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Coreia do Norte promete resposta militar 'firme' a exercícios militares dos EUA

O alerta vem no momento em que Pyongyang realiza uma série de testes de mísseis nas últimas semanas

Os recentes testes de mísseis balísticos do norte seriam uma "resposta clara" a Washington e Seul (AFP/AFP)

Os recentes testes de mísseis balísticos do norte seriam uma "resposta clara" a Washington e Seul (AFP/AFP)

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Estadão Conteúdo

7 de novembro de 2022, 09h17

A Coreia do Norte anunciou, nesta segunda-feira, 7, que responderá aos exercícios conjuntos dos Estados Unidos e Coreia do Sul com ação militar 'firme', segundo a agência oficial norte-coreana. O alerta vem no momento em que Pyongyang realiza uma série de testes de mísseis nas últimas semanas, incluindo o lançamento de quatro mísseis balísticos no sábado, dias depois que as forças americanas e sul-coreanas fizeram os maiores exercícios militares aéreos realizados até hoje.

"Continuaremos a responder a todos os movimentos do inimigo com medidas militares práticas sustentadas, firmes e esmagadoras", disse o comunicado das Forças Armadas da Coreia do Norte, segundo a agência de notícias KCNA. Os recentes testes de mísseis balísticos do norte seriam uma "resposta clara" a Washington e Seul sobre os exercícios militares chamados de 'Tempestade Vigilante', avisaram os militares norte-coreanos.

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As Forças Armadas do Norte ainda acrescentaram que as manobras conjuntas entre os EUA e o Sul seriam "destinadas a aumentar intencionalmente a tensão na região e são um movimento perigoso de natureza altamente agressiva dirigido contra a Coreia do Norte". "Quanto mais persistentes forem os movimentos provocativos do inimigo, mais completa e impiedosamente os militares norte-coreanos irão combatê-los", acrescentou o comunicado.

Centenas de aviões de guerra dos EUA e da Coreia do Sul, incluindo bombardeiros B-1B, participaram dos exercícios na semana passada. As Forças Armadas da Coreia do Sul disseram que as manobras demonstraram "a capacidade e a prontidão para responder com firmeza a qualquer provocação norte-coreana". Ao mesmo tempo, eles rejeitaram as críticas norte-coreanas dizendo que seus exercícios não representavam uma ameaça para nenhum país.

Os exercícios atraíram fortes reações de Pyongyang, que os vê como ensaios para uma invasão. O Exército Norte-coreano especificou que as operações incluíam o lançamento de mísseis balísticos táticos que simulavam ataques contra bases aéreas e ensaiavam o abate de aviões inimigos. A Força Aérea Norte-coreana também realizou "uma operação de combate em larga escala" com 500 aviões, segundo a KCNA.

Somente na semana passada, ao menos 30 mísseis foram lançados pela Coreia do Norte. Pyongyang afirma ter disparado, em 2 de novembro, quatro mísseis balísticos táticos em uma ilha desabitada no Mar Amarelo, e depois 23 mísseis terra-ar para testar a destruição de "alvos aéreos em diferentes altitudes e distâncias".

Um dos mísseis lançados na quarta-feira caiu perto das águas territoriais sul-coreanas, algo que nunca havia acontecido antes e que levou Seul a responder lançando bombas de precisão na direção da costa do país vizinho. O regime alega que, em resposta, lançou mais dois mísseis de cruzeiro estratégicos de sua costa nordeste, que caíram em águas a cerca de 80 quilômetros da cidade sul-coreana de Ulsan (costa sudeste).

Já em 3 de outubro, o exército do norte realizou um "grande teste de lançamento de um míssil balístico" para "verificar a confiabilidade do movimento de uma ogiva funcional especial quando se trata de paralisar o sistema de comando das operações inimigas". Nesse caso, o regime se refere ao lançamento de um míssil balístico intercontinental (ICBM) que ativou alertas antiaéreos no Japão e que tanto Seul quanto Tóquio acreditam que falhou em pleno voo.

Nesse sentido, a agência KCNA divulgou imagens de operações militares norte-coreanas com mísseis disparados de vários locais não identificados. Em uma das fotos, é possível ver o lançamento em que parece ser um míssil Hwasong-15 modificado, o potencialmente mais longo alcance do ICBM que Pyongyang testou com sucesso até hoje.

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, chamou a ação de "uma invasão territorial de fato". Segundo analistas, as manobras aéreas foram especialmente preocupantes para Pyongyang, já que sua força aérea é um dos pontos mais fracos de seu exército, que carece tanto de aeronaves tecnologicamente avançadas quanto de pilotos experientes.

Detalhes das operações da Coreia do Norte na semana passada revelam a importância que eles atribuem à destruição de bases aéreas no Sul, disse Cheong Seoung-chang, pesquisador do Instituto Sejong em Seul.

"A Coreia do Norte considera importante atacar e neutralizar as bases aéreas primeiro, porque sua própria força aérea é fraca", disse Cheong. Comparada com a frota norte-coreana envelhecida, a 'Tempestade Vigilante' colocou em ação alguns dos mais modernos caças norte-americanos e sul-coreanos, incluindo caças furtivos F-35.

Em setembro deste ano, a Coreia do Norte revisou sua doutrina nuclear para se permitir realizar ataques preventivos em caso de ameaça contra o regime de Kim Jong-un. "Se o sistema de comando e controle nuclear da Coreia do Norte estiver em perigo de ataque por forças hostis, um ataque nuclear será lançado automática e imediatamente", afirma a nova doutrina.

Seul e Washington esperam que a Coreia do Norte realize um teste nuclear em breve, que seria o sétimo em sua história e o primeiro desde 2017.

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