Província síria de Idlib fica sob controle total dos extremistas

Ex-braço sírio da Al-Qaeda assinou um acordo com grupos rebeldes apoiados pela Turquia

Os extremistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), ex-braço sírio da Al-Qaeda, assinaram uma trégua com os grupos rebeldes apoiados pela Turquia e, com isso, assumirão o controle total da província de Idlib (noroeste) - informou o órgão de propaganda do grupo.

O acordo põe fim a vários dias de confrontos letais entre o HTS e os rebeldes, em particular da Frente Nacional de Libertação (FNL), uma coalizão apoiada pela Turquia.

Localizada no noroeste da Síria em guerra, a província de Idlib, bem como partes das províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latakia, permanecem fora do controle do regime de Bashar al-Assad e abrigam um grande número de grupos rebeldes e jihadistas.

Nos últimos dias, os jihadistas lançaram um ataque contra facções rebeldes - que deixou mais de 130 mortos - e assumiram o controle de cerca de 50 aldeias, especialmente na província ocidental de Aleppo, um setor que caiu completamente nas mãos do HTS.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede no Reino Unido e com uma ampla rede de fontes na Síria, o acordo desta quinta-feira faz com que a província de Idlib passe inteiramente sob o controle administrativo do HTS.

Outros grupos jihadistas como al Din e o Partido Islâmico do Turquestão (TIP) também estão presentes na região de Idlib, mas são aliados do STH, afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Em 17 de setembro de 2018, Moscou e Ancara concluíram um acordo sobre a criação de uma "zona desmilitarizada" na província de Idlib e seus arredores.

Esta iniciativa prevê a criação de uma zona de separação que divide os setores rebeldes das regiões governamentais adjacentes, evitando assim uma grande ofensiva do regime sírio e do seu aliado russo.

No entanto, este acordo só foi parcialmente respeitado porque os jihadistas se recusaram a se retirar da área de separação.

A guerra na Síria começou em 2011, depois que o regime de Bashar al-Assad reprimiu os protestos pró-democracia.

Ao longo dos anos, tornou-se mais complexo com a participação de grupos jihadistas e potências estrangeiras em um conflito que deixou mais de 360.000 mortos até o momento.

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