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Títulos da JBS despencam após despesa para adiar IPO nos EUA

Frigorífico terá que pagar multa de US$ 300 milhões ao BNDES pro causa da decisão

Gado no Piauí: rentabilidade da dívida da JBS está abaixo do desempenho em emergentes (Ricardo Chaves)

Gado no Piauí: rentabilidade da dívida da JBS está abaixo do desempenho em emergentes (Ricardo Chaves)

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Da Redação

Publicado em 18 de novembro de 2010 às 08h44.

Nova York/São Paulo - Os títulos da dívida da JBS SA têm a pior semana desde que foram emitidos em julho. O desempenho dos papéis é afetado pela decisão do frigorífico de pagar US$ 300 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para estender o prazo da abertura de capital da subsidiária nos Estados Unidos.

O rendimento dos títulos de cupom 8,25 por cento com vencimento em 2018 subiu 33 pontos-base para 7,9 por cento na semana até ontem, comparado a um aumento de 25 pontos-base para a dívida corporativa brasileira acompanhada pelo índice CEMBI do JPMorgan Chase & Co. A dívida corporativa mexicana subiu 25 pontos-base no mesmo período, enquanto o custo de financiamento para as empresas da Rússia avançou 23 pontos-base.

A JBS concordou em pagar a multa para estender o prazo para abrir o capital da unidade americana, sem que seja ativada uma cláusula que permite ao BNDES converter US$ 2 bilhões em títulos em ações da empresa, o que elevaria a participação do banco de fomento na companhia. O custo dos empréstimos para empresas brasileiras aumentou para o maior patamar em dois meses esta semana, com os investidores rejeitando ativos de maior rendimento em meio à investigação sobre possível fraude no Banco Panamericano SA.

“O adiamento da abertura de capital vai ter um impacto”, disse Juan Cruz, analista de bônus corporativos do Barclays Plc em Nova York, numa entrevista por telefone. “Isso tem um custo real.”

Investigação do Panamericano

A rentabilidade da dívida da JBS está abaixo do desempenho de títulos corporativos de mercados emergentes. O rendimento médio nos bônus emitidos por empresas de nações em desenvolvimento subiu 20 pontos-base para 5,7 por cento na semana encerrada em 16 de novembro, de acordo com dados do JPMorgan. As notas da JBS com vencimento em 2018 perderam 2,4 por cento no período, contra uma queda de 1,8 por cento para a dívida de países desenvolvidos, segundo dados compilados pela Bloomberg e pelo JPMorgan.


Suspeitas de fraude no Panamericano, sediado em São Paulo, elevaram desde 8 de novembro o rendimento médio dos títulos de empresas brasileiras em 38 pontos-base, ou 0,38 ponto percentual, para 6,1 por cento, de acordo com o JPMorgan Chase.

O valor pago ao BNDES “pode impactar negativamente o desempenho dos bônus no curto prazo”, escreveu Ruth Mazzoni, analista de títulos corporativos do Standard Bank, num relatório em 15 de novembro.

Vanessa Esteves, assessora de imprensa da JBS, não retornou um telefonema e e-mails solicitando comentário para esta reportagem.

Venda de ativos

A JBS pretende vender ações nos Estados Unidos no segundo semestre de 2011 após adiar a oferta duas vezes este ano, disse o presidente da companhia, Joesley Batista, a repórteres em 12 de novembro. A empresa quer levantar recursos para expandir a distribuição após comprar a Pilgrim’s Pride Corp., segunda maior processadora de frango dos Estados Unidos, e a brasileira Bertin SA. A JBS usou os US$ 2 bilhões do BNDES para financiar as aquisições.

A JBS também considera uma fusão reversa para tornar a Pilgrim’s Pride a controladora da unidade americana, disse Batista a repórteres em 16 de agosto. Esse plano seria executado para limitar a influência do BNDES.

Adiar a abertura de capital para o ano que vem demonstra que a demanda dos investidores pelos ativos da JBS é limitada, disse Cruz, do Barclays.

“A JBS comprou ativos que ninguém mais quer”, disse Cruz. “A JBS não pode vender esses ativos e tem de fazer um pagamento devido a essa incapacidade de vender”, afirmou ele.

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