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“Uber" de reparos domésticos dobra seu faturamento na pandemia

Com clientes em home office, aplicativo para consertos e manutenções residenciais teve um aumento de mais de 200% na demanda entre abril e agosto

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Vinicius Oliveira, Eduardo Basile e Vinicius Costa (da esq. para a dir.), sócios da Fix: plataforma para consertos, instalações e manutenções residenciais (Fix/Divulgação)

Vinicius Oliveira, Eduardo Basile e Vinicius Costa (da esq. para a dir.), sócios da Fix: plataforma para consertos, instalações e manutenções residenciais (Fix/Divulgação)

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Gabriella Sandoval

Publicado em 11 de setembro de 2020 às, 19h28.

Última atualização em 11 de setembro de 2020 às, 19h37.

Em 2017, depois de duas tentativas bem-sucedidas de empreender, o empresário Eduardo Basile Quadrado achou que teria bastante tempo para curtir a família em casa, sem as preocupações que rondam o dia a dia de um empreendedor. Até que foi esquentar a mamadeira da filha e percebeu que o micro-ondas havia quebrado. Ligou para a seguradora, ficou em casa aguardando a chegada de um técnico dentro do período combinado e, apesar de ser bem atendido, percebeu que a experiência poderia ter sido melhor com a ajuda da tecnologia. “Eu vi que havia muita intermediação na prestação desse tipo de serviço. E também que ele não era tão prático para quem contratava”, diz Quadrado.

O empresário acionou dois ex-sócios e, juntos, eles criaram a Fix — uma plataforma para consertos, instalações e manutenções residenciais que leva toda a jornada do cliente para dentro do app. Por meio dele, é possível enviar fotos, vídeos ou áudios relacionados ao problema, receber orçamentos de prestadores certificados, agendar e pagar o serviço, que tem garantia de 90 dias.

Salto na demanda

Com mais gente em casa por causa da pandemia, a empresa registrou entre os meses de abril e agosto um aumento de 207% na procura pelos seus serviços em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento subiu de 490.000 para 1,8 milhão de reais. Entre os serviços mais requisitados estão os de hidráulica (18%), consertos gerais, realizados pelos chamados “maridos de aluguel” (14%), e reparos necessários para a devolução do imóvel alugado (13%). “Essa última situação, em especial, teve grande alta devido à crise econômica”, diz Quadrado.

A pandemia também fez com que a plataforma registrasse, entre março e agosto, um aumento de 51% na procura de profissionais interessados em se tornar um prestador parceiro. “Nossa base cresceu de 4.000 para pouco mais de 7.000 profissionais durante a pandemia”, afirma.

Um erro de percurso

Considerada, em 2019, uma das 100 startups brasileiras mais desejadas pelas empresas de acordo com o ranking da 100 Open Startups, que mede negócios escaláveis, inovadores e, portanto, atrativos para corporações e investidores, a Fix já recebeu 4 milhões de reais de aporte de fundos imobiliários e incorporadoras como a Cyrela. Segundo Quadrado, uma nova rodada de negócios será anunciada nos próximos meses.

Para chamar a atenção dos investidores e garantir o crescimento da plataforma, a Fix precisou corrigir um erro de percurso logo no início de suas operações. Em 2017, focada no modelo B2C, a startup quase viu seu negócio ruir ao perceber que não havia demanda para os mais de 3.000 profissionais certificados pela ela em parceria com o Senai. A saída foi partir para parcerias com outras empresas.

Atualmente, 87,8% dos clientes da Fix são imobiliárias e apenas 7,4% são consumidores finais e construtoras (4,8%). “Essa parceria é bacana porque o inquilino registra o problema, a imobiliária avalia de quem é a responsabilidade, e tanto o reparo quanto o registro do conserto são feitos via plataforma”, destaca Quadrado. “Além disso, o serviço pode ser pago no cartão ou descontado do aluguel do inquilino. No final das contas, todos ganham.”

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