Mundo

Israel retira suas tropas do sul de Gaza após seis meses de guerra com o Hamas

Apesar da decisão, as forças de segurança israelenses declararam que "força significativa" continuará operando no território palestino

Uma menina brinca com um patinete entre as ruínas de Rafah, na Faixa de Gaza (Belal ALSABBAGH con Chloé ROUVEYROLLES-BAZIRE/AFP Photo)

Uma menina brinca com um patinete entre as ruínas de Rafah, na Faixa de Gaza (Belal ALSABBAGH con Chloé ROUVEYROLLES-BAZIRE/AFP Photo)

AFP
AFP

Agência de notícias

Publicado em 7 de abril de 2024 às 11h26.

Última atualização em 7 de abril de 2024 às 11h28.

O Exército israelense retirou suas tropas do sul de Gaza neste domingo, 7, seis meses depois de uma guerra devastadora entre Israel e o movimento islamista Hamas e quando as negociações para uma trégua devem ser retomadas.

As forças de segurança de Israel indicaram, no entanto, que uma "força significativa" continuará operando no território palestino sitiado para "realizar operações precisas baseadas em inteligência".

Pouco depois, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, garantiu que Israel está "a um passo da vitória" em Gaza e insistiu que não haverá um cessar-fogo até que o Hamas liberte todos os reféns.

"Isso simplesmente não acontecerá", declarou perante o conselho de ministros, no momento em que negociações para uma trégua devem ser retomadas no Cairo.

Seis meses de guerra deixaram o estreito território palestino em ruínas e a maioria dos seus 2,4 milhões de habitantes está à beira da fome, segundo a ONU.

O Exército de Israel afirmou ter retirado suas forças do sul de Gaza após meses de confrontos que destruíram diversas cidades, sobretudo Khan Yunis, a principal da região e cidade natal do líder do Hamas, Yahya Sinwar.

"Hoje, domingo, 7 de abril, a 98ª Divisão de Comando das FDI [Forças de Defesa de Israel] concluiu sua missão em Khan Yunis", afirmou o Exército.

Na madrugada de domingo, no entanto, as forças de segurança israelenses bombardearam o leste do Líbano, local com forte presença do Hezbollah, informou uma fonte próxima deste movimento pró-Irã, embora a Defesa Civil não tenha reportado vítimas.

"Os ataques israelenses tiveram como alvo duas áreas do Vale do Bekaa, Khanta e Sifri", disse à AFP uma fonte próxima ao grupo islamista libanês na região oriental de Baalbek.

Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, as trocas de ataques têm sido diárias entre o Exército israelense e o Hezbollah, que afirma apoiar o Hamas em sua guerra em Gaza.

Retorno de deslocados

O conflito também deixou milhares de pessoas deslocadas internamente, segundo a ONU, tendo a maioria se refugiado em Rafah, na fronteira fechada com o Egito, onde a ONU estima que estão cerca de 1,5 milhão de palestinos.

Após o anúncio do Exército israelense, dezenas de refugiados palestinos em Rafah iniciaram sua viagem de retorno a Khan Yunis a pé, de carro ou em carroças, segundo imagens da AFP.

Neste domingo, caminhões carregados com ajuda humanitária entraram em Rafah procedentes do Egito. Suprimentos médicos também chegaram ao complexo médico Kamal Adwan em Beit Lahia, no norte do território.

A guerra começou em 7 de outubro, quando o Hamas invadiu o sul de Israel e matou 1.170 pessoas, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.

Os combatentes palestinos também sequestraram 250 pessoas, das quais 129 permanecem detidas em Gaza, incluindo 34 que teriam morrido, segundo as autoridades israelenses.

A ofensiva aérea e terrestre lançada por Israel em resposta deixou pelo menos 33.175 mortos em Gaza, segundo o último balanço do Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas desde 2007.

Israel também impôs um cerco "completo" ao território, impedindo a entrada de água, combustível e alimentos.

No final de novembro, uma primeira trégua permitiu a entrada de ajuda em Gaza e a troca de uma centena de reféns por prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses. Mas a ajuda, que chega aos poucos e requer a aprovação de Israel, não é suficiente.

Nova rodada de negociações

Na quinta-feira, o presidente americano, Joe Biden, exigiu que Netanyahu chegasse a um acordo para um cessar-fogo e insistiu na necessidade de aumentar o fluxo de ajuda para Gaza.

Biden, cujo governo é o principal fornecedor de armas de Israel, também sugeriu, pela primeira vez, condicionar a ajuda dos EUA a Israel a uma redução nas mortes de civis e a uma maior entrada de ajuda humanitária no território palestino.

Os diálogos entre as duas autoridades ocorreram após Israel ter anunciado a demissão de dois oficiais responsáveis pela morte de sete trabalhadores humanitários, na sua maioria estrangeiros, no ataque contra um comboio da ONG World Central Kitchen (WCK) na Faixa de Gaza.

As negociações para uma trégua devem ser retomadas neste domingo no Cairo, onde o diretor da CIA, Bill Burns, e o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman bin Al Thani, se encontrarão com mediadores egípcios para conversas indiretas entre as delegações de Israel e do Hamas, de acordo com a mídia egípcia Al Qahera News.

O grupo islamista palestino confirmou anteriormente que suas principais exigências são um cessar-fogo completo em Gaza, a retirada das forças israelenses e o retorno dos palestinos deslocados.

Netanyahu está sob crescente pressão interna para libertar os reféns. Na noite de sábado, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram para exigir sua renúncia, e no domingo, familiares dos reféns reuniram-se em Tel Aviv para exigir a sua libertação.

Acompanhe tudo sobre:GuerrasIsraelConflito árabe-israelenseHamasFaixa de Gaza

Mais de Mundo

Com alto custo de guerra, Rússia planeja aumentar impostos sobre empresas e mais ricos

Putin manda recado ao Ocidente: 'Não deixem a Ucrânia usar seus mísseis'

EUA não vai mudar política com Israel após ataque de Rafah, diz Casa Branca

Jurados começam a decidir condenação de Trump nesta quarta

Mais na Exame