Negócios

Controlador da Amil será o maior acionista da Dasa

Incorporação da MD1 pela Dasa poderá transformar Edson Bueno, controlador da Amil, em principal acionista da empresa

Laboratório da Dasa: reestruturação aproxima rede e o controlador da Amil (.)

Laboratório da Dasa: reestruturação aproxima rede e o controlador da Amil (.)

DR

Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 04h11.

São Paulo - Maior empresa laboratorial do Brasil, com faturamento de 1,4 bilhão de reais em 2009, a Dasa anunciou na manhã de hoje (30/8) um memorando de entendimentos para a incorporação da MD1, holding dona de 100% dos laboratórios Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.

Caso a operação seja aprovada em assembleia, a Dasa vai desembolsar 88,2 milhões de reais para efetuar a incorporação. O restante do pagamento será feito por meio de troca de ações entre os acionistas da MD1 e da Dasa.

A holding MD1 tem como um de seus principais acionistas o empresário Edson Bueno, controlador do grupo Amil. Segundo o relatório do banco Morgan Stanley, ao qual EXAME teve acesso, se o negócio for aprovado pelos acionistas e pelo Cade, Bueno poderá se tornar o principal acionista individual da Dasa, com direito a uma cadeira no conselho de administração.

O valor de mercado da MD1 ultrapassa 1 bilhão de reais. Fontes ligadas à empresa afirmam que as negociações acontecem há cerca de seis meses. A Dasa deve anunciar, ainda em 2010, outra aquisição de menor porte.

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Ações

O negócio inclui também uma reorganização societária da MD1, para que a Dasa possa adquirir porcentagens distintas de outras empresas da holding, além de 100% dos laboratórios Sergio Franco.

Entre as cotas que serão adquiridas estão 10% da Pro Echo Serviços Médicos, 28% da Clínica de Ressonância e Multi Imagem (CRMI) e 16,5% da Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI). Após a reorganização societária da MD1, a Dasa fará emissão de novas ações a serem entregues aos acionistas da MD1.

Concorrência

No Rio de Janeiro, a liderança da Amil no setor de seguros de saúde e do Sérgio Franco no setor laboratorial fazia com que os preços praticados pelos laboratórios fossem 20% inferiores aos de São Paulo. Com a Dasa no controle do Sérgio Franco e Bueno no conselho da Dasa, os valores poderão ser revistos, implicando em uma pressão de preços para os laboratórios de São Paulo.

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Segundo fontes ligadas à empresa, a aquisição está alinhada com a estratégia de consolidação da Dasa e auxiliará no plano de democratização de exames laboratoriais que a empresa prega desde que iniciou seu processo de aquisições, no início de 2000.

No Rio de Janeiro, os laboratórios Sérgio Franco atendem todas as faixas de renda. No entanto, dentro da segmentação de bandeiras da Dasa (feita com base na faixa de renda de seus clientes), a estrutura do Sérgio Franco poderá ter um aproveitamento maior entre o público das classes B e C, que utilizam em São Paulo as bandeiras Delboni Auriemo e Lavoisier.

A negociação surpreende o mercado, que esperava um movimento de Edson Bueno em direção à consolidação da área laboratorial do grupo, por meio da expansão dos laboratórios Sérgio Franco. A rede havia acabado de inaugurar sua primeira grande unidade na capital paulista, precisamente na Avenida Brasil, no Jardim América.

"Outra leitura que se pode ter é que a Amil está dando um novo passo em sua estratégia de verticalização", afirma o relatório do banco, assinado pelo analista Javier Martinez de Olcoz, ao se referir à consolidação laboratorial do grupo Amil por meio da própria Dasa.

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