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Commodities em alta em mercado agitado por crise na Ucrânia

O preço de grande parte das commodities subiu nesta semana, no contexto de crise na Ucrânia

Mercados: níquel atingiu seu pico em dois anos (Boris Roessler/AFP)

Mercados: níquel atingiu seu pico em dois anos (Boris Roessler/AFP)

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Da Redação

Publicado em 16 de maio de 2014 às 17h43.

Londres - O preço de grande parte das commodities subiu nesta semana, com alta nos preços do petróleo e do ouro no contexto de crise na Ucrânia.

O níquel atingiu seu pico em dois anos, após proibição das exportações na Indonésia.

O paládio e a platina também registraram alta, suscitando preocupações sobre o impacto da produção industrial sobre a África do Sul, maior produtora dos metais.

"Nesta semana, as negociações têm sido agitadas para o mercado de commodities", disse o analista Myrto Sokou,do Sucden, à AFP.

Alguns mercados sofreram a pressão da desvalorização do euro, o que torna as commodities com preço em dólar mais caras para compradores da Europa.

Na última quinta-feira, o euro caiu para 1,3648 dólar, o preço mais baixo desde 27 de fevereiro, com a expectativa de que o Banco Central Europeu reduza as taxas de juros em junho.

O ganho das commodities foi reduzido após a notícia de que a economia da Zona do Euro cresceu somente 0,2% nos primeiros quatro meses do ano.

Os preços globais do petróleo registram alta com as tensões relativas à crise ucraniana, que pode abalar a oferta do produto.

"Os preços do Brent tiveram sua melhor semana devido às preocupações de que a situação na Ucrânia fique mais grave", opinou Michael Hewson, analista do CMC Markets.

"Com as eleições na próxima semana, a expectativa de escalada do conflito parece maior, particularmente com os separatistas dispostos a rejeitar ou adiar qualquer tentativa de legitimar o atual governo."

Nesta sexta-feira, as Nações Unidas alertaram para uma "deterioração alarmante" dos direitos humanos no leste da Ucrânia, onde o governo enfrenta separatistas pró-russos.


A Rússia declarou que a Ucrânia está à beira de uma guerra civil, o que dificulta a realização de uma eleição livre e justa no dia 25 de maio.

Para os analistas, qualquer escalada no conflito pode prejudicar o abastecimento de energia e gerar uma alta de preços, já que a Ucrânia é um canal estratégico para que as exportações de petróleo e gás da Rússia cheguem à Europa.

"As exportações de petróleo e gás não foram abaladas pela instabilidade na Ucrânia e pelas sanções", afirmou Bjarne Schieldrop, analista da SEB commodities.

"No entanto, é natural assumir que uma escalada (no conflito) confere um risco maior ao Brent crude."

Nesta semana, os ganhos do petróleo foram limitados pela abundância dos estoques americanos de óleo bruto.

O Departamento de Energia afirmou na última quarta-feira que os estoques tiveram alta de 900 mil barris na semana que terminou dia 9 de maio, indicando um excesso de oferta de petróleo bruto.

Os comerciantes também minimizaram a modesta atualização feita pela Agência Internacional de Energia para o crescimento da demanda de petróleo em 2014.

A IEA elevou sua previsão para 2014 de 65 mil barris por dia para 92,8 milhões de barris, em grande parte por causa da forte demanda no primeiro quadrimestre.

Até sexta-feira no Intercontinental Exchange, em Londres, o Brent do Mar do Norte com entrega em julho subiu para 109,55 dólares dos 108,09 dólares da semana anterior para entrega em junho.

No New York Mercantile Exchange, West Texas Intermediate o light sweet crude para junho subiu dos 101,83 dólares o barril, comparados com os 100,70 dólares da semana anterior.

Níquel bate nova alta

O Níquel atingiu os 21,625 dólares na quinta-feira, o maior preço desde fevereiro de 2012, e o estanho também registrou alta. Os dois metais valorizaram-se em consequência da proibição das exportações da Indonésia.


"O níquel tem sido a estrela do mercado de metais em termos de performance no preço neste ano", disse o analista do Citi, David Wilson.

"Isto foi de encontro às nossas expectativas de que a proibição das exportações de minérios da Indonésia seria iniciada e respeitada, o que afetaria significativamente a alta de preços em 2014."

O níquel, entretanto, caiu drasticamente durante a semana, com muitos negociadores descontando seus ganhos.

Em janeiro, a Indonésia proibiu as exportações de metais minerais, incluindo também o cobre a bauxita.

A mudança é parte de uma série de políticas industriais colocadas em prática por políticos nacionalistas que argumentam que companhias estrangeiras retêm grande parte dos lucros resultantes da exploração de recursos naturais e da oportunidades de negócios da economia em crescimento da Indonésia.

Outros metais fecharam a semana em alta, como o cobre, o alumínio, o chumbo, o estanho e o zinco.

Com a crise na Ucrânia, o investimento em ouro mantém-se firme.

"Com a situação na Ucrânia em deterioração após a vitória dos separatistas no referendo de independência na semana passada, a volatilidade da situação na região continua sustentando os preços do ouro", afirmaram analistas da Natixis.

As preocupações com a oferta da África do Sul impulsionaram os preços do paládio na quarta-feira, para os 829,35 dólares a onça, nível mais alto desde agosto de 2011, enquanto a platina atingiu o pico de dois meses, de 1.486,88 dólares a onça.

"Os preços mais altos do ouro e da prata explicam-se, em parte, pela platina e pelo paládio, que se recuperaram bastante nos últimos dias em razão das greves que acontecem na África do Sul", explica Fawad Razaqzada, analista da Forex.com.

"As greves reduziram a oferta, valorizando os preços dos metais preciosos em geral."

Até sexta-feira no London Bullion Market, o preço do ouro subiu 1,291,50 dólares por onça, em comparação aos 1.291,25 dólares da semana anterior.

A prata subiu dos 19,33 dólares a onça, em comparação aos 19,25 dólares.

No mercado de paládio e platina de Londres, a platina subiu para 1.464 dólares a onça, dos 1.429 dólares.

O paládio avançou para os 816 dólares a onça, 804 dólares.

Soft commodities registram ganhos

Entre as softs commodities, os preços do açúcar refletiram as expectativas de queda nas colheiras do Brasil, maior produtor do mundo.


"O potencial para perdas na safra do Brasil está sustentando os preços, e as condições atuais do mercado, com excesso de oferta, estão mantendo os vendedores ativos", disse Jack Scoville, analista do Price Futures Group.

"As condições climáticas em áreas-chave da produção mundial ainda são classificadas como boas, com a exceção do Brasil. O potencial das safras na Rússia e na Ucrânia são boas, apesar das tensões entre os dois países."

Nesta sexta-feira, no LIFFE, bolsa de futuros de Londres, o preço da tonelada de açúcar refinado com entrega em agosto subiu para 492,70 dólares, em comparação aos 467,80 dólares da semana anterior.

No ICE Futures US, o preço do açúcar sem refino para julho subiu de 18,17 centavos de dólar por peso de libra, dos 17,17 centavos de dólar.

No mercado de café houve divergências, pelas previsões de menor produção no Brasil e a contração da oferta que se aproxima.

"Os preços têm sido altos em reação às expectativas de menor produção no Brasil e o potencial de oferta significativa para uma demanda menor no ano que vem", acrescentou Scoville.

"O mercado ainda espera pelas notícias sobre as colheitas no Brasil", informou.

Até sexta-feira, no ICE Futures US Exchange, o Arabica para entrega em julho subiu para 194,10 centavos de dólar por peso de libra, dos 192,45 centavos da semana anterior.

No LIFFE, o Robusta para julho teve queda de 2,107 a tonelada, em comparação aos 2,124 dólares.

Os preços do cacau se recuperaram, com os investidores tentando barganhar após perdas recentes e atentos a outro déficit em meio a riscos relacionados ao clima nos estoques da África.

Nesta sexta-feira, no LIFFE, o cacau para entrega em julho subiu para 1,817 libras a tonelada, em comparação às 1,789 libras da semana anterior.

No ICE Futures US, o cacau para julho subiu para 2,901 dólares a tonelada, de 2,873 dólares.

Os preços da borracha em Kuala Lumpur avançaram com as notícias de aumento da demanda chinesa no segundo quadrimestre do ano.

O Malaysian Rubber Board's benchmark SMR20 subiu de 170,35 centavos de dólar por quilo, de 166,75 centavos da semana anterior.

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