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Aborto se torna tema central em renovação do Congresso americano

Como o voto não é obrigatório nos EUA, muitos eleitores precisam de motivação para votar; para democratas, tema é capaz de mobilizar sua base

Protesto nos EUA: aborto se torna tema central em renovação do Congresso americano (Alex Wong/Getty Images)

Protesto nos EUA: aborto se torna tema central em renovação do Congresso americano (Alex Wong/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

8 de novembro de 2022, 09h07

Os americanos vão às urnas nesta terça, 8, para renovar todos os 435 deputados - com mandato de dois anos - e 35 dos 100 senadores, além de 39 governadores e centenas de cargos locais.

As eleições de meio de mandato são sempre um desafio para o presidente americano, eleito dois anos antes. E, desta vez, o roteiro será o mesmo. Os democratas devem perder a maioria na Câmara e no Senado, segundo pesquisas. Para tentar evitar um desastre maior, eles apostam em uma arma nada secreta: o aborto.

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O maior problema dos democratas é a baixa popularidade do presidente. Até 26 junho, quando a Suprema Corte dos EUA devolveu aos Estados o direito de legislar sobre o aborto, a popularidade de Joe Biden estava em queda. A decisão da maioria de juízes conservadores, porém, deu aos democratas uma ponta de esperança.

Como o voto não é obrigatório nos EUA, muitos eleitores precisam de motivação para votar. Assim, os democratas viram no aborto um tema capaz de mobilizar sua base e o assunto entrou na campanha de muitos candidatos.

O que mostram as pesquisas?

Pesquisas indicam que 53% dos americanos reprovam o governo de Biden. Por isso, embora o aborto não seja a questão mais importante na mente dos eleitores, ela poderia ser a tábua de salvação do partido na briga por manter a maioria no Congresso.

Segundo pesquisa Gallup, de maio, 27% dos americanos só votariam em um candidato que compartilhasse suas opiniões sobre o aborto. Mas uma sondagem do Pew Research Center, depois da decisão da Suprema Corte, indicou que 57% eram contrários à decisão de deixar o tema por conta dos Estados.

"Nos EUA, onde há uma ênfase histórica na liberdade e nos limites da intromissão do governo na liberdade de religião e de expressão, é difícil defender que o Estado deve se meter em uma decisão pessoal e individual", disse a professora de política e gestão de saúde da Universidade de Michigan, Paula Lantz.

De olho nesses eleitores, os democratas investiram pesado em propaganda sobre o aborto. Eles gastaram US$ 31,9 milhões, quase oito vezes mais do que os republicanos, segundo dados da AdImpact, empresa de rastreamento de mídia.

Michigan

Em alguns Estados, como Michigan, leis do início do século 20 voltaram a vigorar desde a decisão da Suprema Corte. Apesar de a disputa pelo governo estadual estar entre duas mulheres, a democrata Gretchen Whitmer e a republicana Tudor Dixon, os eleitores também votarão em um plebiscito para decidir se a lei de 1931, que proíbe totalmente o aborto, deve ser inserida na Constituição do Estado.

O aborto só era legal no Estado porque a lei de 1931 havia perdido a validade em razão do caso Roe v Wade, decisão da Suprema Corte que tornou o aborto legal em todo o território americano, em 1973. Após a reversão, e sem uma emenda à Constituição estadual, a lei pode voltar a valer e proibir o aborto em quase todos os casos, incluindo estupro.

Jovens

O aborto pode ampliar a participação, principalmente de jovens. "Esta questão levará muitas pessoas às urnas. As previsões em Michigan indicam que haverá uma participação muito alta, tanto de republicanos quanto de democratas", disse Lantz.