B2W afunda 8% hoje e lidera perdas em novembro; Suzano sobe pelo 4º dia

Confira os principais destaques de ações desta segunda-feira
 (Leandro Fonseca/Exame)
(Leandro Fonseca/Exame)
Paula Barra
Paula Barra

Publicado em 30/11/2020 às 10:40.

Última atualização em 30/11/2020 às 19:18.

Em sessão de realização de lucros, o Ibovespa recuou 1,5% nesta segunda-feira, 30, depois de subir por cinco pregões seguidos. Em pontos, Petrobras (PETR4), que sentiu a queda dos preços do petróleo, Weg (WEGE3) e Magazine Luiza (MGLU3) puxaram as perdas do índice. Do outro lado, Suzano (SUZB3), que subiu pelo quarto pregão seguido com reajuste de preço de celulose, Localiza (RENT3) e Azul (AZUL4), que teve recomendação elevada pelo BTG Pactual, foram as maiores contribuições positivas.

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No mês, o índice encerrou com ganhos de 15,90%, na sua maior alta desde 2016. Em meio ao bom humor do mercado, apenas sete das 77 ações encerraram no negativo, com destaque para as varejistas online B2W (BTOW3) e Magazine Luiza (MGLU3), com quedas entre 6,43% e 5,08%. Do outro lado, as áereas Azul e Gol figuraram na primeira e terceira melhor colocação, com ganhos de 68,78% e 49,90%, respectivamente. No segundo lugar, PetroRio subiu 60,19%, entre anúncio de aquisição de participações em campos na região do pré-sal e alta dos preços do petróleo. A valorização da commodity puxou também uma alta de mais de 31% da Petrobras em novembro.

Abaixo, os principais destaques de ações deste pregão:

As ações das aéreas figuraram entre os maiores ganhos do Ibovespa nesta segunda-feira, em meio a notícias sobre vacinas. Entre os destaques, no fim de semana, o Financial Times reportou que o Reino Unido deve se tornar o primeiro país ocidental a aprovar uma vacina contra covid-19 desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech, com início a partir de 7 de dezembro.

No pregão, os papéis da Azul (AZUL4) subiram 3,06%, enquanto Gol (GOLL4) avançou 2,44%. Na esteira, as ações da empresa de turismo CVC Brasil (CVCB3) registram ganhos de 0,39%.

Sobre Azul, o papel também reagiu à elevação de recomendação de neutra para compra pelo BTG Pactual, com preço-alvo em 47 reais, o que implica um potencial de valorização de 27% frente ao fechamento da última sexta-feira.

Cyrela

Após figurar entre alguns dos maiores ganhos do Ibovespa, as ações da Cyrela (CYRE3) viraram para queda de 0,99%. Os papéis da companhia tiveram recomendação elevada de equal-weight, equivalente a neutro, para overweight, similar à compra, pelo Morgan Stanley. O preço-alvo é de 30 reais, o que implica um potencial de valorização de 10%.

Vale

Depois de subirem mais de 1% nesta manhã, as ações da Vale (VALE3) viraram para o terreno negativo. Dando uma pausa no rali dos últimos dias, os papéis da companhia recuaram 0,56% nesta sessão, na contramão dos preços do minério de ferro. A commodity cotada no porto de Qingdao, na China, subiu 1,55% nesta segunda-feira, indo para 131,63 dólares a tonelada.

Apesar da baixa hoje, os papéis da mineradora acumulam no mês alta de 28,81%, em meio a perspectivas positivas de analistas do mercado para a empresa e preços do minério.

Petrobras 

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4) caíram respectivamente 1,35% e 2,35% na esteira dos preços do petróleo no mercado internacional. Os contratos do petróleo Brent, cotados em Londres e usados como referência pela estatal, recuam 1,22%, em meio às incertezas se os membros da Opep+ vão concordar, em reunião iniciada hoje, em estender o corte na produção da commodity por mais três meses.

No radar da petroleira ainda, a companhia projetou um aumento na sua exportação de petróleo para 891 mil barris por dia no período entre 2021 e 2025, ante média de 445 mil barris por dia entre 2015 e 2019, de acordo com apresentação detalhando seu plano de negócios durante o Petrobras Day, realizado nesta segunda. A empresa disse ainda que prevê desinvestimentos da ordem de 25 bilhões a 35 bilhões de dólares no período de 2021 a 2025, contra uma faixa de 20 bilhões a 30 bilhões de dólares no plano de negócios anterior.

E-commerce

Apesar das vendas online terem batido recorde na Black Friday deste ano, as ações das empresas de e-commerce caíram neste pregão. B2W (BTOW3) recuou 8,11%, liderando as perdas do Ibovespa. Via Varejo (VVAR3) e Magazine Luiza (MGLU3) tiveram perdas de 4,00% e 3,35%, respectivamente.

Sobre a reação dos papéis, o estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, comenta que, pelo que acompanhou dos relatórios, muitas empresas fizeram "Black Week", o que bagunçou um pouco a base de comparação. "Se olhar os dados de quarta-feira de 2020, contra quarta-feira de 2019, ou sábado de 2020, contra sábado de 2019, vai observar que as vendas subiram bem acima do esperado, mas, separando a sexta-feira, foram no patamar mínimo que estavam aguardando. Entendo que as ações estão caindo em bloco hoje, em reação ao evento", comentou.

Em relação à queda mais forte de B2W, o analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, diz que a ação já vinha em uma sequência muito forte de perdas, chegou a bater 127 reais no melhor momento, em julho, e agora é cotada perto de 71 reais. "O mercado olha para a empresa com um pouco mais de cautela, uma vez que a companhia não tem conseguido absorver tão bem esse bom momento do setor, como Magazine Luiza, Via Varejo e Mercado Livre. Além disso, o setor já está com um fluxo fraco em Bolsa e quem está posicionado tem preferido essas outras empresas à B2W", aponta.

De acordo com levantamento feito pela Ebit/Nielsen, as vendas online totalizaram 4,02 bilhões de reais na Black Friday, alta de 25,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram realizados mais de seis milhões de pedidos ao todo, avanço de 15,5%.

A Magazine Luiza informou nesta manhã que, em novembro, a empresa teve um crescimento de vendas online acima de 100%, aumentando em 10 pontos percentuais sua participação de mercado no e-commerce formal brasileiro no mês, comparado com o ano anterior, segundo dados da Ebit/Nielsen.

A Via Varejo disse que as vendas totais brutas atingiram 3,0 bilhões durante a Black Friday, superando o recorde de 2019, com crescimento de 37%.

Suzano

As ações da Suzano (SUZB3) registraram sua quarta alta consecutiva, acumulando no mês ganhos de 12,08%. No pregão de hoje, os papéis subiram 1,02%. Na última sexta-feira, a RISI, consultoria especializada em papel e celulose, anunciou que a Suzano emplacou naquela data mais um aumento de preços para celulose de fibra curta. A alta foi de 30 dólares a tonelada, o que levou o preço da commodity para 500 dólares a tonelada.

Analistas do Credit Suisse comentam que o repasse foi recebido com surpresa já que, em novembro, já havia sido visto um aumento de 20 dólares a tonelada e a maioria dos players do setor acreditava que um novo repasse fosse ocorrer apenas no primeiro trimestre do ano que vem.

Segundo eles, esse movimento reforça a confiança da Suzano e esperam que seja bem sucedido. "Acreditamos que o mercado está em um ambiente de margens saudáveis, spreads altos entre celulose de fibra curta e longa (atualmente em 160 dólares a tonelada, contra média histórica de 70-80 dólares a tonelada) e uma restrição temporária na oferta (paradas de manutenção e alguma restrição na Indonésia). Para eles, essa janela de oportunidade deve durar até o segundo trimestre de 2021, especialmente considerando que o MAPA Project da Aramco deve atrasar seis meses, para o quarto trimestre do ano que vem.

No setor, eles dizem que preferem Suzano à Klabin, por conta de uma melhor geração de fluxo de caixa livre e desalavancagem mais rápida.

Diante de uma leitura otimista para os preços da celulose, os analistas do Bradesco BBI reafirmaram Suzano como sua preferida no setor de papel e celulose na América Latina, assim como a recomendação outperform, equivalente a compra. O preço-alvo foi elevado de 58,00 reais para 70,00 reais, o que implica em um potencial de valorização de 26% frente ao último fechamento.

NotreDame Intermédica

As ações da NotreDame Intermédica (GNDI3) caíram 1,44% após a companhia anunciar, no domingo à noite, uma oferta subsequente de ações (follow on) para venda de uma parcela da participação detida pelo fundo de investimento Alkes I em seu capital social. Essa é a terceira queda seguida dos papéis, que acumulam perdas de cerca de 5% no período.

Segundo a empresa, a operação contemplará, inicialmente, 40 milhões de ações ordinárias do fundo, com possível lote adicional de até 14 milhões de papéis.

Segundo analistas da Exame Research, a operação tende a pressionar as cotações da Intermédica no curto prazo. "Ofertas secundárias não trazem recursos ao caixa da empresa e aumentam a quantia de ações em circulação no mercado — é, basicamente, um desinvestimento por parte do fundo", comentam.

CCR

As ações da CCR (CCRO3) avançaram 0,93%. A companhia informou que o tráfego das rodovias administradas cresceu 10,0% entre os dias 20 a 26 de novembro, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2020, foi apurado alta de 0,12% em relação ao ano passado.

Segundo analistas da Exame Research, os dados são positivos e mostram uma dinâmica mais saudável para a empresa. No entanto, comentam que possíveis novas restrições a serem anunciadas pelo governo de São Paulo para conter o avanço da Covid-19 podem pressionar as ações no curto prazo.

Oi

As ações ordinárias e preferenciais da Oi (OIBR3; OIBR4) subiram 3,41% e 1,68%, respectivamente. A companhia informou na sexta-feira que fechou acordo com a Advocacia Geral da União (AGU), que vai permitir um desconto de 50% no valor total da dívida que possui com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com o acordo, o montante total a ser pago pela companhia passou a ser de 7,205 bilhões de reais, contra 14,333 bilhões de reais anteriormente. O acordo foi firmado nos termos da nova lei de falências, que estabeleceu novas condições de pagamentos de dívidas à União por empresas em processo de recuperação judicial.