Mercado Imobiliário

Allos quer lançar fundo para captar até R$ 2 bi com shoppings maduros

Administradora reforça estratégia de reciclagem de portfólio junto com Kinea

Shopping Santa Cruz, em SP: parte do portfólio do FII (Reprodução da internet)

Shopping Santa Cruz, em SP: parte do portfólio do FII (Reprodução da internet)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 10 de abril de 2026 às 09h39.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 10h00.

A Allos (ALOS3) deu mais um passo na reconfiguração do seu portfólio ao anunciar um acordo com a Kinea para a criação de um fundo imobiliário de shoppings. A operação, ainda em fase preliminar, prevê a constituição do Kinea Allos Malls FII, com captação entre R$ 789,5 milhões e R$ 1,97 bilhão.

O portfólio do fundo será composto por participações em ativos maduros da companhia, com rentabilidade (cap rate) média estimada em 9,5%, segundo fato relevante divulgado ao mercado.

A carteira inicial inclui participações relevantes em shoppings como Metrô Santa Cruz, Caxias Shopping, Plaza Sul, Villa-Lobos e Tamboré, entre outros. A fatia de cada ativo no fundo dependerá do volume final captado.

A operação será estruturada com pagamento majoritariamente à vista — cerca de 80% — incluindo uma participação de 24% da própria Allos no fundo. Os 20% restantes serão pagos de forma parcelada ao longo de até quatro anos.

Mais do que uma venda de ativos, a iniciativa marca a entrada da companhia em uma nova vertical de negócios. A Allos passa a combinar a posição de proprietária com a de gestora de recursos, ao dividir a gestão do fundo com a Kinea.

Na prática, isso abre espaço para receitas recorrentes com gestão de ativos e fundos, além de permitir uma maior flexibilidade na alocação de capital.

A companhia continuará como administradora dos shoppings e coproprietária dos ativos, mantendo exposição operacional ao portfólio.

Reciclagem de portfólio

O movimento não é isolado. Ele se encaixa em uma estratégia mais ampla de reciclagem de ativos iniciada nos últimos anos.

Em 2024, a Allos já havia anunciado a venda de participações em ativos como Carioca Shopping, Shopping Tijuca e Plaza Sul, em uma operação de R$ 393 milhões. O objetivo tem sido claro: otimizar o portfólio e concentrar investimentos em ativos mais rentáveis e dominantes.

A criação do fundo amplia essa estratégia ao transformar imóveis em liquidez sem abrir mão da gestão.

Essa lógica também aparece nos resultados recentes. Após um período de desinvestimentos, a companhia passou a operar com um portfólio mais enxuto e com foco em ativos premium.

A parceria com a Kinea prevê exclusividade na cogestão de fundos de shoppings até o fim de 2026 e abre espaço para novas aquisições conjuntas no futuro.

O acordo também garante ao fundo direito de preferência sobre ativos da Allos, criando um pipeline potencial de crescimento.

Ao mesmo tempo, a companhia mantém flexibilidade para seguir realizando transações com outros investidores, desde que respeitados os termos estabelecidos no memorando.

A operação ainda depende de condições precedentes, incluindo o exercício de direitos de preferência, e pode sofrer ajustes até sua conclusão.

Mesmo assim, o movimento sinaliza uma mudança relevante no modelo de negócios da Allos. Em vez de apenas comprar e vender participações, a companhia passa a estruturar veículos de investimento e capturar valor também na gestão.

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