Ministro russo promete resposta 'simétrica' caso EUA decidam usar ativos para financiar a Ucrânia

Anton Siluanov respondeu a declarações da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, em evento à margem do G20

Siluanov respondeu horas depois, em um rápido comentário a repórteres reunidos no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera (PABLO PORCIUNCULA/AFP /Getty Images)

Siluanov respondeu horas depois, em um rápido comentário a repórteres reunidos no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera (PABLO PORCIUNCULA/AFP /Getty Images)

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Publicado em 27 de fevereiro de 2024 às 17h20.

O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, classificou como "profundamente falaciosa" e "destrutiva" a proposta americana para confiscar ativos russos bloqueados por sanções ocidentais e enviá-los para a Ucrânia.

A medida, em estudo por Washington, foi mencionada mais cedo pela secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, em um evento à margem do G20, em São Paulo. Siluanov respondeu horas depois, em um rápido comentário a repórteres reunidos no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

"Esta não é a primeira vez que ouvimos isso. Acreditamos que esta proposta é profundamente falaciosa e também destrutiva, porque mina os próprios fundamentos e pilares do sistema financeiro mundial e torna as reservas de ouro e moeda estrangeira dos países vulneráveis e suscetíveis a decisões políticas", afirmou Siluanov. "Como outras decisões que os países ocidentais tomaram, elas causam mais danos a si próprios do que a outros, tal como foi o caso das restrições às transações em dólares".

Financiamento da Ucrânia

Em um evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Yellen pediu apoio de líderes globais para que os recursos da Rússia alocados no exterior sejam desbloqueados e usados para financiar a Ucrânia.

"Acredito que o G7 deveria trabalhar em conjunto para explorar diversas abordagens que foram sugeridas para desbloquear ativos russos. Uma seria, claro, confiscar os próprios ativos, mas há outras ideias, como usá-los como garantia para contrair empréstimos dos mercados globais", afirmou.

De acordo com a secretária americana, essa seria "uma resposta decisiva à ameaça sem precedentes da Rússia à estabilidade global" e que ajudaria a forçar Putin a sentar na mesa de negociação para por fim ao conflito. No entanto, Yellen ponderou que a medida implicaria riscos à estabilidade financeira, e que Washington estuda medidas para mitigá-los.

Resposta russa

O risco também foi considerado pelo ministro russo, que ressaltou que "a proposta causaria graves danos aos próprios alicerces do sistema financeiro mundial". Apesar de afirmar que o momento é de desescalada de tensões, Siluanov disse que Moscou estaria preparada para retaliar, caso a medida fosse adiante.

"Quanto à nossa resposta, temos algo com que responder, porque temos [ativos] congelados do nosso lado. Dado que uma quantidade considerável de ativos estrangeiros e também de muitos investidores estrangeiros estão investidos nos nossos títulos, tanto no setor empresarial como no setor público, e ainda estamos a efetuando pagamentos aos detentores de tais títulos russos no estrangeiro", afirmou. "Estas decisões não nos levariam ao caminho certo porque, em vez de agravar a situação, precisamos de diminuir a escalada, reduzir as tensões. Se as contrapartes decidirem prosseguir por este caminho, responderemos simetricamente".

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