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Alta do custo de vida leva centenas de milhares às ruas da França em onda de protestos

Mobilização reúne coletes amarelos, jovens, agricultores e outros grupos sociais em meio à crise econômica e à disputa política pela sucessão de Emmanuel Macron; confrontos com a polícia e depredações marcam parte dos atos

 (Christophe Archambault/AFP)

(Christophe Archambault/AFP)

Clarissa Palácio
Clarissa Palácio

Colaboradora

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 16h40.

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A insatisfação com o aumento do custo de vida, especialmente dos combustíveis, levou centenas de milhares de pessoas às ruas da França em uma onda nacional de protestos convocada pelas redes sociais sob o lema “Amarelos e Jovens”. A mobilização reuniu integrantes do movimento dos coletes amarelos, jovens da geração Z, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. O encarecimento dos combustíveis, associado à guerra no Oriente Médio, está entre os principais fatores de descontentamento.

Segundo os números divulgados, entre 550 mil pessoas, de acordo com as autoridades, e 800 mil, segundo os organizadores, participaram das manifestações. Os atos ocorreram a seis meses da eleição presidencial que definirá o sucessor de Emmanuel Macron, acrescentando um componente político à insatisfação social.

Embora grande parte das manifestações tenha transcorrido pacificamente, houve confrontos com as forças de segurança, saques a estabelecimentos comerciais, incêndios e marchas sem autorização. No balanço inicial, as autoridades contabilizaram cerca de 400 detenções.

Em Marselha e Lille, manifestantes invadiram as prefeituras. Na primeira cidade, um busto de Marianne, figura que simboliza a República Francesa, foi derrubado. Em Limoges, um incêndio atingiu a sede da prefeitura. Diante dos episódios de violência, Macron prometeu punir os responsáveis por ataques e saques.

A atuação policial também provocou controvérsia. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar manifestantes e receberam autorização para empregar granadas de efeito moral em situações de distúrbio. Em Saint-Étienne, um manifestante perdeu uma mão após a explosão de uma granada lançada pela polícia.

Disputa política em meio à insatisfação social

A mobilização também se tornou motivo de confronto entre lideranças políticas. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu acusou o partido de esquerda radical França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, de estar por trás dos protestos. A legenda, porém, deve ser distinguida dos diferentes grupos sociais que compõem a mobilização.

Marine Le Pen, principal liderança da extrema direita francesa, também criticou a atuação da extrema esquerda. A disputa ocorre em um cenário de preparação para a eleição presidencial, na qual Le Pen e Mélenchon são apontados como possíveis adversários em um eventual segundo turno. O descontentamento econômico e a resposta do governo à crise social devem permanecer no centro do debate político.

Retorno dos coletes amarelos

Os protestos remetem à mobilização dos coletes amarelos, que ganhou força em 2018 e 2019 contra o aumento previsto de impostos sobre combustíveis. Na ocasião, a revolta com os custos de transporte se ampliou e passou a expressar insatisfação com as condições de vida e as políticas do governo.

A nova onda de manifestações é vista por antigos integrantes do movimento como uma retomada da luta social, desta vez com maior participação dos jovens. A possibilidade de rearticulação dos coletes amarelos encontra respaldo no sentimento de insatisfação registrado pela pesquisa do instituto Elabe, realizada em meados de setembro, segundo a qual dois terços dos franceses apoiavam o retorno do movimento.

Pressão sobre as contas públicas

A crise social ocorre em um momento delicado para as finanças do país. Apesar de anúncios recentes do governo para responder ao descontentamento popular, o Executivo enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento de 2027. A proposta prevê um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros, com o objetivo de equilibrar as contas públicas.

O desafio do governo é conciliar a necessidade de controle das despesas com as demandas de uma população pressionada pelo aumento do custo de vida. Em meio à mobilização nas ruas e à aproximação da eleição presidencial, a capacidade de resposta das autoridades à crise econômica e social tornou-se uma questão central para o futuro político da França.

Com informações da AFP News

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