Talibã ordena que mulheres no Afeganistão cubram corpo da cabeça aos pés

"O chadori (vestimenta que cobre o corpo todo) faz parte de nossa tradição e é respeitoso", disse Shir Mohammad, funcionário do Ministério de Virtude do Afeganistão.
O Talibã foi deposto em 2001 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e voltou ao poder após a saída controversa das forças militares norte-americanas do país em 2021 (Getty Images/SAJJAD HUSSAIN/AFP via Getty Images)
O Talibã foi deposto em 2001 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e voltou ao poder após a saída controversa das forças militares norte-americanas do país em 2021 (Getty Images/SAJJAD HUSSAIN/AFP via Getty Images)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 07/05/2022 19:51 | Última atualização em 07/05/2022 19:51Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Os governantes do Talibã no Afeganistão ordenaram que todas as mulheres no país passem a usar roupas que cubram o corpo da cabeça aos pés, deixando apenas os olhos à mostra. Caso o código seja descumprido, parentes do gênero masculino sofrerão consequências que podem ir desde intimação até audiências judiciais e prisão.

"O chadori (vestimenta que cobre o corpo todo) faz parte de nossa tradição e é respeitoso", disse Shir Mohammad, funcionário do Ministério de Virtude em comunicado. "Aquelas mulheres que não são muito velhas ou jovens devem cobrir o rosto, exceto os olhos", acrescentou.

A Missão de Assistência da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão disse estar profundamente preocupada com o que parece ser uma diretriz formal para a população e afirmou que buscará esclarecimentos.

"Esta decisão contradiz inúmeras garantias sobre respeito e proteção de todos os direitos humanos dos afegãos, incluindo os de mulheres e meninas, que foram fornecidas à comunidade internacional por representantes do Talibã durante discussões e negociações na última década", afirmou em comunicado.

O Talibã já havia decidido não reabrir as escolas para meninas acima da 6ª série, renegando uma promessa anterior e optando por apaziguar sua base linha-dura. O decreto, contudo, não tem amplo apoio entre uma liderança dividida. A decisão também interrompe os esforços do Talibã para obter o reconhecimento de potenciais doadores internacionais em meio a uma crise humanitária que se agrava no país.

O Talibã foi deposto em 2001 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e voltou ao poder após a saída controversa das forças militares norte-americanas do país em 2021. Desde que assumiu o poder em agosto passado, a liderança do Talibã tem brigado entre si enquanto tenta fazer a transição da guerra para o governo. (Com agências internacionais)