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EUA usaram "afogamento simulado" para investigar sobre Bin Laden

A polêmica técnica ajudou a traçar o plano que acabou com a vida de Osama bin Laden, admitiu o diretor da agência de Inteligência americana, Leon Panetta

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Da Redação

Publicado em 3 de maio de 2011 às, 23h24.

Washington - As informações obtidas pelos detidos nas prisões secretas da CIA mediante a polêmica técnica de "afogamento simulado" (waterboarding, em inglês) ajudou a traçar o plano que acabou com a vida de Osama bin Laden, admitiu nesta terça-feira o diretor da agência de Inteligência americana, Leon Panetta.

Em entrevista à rede de televisão "NBC" que será transmitida nesta terça-feira, mas que já teve trechos antecipados, o diretor ressaltou que as pistas que levaram os serviços de Inteligência a encontrarem o esconderijo do líder da Al Qaeda vieram de "muitas fontes", e não só dessa técnica de interrogatório.

"Neste caso, as técnicas de interrogatório coercitivas foram usadas contra alguns desses prisioneiros. Quanto ao debate sobre se poderíamos ter obtido as mesmas informações por outros meios, acho que esta sempre será uma questão em aberto", indicou.

Perguntado se nessas "técnicas de interrogatório coercitivas" se incluía o afogamento simulado, Panetta respondeu: "correto".

Os críticos do "afogamento simulado" a classificam como tortura. O "afogamento simulado" consiste em amarrar um pedaço de pano ou plástico na boca do prisioneiro e, em seguida, derramar água sobre seu rosto. O detido começa a inalar água rapidamente, causando a sensação de afogamento.

O diretor da CIA, que em breve irá substituir Robert Gates na chefia do Departamento de Defesa, esclareceu que as ordens do presidente Barack Obama na operação exigiam a morte de Bin Laden, e não apenas capturá-lo.

"Isso estava claro. Mas também estava, como parte das regras da operação, que se ele de repente levantasse as mãos e se rendesse, então teríamos a oportunidade, obviamente, de capturá-lo. Mas essa oportunidade nunca foi apresentada", explicou.

Panetta ressaltou, além disso, que o Governo paquistanês "nunca soube nada sobre esta missão", pois os Estados Unidos a classificaram como "missão unilateral".

"O presidente Obama tinha deixado muito claro aos paquistaneses que, se tivéssemos provas sólidas de onde estava localizado Bin Laden, entraríamos (em território paquistanês) por ele. E é justamente isso o que ocorreu", explicou o titular da CIA.

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