionar métricas eficientes ainda é obstáculo

Quando se fala em ESG, há o desafio de conseguir definir o que medir e, assim, poder mensurar o desempenho nos três pilares da agenda (Ezra Bailey/Getty Images)

Quando se fala em ESG, há o desafio de conseguir definir o que medir e, assim, poder mensurar o desempenho nos três pilares da agenda (Ezra Bailey/Getty Images)

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Da Redação

14 de dezembro de 2022, 07h30

A prática ESG, que envolve a governança ambiental, social e corporativa das empresas, começa a fazer parte também do dia a dia dos funcionários das organizações que têm essa visão estratégica. Empresas incluíram a agenda em métricas e a parte variável dos salários de executivos, em algumas companhias, por exemplo, está atrelada a resultados ligados à ESG.

Uma pesquisa da HRtech Mereo com 149 empresas de médio e grande portes de diferentes setores –23 delas listadas na Bolsa–, mostra que 47 companhias (32%) consideram o ESG em suas metas e em seus OKRs (objetivos e resultados-chave, em português) – o que incide diretamente sobre o trabalho das equipes. Entre as organizações de capital aberto, 21% consideram o ESG na hora de definir metas e OKRs.

“É importante destacar que a pesquisa mostra que as empresas estão monitorando as métricas ESG, porém ainda não estamos falando do impacto dessa gestão”, comenta Ivan Cruz, cofundador da Mereo, plataforma integrada de gestão de pessoas presente em mais de 40 países. “Adicionalmente, os dados da pesquisa denotam que a decisão de associar a estratégia ESG às metas e aos OKRs não está ligada ao tamanho ou segmento da organização, e sim à visão de futuro por parte dos líderes, pelo propósito e pelos valores da organização”, avalia.

O estudo mostra que 28% das companhias que estão atuando com estratégias ESG por meio de metas e OKRs o fazem por meio de projetos estruturantes, que serão a base para a instituição de métricas para resultados alcançados com ESG. Isso significa que, neste momento, para essas empresas, não se trata de métricas para avaliar o resultado final, mas uma preparação para contabilizar metas de ESG. 

“Embora ainda seja um número baixo, cada vez mais as empresas estão estruturando projetos para começar a medir e entender o escopo ESG no cenário de cada organização”, explica Cruz. “Acreditamos que, nos próximos anos, à medida que o tema for evoluindo e as companhias forem amadurecendo e ganhando conhecimento, mais métricas serão associadas ao tema”.

Métricas ESG

Cruz comenta, ainda, que, na administração, há o conceito clássico de que não é possível gerenciar aquilo que não é medido. “É preciso lançar mão de indicadores que sirvam para acompanhar o desempenho de áreas, pessoas e projetos. No contexto ESG, as empresas têm se desdobrado para anunciar metas e implementar boas práticas. No entanto, há o desafio de conseguir definir o que medir e, assim, poder mensurar o desempenho nos três pilares da agenda.” 

Ele reforça que não há consenso no mercado de quais métricas devem ser utilizadas, o que gera confusão para as companhias.

“Trata-se de um tipo de mensuração muito complexa e, muitas vezes, menos sujeita a indicadores objetivos”, explica. “Nem todas as questões são traduzidas em métricas precisas, como as metas de diversidade, quando os indicadores de processos se confundem com os de impacto. As companhias até podem mensurar a quantidade de mulheres e pessoas negras, mas não necessariamente conseguem identificar se as decisões da companhia refletem essas diferentes perspectivas”, afirma Cruz.

Sustentabilidade no foco das empresas

Dos três pilares da agenda ESG, sustentabilidade é a estratégia mais aplicada nas empresas pesquisadas (51%), seja de forma mais genérica ou por meio de métricas específicas, como consumo consciente de água e ações para o net zero (neutralidade de carbono). 

“Um dos fatores que poderia explicar é que, além de ambientalmente mais amigável, é algo que está intimamente ligado a custos”, diz Cruz. “Então, se a empresa consegue, além de ser ambientalmente mais amigável, impactar sua estrutura de custos, cria-se uma vantagem competitiva”.

Em segundo lugar na pesquisa está o pilar S (social), com as empresas citando a satisfação do cliente (49%), a diversidade (38%) e ações sociais (6%) como principais métricas. O pilar de governança não teve métricas identificadas no levantamento.