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Gastos médicos deixam na pobreza 100 milhões de pessoas por ano

Faturas médicas foram responsáveis por 62% das falências totais de famílias nos EUA em 2007

Margaret Chan, da OMS: "o mundo está muito longe da cobertura médica universal" (Rick Gershon/Getty Images)

Margaret Chan, da OMS: "o mundo está muito longe da cobertura médica universal" (Rick Gershon/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 22 de novembro de 2010 às 10h13.

Genebra - O financiamento do setor da saúde pelos governos continua sendo insuficiente no mundo, onde, a cada ano, 100 milhões de pessoas ficam na pobreza por causa dos gastos médicos, indicou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em seu relatório anual divulgado nesta segunda-feira.

"Nos países onde o financiamento da saúde é assegurado em grande parte pela fatura da atenção médica aos próprios pacientes, os gastos com saúde levam todos os anos 100 milhões de pessoas à pobreza", assinala o Relatório 2010 sobre a saúde no mundo.

Os países mais pobres são os mais prejudicados por esta situação, mas não apenas eles.

O documento foi apresentado em Berlim, onde, nesta segunda, teve início uma conferência ministerial sobre o financiamento da saúde.

Segundo a pesquisa de Harvard citada pelo informe, as doenças ou as faturas médicas contribuíram para 62% das falências totais de famílias nos Estados Unidos em 2007, contra 50% em 2001.

"Ninguém deveria ser empurrado para a ruína para obter atenção para sua saúde", informou a diretora da OMS, Margaret Chan, citada no comunicado.

"É simplesmente inaceitável", enfatizou, durante coletiva de imprensa, David Evans, diretor do departamento de Financiamento dos Sistemas de Saúde da organização.


A OMS considera que uma das melhores formas de evitar essas bancarrotas familiares é o aumento dos níveis do pré-pagamento, através dos quais o paciente fica isento de financiar diretamente a atenção médica.

Esse sistema repousa num fundo comum alimentado por taxas e seguros, e é "a base mais eficaz e mais equitativa para aumentar a proporção da população coberta", afirma Chan.

"Mas o mundo está muito longe da cobertura médica universal" com a qual se comprometeram os 192 Estados membros da OMS em 2005, lamenta a organização.

A OMS reconhece que a pressão financeira ligada à crise e ao envelhecimento geral da população fazem com que cada vez mais as doenças crônicas e os tratamentos caros exijam um aumento dos fundos necessários.

No entanto, muitas melhorias em relação uma cobertura universal são possíveis graças a medidas simples, começando por uma melhor utilização dos recursos, argumenta a diretora da OMS.

"Entre 20 e 40% do total dos gastos de saúde são mal utilizados por causa da ineficácia, e por isso uma melhor gestão dos gastos dos hospitais poderia se traduzir num aumento da produtividade de 15%", segundo o informe.

Além disso, poderiam ser destinados à saúde mais fundos graças a um sistema mais eficaz de taxas fiscais, acrescenta o estudo, que cita uma pesquisa segundo a qual 22 países de poucos recursos poderiam obter 1,42 bilhão de dólares suplementares aumentando 50% do imposto sobre o tabaco.

Alguns países já deram o exemplo, como o Gabão ou a Tailândia, que pôde criar uma cobertura médica universal paga pelos impostos.

Mas a OMS admite que os países com poucos recursos não poderão solucionar sozinhos o problema e necessitarão de ajuda ao desenvolvimento prometida pelos países desenvolvidos.

Se todos os doadores cumprirem com o compromisso de repassar 0,7% de seu PIB à ajuda pública ao desenvolvimento, três milhões de vidas poderão ser salvas até 2015, conclui o relatório.

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