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'Rolexgate': presidente do Peru é denunciada pela Procuradoria Geral

Dina Boluarte é acusada de receber peças caras como suborno

Dina Boluarte é a sexta presidente peruana em oito anos (Bloomberg/Getty Images)

Dina Boluarte é a sexta presidente peruana em oito anos (Bloomberg/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 28 de maio de 2024 às 07h04.

A Procuradoria Geral do Peru apresentou na segunda-feira (27) uma queixa constitucional contra a presidente Dina Boluarte em um caso de corrupção envolvendo o uso de relógios de luxo, um escândalo nacional que pode levar a procedimentos de destituição, de acordo com informações da Reuters. A acusação formal surge em um momento em que a popularidade de Boluarte está em seu nível mais baixo, segundo pesquisas.

A promotoria afirma que Boluarte recebeu suborno. Caso o Congresso avance na discussão do caso, a acusação pode resultar na destituição da presidente. A política turbulenta do Peru já derrubou vários de seus antecessores nos últimos anos, com parlamentares frequentemente liderando procedimentos de destituição contra os presidentes da nação andina.

O primeiro-ministro Gustavo Adrianzen criticou a queixa, chamando-a de "imprópria, inconstitucional e ilegal" e acrescentou que a presidente não será distraída pelo "ruído político".

Investigação policial

Boluarte, ex-vice-presidente, já enfrentou interrogatórios e operações policiais relacionadas ao uso de vários relógios Rolex e outras joias que parecem incompatíveis com seu modesto salário público. Ela negou qualquer irregularidade no caso, argumentando que os bens de luxo foram emprestados por um governador local.

Esta é a segunda queixa constitucional enfrentada por Boluarte durante seus menos de dois anos de administração. Em novembro passado, a procuradoria apresentou uma queixa contra a presidente pela maneira como lidou com os protestos sociais mortais após a destituição de seu antecessor.

Em 2022, o então presidente Pedro Castillo tentou dissolver ilegalmente o Congresso antes de uma votação para removê-lo do cargo. Sua destituição e subsequente prisão mergulharam o país em semanas de protestos violentos que resultaram em pelo menos 40 mortes.

Sexto presidente em 8 anos

Nos últimos anos, o Peru tem enfrentado uma série de crises políticas que resultaram na destituição de vários presidentes. Desde 2016, o país teve cinco presidentes, e nenhum deles conseguiu completar o mandato. Pedro Pablo Kuczynski renunciou em 2018 em meio a acusações de corrupção. Seu sucessor, Martín Vizcarra, foi destituído em 2020 por "incapacidade moral permanente".

Manuel Merino assumiu temporariamente, mas renunciou após apenas cinco dias devido a intensos protestos. Francisco Sagasti ocupou o cargo até a eleição de Pedro Castillo em 2021, que também foi destituído em 2022. A instabilidade política tem dificultado a governabilidade e a implementação de políticas de longo prazo, afetando negativamente a economia e o bem-estar social do país.

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