Minério de ferro volta a superar US$ 120 após maior recuo em um ano

Reposição de estoques de siderúrgicas antes de feriado na China sustenta ganhos da commodity
Commodity se recupera após depois de atingir o nível mais baixo em mais de um ano | Foto: Ian Waldie/ Bloomberg (Ian Waldie/Bloomberg)
Commodity se recupera após depois de atingir o nível mais baixo em mais de um ano | Foto: Ian Waldie/ Bloomberg (Ian Waldie/Bloomberg)
Por BloombergPublicado em 27/09/2021 08:52 | Última atualização em 27/09/2021 09:00Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O minério de ferro superou US$ 120 a tonelada e acelerou sua recuperação depois de atingir o nível mais baixo em mais de um ano. Investidores voltaram a apostar na commodity com a perspectiva de aumento dos estoques das siderúrgicas antes do feriado prolongado do Dia Nacional na China. As comemorações começam no dia 1º de outubro e se estendem por 7 dias.

Os futuros da commodity em Singapura chegaram a subir mais de 9% nesta segunda-feira, 27, com expectativas de maiores estoques depois da desaceleração no verão chinês. Os lucros de usinas chinesas avançaram para o nível mais alto desde maio, segundo um indicador da Bloomberg Intelligence.

A notícia pode ajudar na recuperação das ações de mineradoras e siderúrgicas. A Vale (VALE3), maior ação da bolsa brasileira, já acumula perdas de 21% no mês de setembro devido às recentes quedas do minério.

“A alta [do minério] foi apoiada por um aumento repentino das margens de lucro das siderúrgicas, melhorando as perspectivas de maior demanda das usinas”, escreveu o Australia & New Zealand Banking em relatório. “As usinas também estão repondo os estoques antes do feriado. Dito isso, ainda há incerteza depois que autoridades chinesas pediram aos governos locais que se preparassem para um possível colapso da Evergrande”, disse sobre a endividada incorporadora.

Os preços do minério subiram pelo quinto dia, rumo ao maior período de ganhos desde junho, após despencarem para US$ 90 a tonelada na semana passada. O insumo siderúrgico tem enfrentado forte oscilação nos últimos meses enquanto a China intensifica os esforços para limitar a produção abaixo do recorde do ano passado e, assim, reduzir as emissões. A crise de liquidez da China Evergrande e um possível contágio da repressão ao mercado imobiliário também aumentam a preocupação.

Ainda assim, o minério de ferro permanece mais de US$ 100 abaixo do pico em maio, pois a escassez de energia na China restringe a atividade industrial e pesa ainda mais sobre a demanda. Siderúrgicas na província de Jiangsu receberam instruções para reduzir a produção com o objetivo de diminuir o uso de energia, segundo informado pela consultoria Mysteel anteriormente, citando pesquisa com operadoras. Algumas usinas na província de Hunan também planejam reduzir a produção.

Com o racionamento de energia acelerando as restrições à produção, siderúrgicas estão conseguindo cumprir a meta de reduzir o volume anual abaixo dos níveis de 2020, disse Ban Peng, analista da Maike Future. Isso poderia limitar a pressão de baixa na demanda por minério de ferro.

As usinas também repõem os estoques antes do feriado de uma semana que começa na sexta-feira, já que as reservas estão baixas, acrescentou Ban, da Maike. Os estoques nos portos da China caem há três semanas consecutivas e estão no menor patamar em mais de um mês, segundo dados da Mysteel Global compilados pela Bloomberg.

Em Singapura, os contratos futuros de minério de ferro chegaram a subir 9,4%, para US$ 121,50 a tonelada, e eram negociados a US$ 121,20 às 15h45, no horário local. Na China, o minério de ferro fechou com ganho de 2,7%, enquanto os futuros do aço avançaram mais de 1%.