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Índice lista empresas boas aos olhos de Deus

O "índice cristão" criado na Europa lista 533 companhias que só obtêm receitas de fontes aprovadas pelos valores e princípios da religião

Lista não é a primeira a se basear em religião: o S&P 500 Shariah usa o Alcorão para avaliar ações. Uma das aprovadas é a Research in Motion, fabricante do Blackberry. (.)

Lista não é a primeira a se basear em religião: o S&P 500 Shariah usa o Alcorão para avaliar ações. Uma das aprovadas é a Research in Motion, fabricante do Blackberry. (.)

DR

Da Redação

Publicado em 28 de abril de 2010 às 18h09.

São Paulo - As mais puras intenções preenchem os espíritos corporativos das 533 empresas escolhidas para o primeiro índice de bolsa cristão da Europa, o  Stoxx Europe Christian Index. As empresas já faziam parte  do Stoxx Europe 600, com as ações mais líquidas das maiores bolsas de 18 países europeus, mas receberam esta semana de uma equipe do próprio Vaticano o novo batismo.

Junto com um comitê da criadora de índices, a liderança católica selecionou companhias que “obtêm suas receitas exclusivamente de fontes compatíveis com os valores e princípios da religião cristã”. O selo de moral financeira foi para empresas como HSBC, Nestlé, Vodafone e Royal & Dutch Shell. Foram vetados negócios que lucrem com controle da natalidade, armas, tabaco, pornografia, jogos ou geradores de impacto ambiental.

A avaliação de fundo espiritual de um grupo de ações não é a primeira – um exemplo são os índices que escrutinam as companhias através na Sharia,  lei islâmica fundamentada no Alcorão, e atraem o rico grupo de investidores árabes. Na listagem criada pela agência Standard & Poor’s, a S&P 500 Shariah, foram aprovadas pelo código canônico empresas como a Research in Motion  (fabricante da Blackberry).

Algumas das maiores administradoras de fundos de investimento globais, como Aviva Investors e Axa Investment Managers, também estabeleceram fundos éticos nos últimos anos - o Aviva UK Ethical Fund e o AXA Ethical Distribution Fund. 

Sem perdão

Para investidores de intenções pouco eclesiásticas no retorno de suas aplicações, a alternativa imediata é o Vice Fund (VICEX), do original em inglês Fundo de Vícios. Como diz no próprio nome, o VICEX acredita que empresas distantes do ideais católicos, as Sin Stocks – cassinos e apostas, indústria bélica, de cigarro e de bebidas são exemplos de negócios listados, e têm melhor desempenho durante períodos de recessão, além de estarem bem posicionados na economia americana.

Em seu portfólio estão as gigantes de tabaco americanas Altria e Philip Morris, a de bebidas alcoólicas Diageo (Smirnoff, Johnnie Walker e José Cuervo), e a Boeing. No Brasil, o índice não existe, porém não faltam opções. O investidor que desejar algo semelhante pode, por exemplo, montar uma carteira com ações da fabricante de bebidas AmBev (AMBV4), a de cigarros Souza Cruz (CRUZ3), de armas Forjas Taurus (FJTA4) e a de aviões Embraer (EMBR3).

Criado em 2002, o fundo de investimentos é administrado pela USA Mutuals em Dallas e justifica as vantagens dos negócios pelo potencial de negociação global e pelas barreiras naturais à concorrência, gerada pela contínua regulamentação por parte dos governos. Lucro garantido enquanto as pessoas continuarem a beber, fumar, jogar e a guerrear. Nos últimos 12 meses, o retorno do VICEX foi de 32%. Para o Stoxx Europe Christian Index, o desempenho para o mesmo período foi de 33,84%.

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