'Supremacia branca é veneno', diz Biden em visita a Buffalo após atentado

Biden discursou nesta terça-feira em Buffalo, após atirador abrir fogo contra um supermercado no sábado em região de maioria negra. Ataque deixou 10 vítimas
O presidente americano, Joe Biden, e sua esposa, Jill, em 17 de maio de 2022, em Buffalo (AFP/AFP)
O presidente americano, Joe Biden, e sua esposa, Jill, em 17 de maio de 2022, em Buffalo (AFP/AFP)
Por Da redação, com agênciasPublicado em 17/05/2022 17:34 | Última atualização em 17/05/2022 17:56Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O presidente americano, Joe Biden, e sua esposa, Jill, prestaram homenagem às vítimas do massacre ocorrido no sábado, 14, em Buffalo. Biden chamou o ataque, que deixou 10 vítimas em uma vizinhança majoritariamente negra na região, de "terrorismo doméstico" e de um "tumulto racista". 

Biden discursou nesta terça-feira, 17, na cidade que fica no noroeste do estado de Nova York e perto da fronteira com o Canadá. O presidente e a primeira-dama visitaram o supermercado Tops, local do ataque.

"A supremacia branca é um veneno... e tem sido autorizada a apodrecer e crescer bem diante de nossos olhos", disse Biden. "Não mais."

Na visita, os Biden se encontraram com os familiares das vítimas e depositaram flores em um memorial. As vítimas foram pessoas de 20 a 86 anos, incluindo três pessoas baleadas, mas que sobreviveram.

Após o atentado no sábado, autoridades já haviam classificado o caso como de cunho racial, afirmando que foi "um crime racista motivado pelo ódio".

LEIA TAMBÉM: Atirador abre fogo e mata 10 em supermercado dos Estados Unidos

A suspeita é de que o americano Payton Gendron, de 18 anos, poderia estar planejando o ataque há meses, e já estivesse na região desde março. O atirador teria orquestrado o ataque enquanto fazia postagens com conteúdo racista em fóruns na internet, mas as investigações sobre a autoria do material ainda estão em curso.

Antes do massacre, por exemplo, Gendron teria publicado um manifesto de 180 páginas, no qual se define como "fascista", "racista", "antissemita" e adepto da teoria conspiracionista da "grande substituição". 

Gendron é suspeito de ter atirado nos clientes do supermercado e que estavam na porta do estabelecimento na tarde de sábado, usando um fuzil. Ele se rendeu ainda no local, e está preso.

LEIA TAMBÉM: Candidato líder na Colômbia sofre ameaças de morte — entenda o caso

Na visita a Buffalo, Biden voltou a pedir que regras sejam reformuladas para evitar atentados. O presidente é defensor de longa data da proibição de fuzis, como fez a Nova Zelândia fez depois do ataque contra a Christchurch, em 2019 - que teria sido uma das inspirações do atirador em Buffalo.

O governo Biden também defende tornar obrigatória a verificação de antecedentes criminais e psiquiátricos dos compradores de armas de fogo. Estas iniciativas são barradas recorrentemente pela oposição republicana, defensora do direito constitucional ao porte de armas e com forte apoio do poderoso lobby do setor, a Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês).

Os EUA, onde cada estado tem regras específicas para porte e posse de armas, convivem com casos frequentes de atentados em massa. Um dia após o ataque em Buffalo, outro caso ocorreu na Califórnia, em que um atirador abriu fogo contra uma igreja com frequentadores de origem taiwanesa, matando ao menos uma pessoa.

Apesar do discurso de Biden, é improvável que o Congresso americano mude nacionalmente leis referentes às armas, em meio à oposição de parte dos congressistas. Os democratas, partido de Biden, têm estreita maioria no Congresso e podem perdê-la nas eleições de meio de mandato em novembro em meio à baixa popularidade do presidente.

(Com informações da AFP)