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Milei diz que recebe Argentina com 15.000% de inflação. É isso mesmo? Entenda

Discurso de Javier Milei é marcado pela crise econômica argentina e demais problemas sociais, como déficit em saúde e educação

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Javier Milei, presidente da Argentina: Hoje começa uma nova era na Argentina (Divulgação: Marcelo Endelli / Correspondente autônomo/Getty Images)

Javier Milei, presidente da Argentina: Hoje começa uma nova era na Argentina (Divulgação: Marcelo Endelli / Correspondente autônomo/Getty Images)

“Hoje começa uma nova era na Argentina”, afirma Javier Milei, que toma posse como presidente argentino neste domingo, 10, em Buenos Aires.

Com um discurso marcado por críticas ao governo anterior, Milei reforçou os problemas sociais que o país desenvolveu nos últimos anos na área de saúde, educação, segurança e principalmente na área econômica.

Além do déficit financeiro e fiscal equivalente a 17% do PIB, Milei comentou que recebe a Argentina com 15.000% de inflação. Para Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP e da FGV, Milei fez um uma projeção à era do Raúl Alfonsín, que na época de 83 a 89, pós-ditadura, deixou o país com uma hiperinflação, que chegou a 3000% ao ano.

“O que ele quis dizer é que se a Argentina continuasse nessa toada, chegaria nesse nível da era do Alfonsin, porque hoje o país registra mais de 140% de inflação ao ano. Projetar a inflação desta maneira, portanto, é muito mais um ato político do que técnico,” diz Vieira que reforça que Alfonsín herdou uma inflação do período anterior da ditadura.

O professor Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais e Economia da ESPM, também afirma que a cifra de 15.000% é uma espécie de termo que se relaciona à inflação acumulada.

“Não conhecemos a base de cálculo que ele estima, mas esses 15.000% foi uma força de expressão em relação à inflação acumulada. A inflação da Argentina pode ficar muito maior do que 140% a partir de amanhã com a regulamentação dos preços, mas com isso passaria de um padrão de 10% de inflação em crescimento para um padrão entre 15% e 20% de inflação por mês.”

Apesar do histórico de crise, a Argentina não tem caraterísticas clássicas para um processo de descontrole inflacionário, com características de hiperinflação, afirma Trevisan.

“A Argentina é um país estável e equilibrado em termos de cadeias internas de produção. A hiperinflação é um fenômeno muito distante. Todo o quadro hiperflacionário ele implica em descontrole entre oferta e demanda e descontrole cambial, não é o caso da Argentina.”

Referências a Hugo Chávez e a Nicolás Maduro, ambos eleitos presidentes na Venezuela, também foram feitas por Milei que traçou paralelos da crise atual da Argentina com a situação da Venezuela, que em 2018 chegou a 1.000% de inflação. Hugo e Maduro foram líderes da Venezuela.

“Não há dinheiro na Argentina e por isso será preciso um tratamento de choque. Naturalmente, a curto prazo, vai afetar o nível de emprego e de pobres, nas nada diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos. É um primeiro gole amargo para começarmos a reconstrução da Argentina,” disse Milei.

Com este cenário, a principal proposta do novo governo será o ajuste fiscal, que prevê cortar 5% do PIB no setor público. “Vai ser forte, e brutal, e vai afetar sem dúvidas políticas sociais,” afirma Vieira.

O baixo crescimento econômico argentino já impacta tais políticas sociais que poderiam alavancar a situação de áreas como a saúde e da educação. Em sua posse, Milei chegou a comentar que os jovens argentinos vivem dificuldades básicas no ensino, como interpretação textual, e reforçou que essa realidade não reflete o histórico da Argentina, que foi o primeiro país a acabar com o analfabetismo no mundo. Em relação à saúde, Milei afirma que o sistema está colapsado em uma situação crítica e de emergência.

O corporativismo, grupos formados por interesses em comuns e representados por sindicatos, também foi criticado por Milei, que falou que esse modelo estimula a pobreza na Argentina.

“Milei associa esse modelo à pobreza, que é a criação de castas e sindicatos. Ele vê no liberalismo econômico a solução para superar a pobreza da Argentina,” afirma Vieira que reforça que a Argentina já foi muito rica.

“A Argentina já foi muito rica, mas com um povo muito pobre. Ela se beneficiava de trigo e carne no começo do século XX, mas o peronismo floresceu com o corporativismo como resposta aos problemas da época.”

Os últimos dados sobre a inflação argentina foram divulgados no dia 13 de novembro, quando o país estava em um patamar de 142,7% de inflação anual, ou seja, no compilado dos últimos 12 meses. Em setembro, a elevação mensal foi de 12,7%, e o acumulado anual estava em 138,3%.

O país figura entre os três países com maior inflação no mundo. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Venezuela lidera o ranking, seguido de Zimbábue e, em terceiro, a Argentina. Atualmente, no mesmo ranking, o Brasil ocupa o 123º lugar — em uma lista com 192 países.

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