Mercado imobiliário

Empresas de construção atingem o maior valor de mercado em 5 anos

Valor de incorporadoras listadas na bolsa de valores chegou a 42,4 bilhões de reais em novembro, alta de 17,8% ante outubro

Economatica: Rentabilidade do setor ficou no positivo pela primeira vez desde 2016 (Paulo Fridman/Bloomberg)

Economatica: Rentabilidade do setor ficou no positivo pela primeira vez desde 2016 (Paulo Fridman/Bloomberg)

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Juliana Elias

Publicado em 2 de dezembro de 2019 às 06h00.

Última atualização em 2 de dezembro de 2019 às 07h00.

São Paulo - A saúde financeira das empresas de construção listadas na bolsa de valores brasileira está melhorando em diversas frentes, como o lucro e o nível de endividamento, e, em conjunto, essas companhias atingiram em novembro o seu maior valor de mercado desde pelo menos 2014. É o que mostra levantamento feito pela consultoria Economatica com base nos dados de 11 incorporadoras e construtoras de capital aberto no país, como Cyrela, Eztec, Helbor e MRV.

Em 21 de novembro, o valor de mercado consolidado somado dessas empresas era de 42,4 bilhões de reais. É um aumento de 17,8% em apenas um mês (em outubro esse total era de 36 bilhões de reais) e o maior valor desde pelo menos dezembro de 2014 (17 bilhões de reais), período verificado pela Economatica.

Os valores não estão atualizados pela inflação. O levantamento levou em consideração  as companhias do ramo de construção com balanços trimestrais disponíveis para todo o período de dezembro de 2014 a setembro de 2019.

No conjunto, a receita líquida operacional dessas empresas somou 4,2 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2019 e desde o último trimestre de 2018 se mantém acima dos 4 bilhões de reais - faixa que desde dezembro de 2015 não era mais sido ultrapassado.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado (3,25 bilhões de reais), a receita líquida do setor apresenta um aumento de 30%, embora, ante o trimestre imediatamente anterior (4,39 bilhões de reais), tenha caído 3,4%.

De volta ao lucro

O lucro das incorporadoras segue crescendo e o setor completou, em setembro, o quarto semestre no azul, depois de ter ficado no prejuízo por oito dos nove trimestres entre setembro de 2016 e setembro de 2018. No terceiro trimestre de 2019, as 11 incorporadoras da lista somaram, juntas, lucro líquido de 434 milhões de reais, alta de 30,8% ante o segundo trimestre (332,1 milhões de reais).

Foi o melhor resultado desde dezembro de 2015, quando o lucro líquido total registrado, em valores da época, foi de 631 milhões de reais.

A rentabilidade sobre o patrimônio, medida pelo ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), foi de 7,02% no terceiro trimestre deste ano e ficou positiva pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2016, quando havia sido ide 1,72%. O ROE é a medida que verifica quanto o lucro líquido gerado representa do total do patrimônio líquido das empresas, considerando os valores acumulados em quatro trimestres.

O melhor ROE registrado pelo conjunto das incorporadoras nos últimos cinco anos foi o do terceiro trimestre de 2014, quando a rentabilidade ficou em 12,07%. O pior resultado registrado foi o do terceiro trimestre de 2017, quando o prejuízo chegou a -8,24% do patrimônio líquido total.

Trisul, com ROE de 15,06%, e a MRV, com 14,19%, tiveram os melhores indicadores de rentabilidade do setor, considerado o acumulado de quatro trimestres até setembro deste ano. Os piores desempenhos do período, na outra ponta, ficaram com a Tecnisa e a a CR2, com ROE de -28,8% e -11,3%, respectivamente.

Endividamento em queda

A dívida líquida (que leva em consideração a dívida bruta total das empresas subtraída do volume de dinheiro disponível em caixa) caiu pelo nono trimestre consecutivo e atingiu 5,28 bilhões de reais, o menor valor desde 2014.

O caixa das empresas observadas, no total, somava 6,5 bilhões de reais ao fim de setembro de 2019, o maior valor desde o trimestre encerrado em março de 2017 (6,6 bilhões de reais).

Veja a seguir a evolução da receita e do lucro ou prejuízo líquidos de todas as empresas consideradas na mostra pela Economatica:

Receita líquida operacional trimestral, em R$ milhões

Empresadez-14dez-15dez-16dez-17jun-18set-18dez-18mar-19jun-19set-19
MRV1.127.6621.208.4231.066.5341.372.2251.317.1331.351.8121.520.8441.508.5891.558.5101.568.986
Cyrela Realt1.530.5381.030.554918.764808.800639.539724.8251.331.171826.236936.622934.759
Direcional551.144398.013254.553169.575270.902309.919393.071348.800374.504367.239
Even605.079661.178394.155403.772377.120395.071365.212483.821591.564357.974
Helbor527.129333.777199.021120.51398.04361.699393.345232.222335.969272.818
Trisul93.74388.00771.499124.773122.888153.362148.008180.975184.336218.405
Eztec285.470224.390151.43785.72368.87387.007144.475146.370161.833187.589
JHSF Part151.824136.54379.46984.002122.663136.160136.890125.041140.538184.543
Rni175.017133.10876.10372.95441.10757.28934.10978.90165.98579.308
Tecnisa339.729143.73577.79670.30257.775-26.34685.354112.42847.30574.614
Cr24.1938.3923.6245.4961.4687952.08928.00683378

Lucro líquido trimestral, em R$ milhões

Empresadez-14dez-15dez-16dez-17jun-18set-18dez-18mar-19jun-19set-19
MRV102.855139.928141.659180.053166.080174.057190.509188.653190.405160.115
Cyrela Realt150.02398.02130.93348.762-28.437-120.753116.11148.409113.835104.382
JHSF Part2.34087.224-206.53822.2457.227118.58067.4655.51417.61294.120
Eztec131.611104.09069.03825.28814.71533.85743.54117.30394.90961.239
Trisul3.3906.2851.97120.36217.39721.09820.55926.56027.21342.577
Direcional60.73530.824-64.811-61.884-3.778-83.82118.19720.41425.90025.951
Even67.522-10.484-26.064-234.869-30.378-12.360-92.29950.07922.04716.489
Rni15.3713.141-55.647-19.030-9.1192.521-7.747-9.8172.3403.821
Cr2-14.825-8.343-43.6771.290-1.449-2.997-5.727-6.063-1.055-1.327
Helbor57.14812.313-83.009-106.317-98.264-129.258-45.562-39.279-16.999-20.998
Tecnisa7.695168.419-251.536-175.209-85.826-73.367-64.187-2.098-144.140-52.054

 

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