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A União Europeia (UE) anunciou o desbloqueio de € 50 milhões (R$ 268 milhões) em fundos para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), um dia depois da morte de dezenas de palestinos na Faixa de Gaza, durante uma caótica e mortal entrega de ajuda humanitária.

O dinheiro havia sido congelado — não só pela UE — após denúncias de que funcionários da agência participaram dos ataques do grupo terrorista Hamas contra Israel, no dia 7 de outubro de 2023.

Em comunicado, a Comissão Europeia, braço Executivo da UE, afirmou que o pagamento dos € 50 milhões será feito já na próxima semana — para o ano de 2024, estão previstos € 82 milhões (R$ 439,6 mi) à agência. A Comissão anunciou, também nesta sexta, um aporte adicional de € 68 milhões (R$ 364,57 mi), destinados à Cruz Vermelha e ao Crescente Vermelho elevando o total de doações até o fim do ano para € 150 milhões (R$ 804 mi) para ações destinadas a palestinos em Gaza e na Cisjordânia.

"Estamos com o povo palestino em Gaza e ao redor da região. Palestinos inocentes não devem precisar pagar o preço pelos crimes do grupo terrorista Hamas. Eles enfrentam condições terríveis, que põem suas vidas em risco por causa da falta de acesso a alimentos e necessidades básicas", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Suspensão dos repasses da UNRWA

No dia 29 de janeiro, a UE, ao lado de governos como o dos EUA, anunciaram a suspensão dos repasses à UNRWA, após denúncias feitas por Israel de que ao menos 12 funcionários da agência teriam participado direta ou indiretamente dos ataques do Hamas, que deixaram mais de 1,1 mil mortos em Israel. Segundo os israelenses, outras 190 pessoas que trabalham para a UNRWA, incluindo professores, seriam ligadas ao Hamas e outros grupos extremistas.

Até o momento, não foram entregues por Israel às Nações Unidas evidências que apoiem essas acusações, e membros da inteligência dos EUA disseram ao Wall Street Journal que há “pouca confiança" sobre a participação de integrantes da UNRWA nos ataques. Apesar da ONU lançar uma investigação e demitir os suspeitos, 16 países e a Comissão Europeia agiram de forma antecipada, suspendendo os pagamentos.

“Se o financiamento permanecer suspenso, provavelmente seremos forçados a fechar nossas operações no final de fevereiro, não apenas em Gaza, mas em toda a região”, afirmou, no dia 1º de fevereiro, o chefe da agência, Philippe Lazzarini, no X, o antigo Twitter.

No comunicado, a Comissão Europeia elogia as investigações lançadas pela ONU e as ações para “garantir que a agência está fazendo tudo em seu poder para aplicar a neutralidade e responder às alegações de violações sérias”, e afirma que aguarda os resultados da auditoria interna. Diante do compromisso, a Comissão confirmou o desbloqueio inicial dos € 50 milhões, apontando que os próximos dois pagamentos de € 16 milhões (R$ 86,8 mi) cada serão feitos de acordo com “a implementação deste acordo”.

“A decisão da Comissão Europeia de liberar imediatamente € 50 milhões vem em um momento crítico”, escreveu Lazzarini no X. “A UE é parceira de longa data da UNRWA no fornecimento de ajuda aos refugiados palestinos na região. O desembolso integral da contribuição da UE é fundamental para a capacidade da agência de manter suas operações em uma área muito volátil.”

Crise humanitária

O anúncio da UE vem após um dos mais dramáticos episódios de uma guerra que deixou 30 mil mortos na Faixa de Gaza: na madrugada de quinta-feira, cerca de 110 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas, segundo autoridades palestinas, durante uma caótica entrega de ajuda humanitária nos arredores da Cidade de Gaza.

O Hamas e a Autoridade Nacional Palestina acusam as forças israelenses, que faziam a escolta dos caminhões, de atirarem na multidão que tentou pegar o que pudesse dos veículos, especialmente farinha. Israel afirma que as pessoas morreram pisoteadas e atingidas pelos caminhões, que tentavam sair do local, e nega ter efetuado disparos contra as pessoas, incluindo com tanques.

Seja qual for a versão, as mortes serviram como mais um lembrete da gravidade da situação humanitária no território palestino, que enfrenta sérios problemas de fornecimento de água, alimentos e remédios desde outubro do ano passado.

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