Repórter
Publicado em 4 de março de 2026 às 18h43.
Os atritos entre a Espanha e Estados Unidos se intensificaram nesta quarta-feira, 4, após novas divergências sobre a guerra no Oriente Médio. A Casa Branca declarou nesta tarde que a Espanha teria aceitado “cooperar” com o Exército americano no conflito contra o Irã. No entanto, a afirmação foi contestada pouco depois por Madri, que negou qualquer alteração em sua posição sobre a guerra.
O governo dos Estados Unidos busca autorização para utilizar as bases militares de Rota e Morón, localizadas no sul da Espanha. As instalações fazem parte de um acordo bilateral firmado há décadas entre os dois países.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, líder do governo socialista espanhol, rejeitou a possibilidade de uso dessas bases no conflito contra o Irã. O mandatário classificou a guerra como “injustificada, perigosa e fora da legalidade internacional”. O posicionamento mantém a recusa de Madri em autorizar operações militares a partir dessas instalações.
Guerra entre Israel, EUA e Irã entra no 5º dia com ataques a Teerã e avanço no LíbanoEm coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que autoridades espanholas teriam concordado em cooperar com as forças americanas.
“Tenho entendido que, nas últimas horas, (as autoridades espanholas) concordaram em cooperar com o Exército dos Estados Unidos”, declarou Karoline.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, contestou a declaração em seguida. Em entrevista à rádio Cadena Ser, ele afirmou que não houve alteração na política do governo espanhol. “Nossa posição continua absolutamente inalterada e desminto categoricamente qualquer mudança”, disse Albares.
Na terça-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende cortar todo o comércio com a Espanha diante da recusa do país em autorizar o uso das bases e em ampliar os gastos militares dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Durante encontro com o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Washington, Trump declarou em coletiva de imprensa que “A Espanha se comportou de maneira terrível”.
No entanto, não foi tomada nenhuma decisão definitiva sobre a suspensão das relações comerciais entre os dois países. Ainda não está claro qual instrumento permitiria a Trump “cortar” o comércio com a Espanha, após decisão da Suprema Corte que anulou o uso de poderes de emergência para impor tarifas arbitrárias a outros países.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump definiu quatro objetivos estratégicos na atuação do país contra o Irã.
Em coletiva de imprensa, ela explicou que “a vitória será determinada” quando essas metas forem “plenamente alcançadas”, sem indicação de prazo ou detalhes adicionais sobre a operação militar.
De acordo com Karoline Leavitt, os objetivos estabelecidas pelo governo americano incluem:
Em pronunciamento anterior, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que o governo manterá “essa luta pelo tempo que fosse necessário”. A afirmação indica a possibilidade de continuidade das ações militares sem definição pública de duração.
Durante a coletiva, jornalistas questionaram a porta-voz da Casa Branca sobre a ausência de explicações detalhadas do governo americano a respeito de uma ameaça imediata que justificasse o início dos ataques contra o país persa.
Karoline Leavitt afirmou que Trump “não toma essas decisões isoladamente” e declarou que a autorização para a operação militar ocorreu após avaliação de múltiplas ameaças atribuídas ao Irã. Segundo ela, a decisão de iniciar a ofensiva "foi baseada no efeito cumulativo de várias ameaças diretas que o Irã representava para os Estados Unidos da América".
EUA x Irã: entenda as origens e os motivos da escalada do conflitoSegundo Karoline Leavitt, os Estados Unidos atingiram mais de 2 mil alvos no Irã, "destruindo centenas e centenas de mísseis balísticos e drones.
Ela informou que essa tática daria aos EUA e a Israel "domínio completo sobre o espaço aéreo iraniano". E acrescentou que as Forças Armadas americanas destruíram 20 navios de guerra iranianos, incluindo o submarino que foi afundado na costa do Sri Lanka.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou para o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira para atualizá-lo sobre a campanha militar conduzida contra o Irã. A informação foi divulgada por um funcionário do gabinete do presidente francês ao jornal norte-americano The New York Times.
Durante a conversa, Macron abordou a situação no Líbano, país que enfrenta aumento das tensões no contexto regional. Segundo o funcionário do governo francês, o presidente destacou preocupação com o agravamento dos ataques no território libanês.
Esta é a primeira conversa conhecida entre Trump e Macron desde o início do conflito envolvendo o Irã.
As Forças Armadas dos Estados Unidos utilizaram pela primeira vez os novos mísseis de ataque de precisão de longo alcance, conhecidos como Precision Strike Missile (PrSM), na guerra contra o Irã. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
O órgão militar, sediado na Flórida, informou que o uso ocorreu durante a operação militar chamada Fúria Épica. Em publicação nas redes sociais, acompanhada de vídeo dos ataques, o comando classificou o lançamento como uma estreia “histórica” em combate. Segundo o Centcom, os mísseis foram utilizados “durante a operação Fúria Épica, proporcionando uma capacidade de impacto profundo sem precedentes”.
O comandante do Centcom, almirante Brad Cooper, comentou o uso do armamento nas operações. “Não poderia estar mais orgulhoso de nossos homens e mulheres em uniforme, que aproveitaram a inovação para criar problemas para o inimigo”, declarou.
As forças americanas haviam anunciado em abril de 2025 os primeiros testes do sistema. O armamento é descrito pelo governo como a “próxima geração” de mísseis de precisão de longo alcance, projetados para “atacar, neutralizar, suprimir e destruir alvos”.
O sistema substitui os chamados Army Tactical Missile System (ATACMS), ou Mísseis Táticos do Exército. De acordo com as informações divulgadas à época, os PrSMs oferecem “maior alcance e letalidade” em relação ao modelo anterior.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira que o país também iniciará o uso de bombas de gravidade de precisão, armamento do qual os EUA teriam um estoque “quase ilimitado”. O anúncio ocorreu quatro dias após o início da guerra contra o Irã, conflito que, segundo ele, Washington “está vencendo decisivamente”.
Hegseth declarou que a operação Fúria Épica, iniciada no sábado, empregou “o dobro do poder aéreo” da campanha militar conduzida no Iraque, em 2003. O secretário também afirmou que a ofensiva é sete vezes mais intensa do que os bombardeios realizados contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Dan Caine, informou que o Centcom alterou a estratégia operacional. Segundo ele, as forças americanas passaram “de grandes grupos de ataques deliberados com munições de longo alcance, lançadas de fora do alcance de tiro do inimigo, para a realização de ataques de precisão de dentro do território iraniano, diretamente contra o Irã”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a ofensiva militar continuará por várias semanas. Ele afirmou que a campanha seguirá até que o programa de mísseis iraniano, a Marinha do país e sua capacidade de produzir armas nucleares sejam destruídos.
Trump também afirmou que a “grande onda” de ataques ainda não foi lançada e declarou que ela pode ocorrer “muito em breve”.*Com informações das agências O Globo, AFP e EFE.