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Ações do banco Inter subiram quase 400%. Ainda vale a pena investir?

No ano, os papéis já subiram mais de 115%, mas, segundo analistas, ainda devem se valorizar com a oferta secundária que pode chegar a 1,27 bilhão de reais

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Fundado no início da década de 1990, o Inter migrou para modelo de banco virtual em 2015 e se tornou pioneiro no Brasil (João Vitor Menin/Twitter/Reprodução)

Fundado no início da década de 1990, o Inter migrou para modelo de banco virtual em 2015 e se tornou pioneiro no Brasil (João Vitor Menin/Twitter/Reprodução)

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Natália Flach

Publicado em 22 de julho de 2019 às, 10h41.

Última atualização em 26 de agosto de 2019 às, 17h38.

 

São Paulo - Até onde vão as ações do banco digital Inter, um dos queridinhos da bolsa? Seus papéis têm subido mesmo em dias de baixa na bolsa brasileira. Foi o que aconteceu na última sexta-feira (19): o principal índice da B3, o Ibovespa, recuou 1,21%, enquanto os papéis da instituição financeira tiveram uma valorização de 1,25%.

O motivo para esse descasamento foi o início das negociações, nesta sexta-feira, da unit (papel que reúne duas ações preferenciais e uma ordinária) e a expectativa da oferta secundária do banco digital que pode alcançar a cifra de 1,27 bilhão de reais.

Esses dois fatores ajudaram a alavancar a cotação dos papéis, que em 2019 já se valorizaram mais de 115% — nesta segunda (22), fecharam praticamente estáveis com recuo de 0,07%. Desde a abertura de capital, há um ano, ações já subiram quase 400%, levando o valor de mercado da companhia para 14 bilhões de reais. É quase o dobro do valor de mercado da tradicional construtora MRV, controlada pela mesma família do Inter.

Depois de uma alta tão expressiva, ainda vale a pena embarcar nas ações? Para Carlos Daltozo, chefe da equipe de renda variável da casa de análise Eleven, a resposta é sim. Aliás, o analista recomenda a compra dos papéis.

Existem alguns pontos que ajudam explicar essa recomendação. O primeiro deles se refere ao maior grau de governança que o banco vai atingir com a negociação das units - que têm em sua composição ações ordinárias, que dão direito a voto aos investidores nas assembleias gerais.

Além disso, a oferta secundária (também chamada de follow-on) deve dar maior liquidez aos papéis do Inter, que poderão ser adquiridos por investidores estrangeiros. “Parte desse dinheiro será usado para investimento em tecnologia, o carro-chefe do banco”, afirma.

Já o analista Bruce Barbosa, da Nord, não indica a compra dos papéis, apesar de achar que podem continuar subindo. "Eu compraria as ações a 91 vezes o lucro? Claro que não", escreve em relatório. "E, um ponto importante é a guerra que o Itaú deverá travar com os bancos digitais. Vimos um breve trailer desse movimento com a Rede, recentemente. E imaginamos que Itaú fará o mesmo com os bancos digitais", acrescenta.

Entre a alta e o risco

O Inter foi pioneiro em apostar no modelo de banco digital no Brasil. Fundado no início da década de 1990, o Inter era um banco tradicional até 2015, quando começou a migrar para esse formato sem agências físicas.

“Quando o Inter abriu capital (IPO, na sigla em inglês), a pergunta é se seria o único. Não sabíamos, mas tínhamos certeza de que haveria uma mudança de paradigma no setor bancário”, afirma Daltozo. Hoje, o banco tem alguns concorrentes, como o C6 e o Next (do Bradesco). “Nesse sentido, o Inter não tem que ser comparado a um banco tradicional como o Itaú e, sim, a uma fintech. Por isso, acompanhar o número de contas abertas por trimestre é tão importante.”

O banco ultrapassou a marca de 2,5 milhões de correntistas no segundo trimestre, um aumento de 39% ante o período de janeiro a março deste ano. Esse total representa uma abertura média de 10.000 contas por dia útil. Além disso, o Inter contabilizou 53.100 solicitações de portabilidade de salário de abril a junho.

Por enquanto, o Inter não tem concorrentes diretos na bolsa, o que ajuda a explicar o seu desempenho. Mas será que as ações continuarão subindo vertiginosamente se algum concorrente fizer IPO? E, nesse caso, os altos e baixos na B3 serão medidos pelo número de abertura de contas ou pela receita gerada? Qual o potencial de bancos tradicionais, como Itaú e Bradesco, e de fintechs, como o Nubank, de roubar mercado do Inter?

Ainda não há respostas para essas perguntas — o que, em última instância, implica em risco para o investidor. Certo é que, por enquanto, as ações do Inter vão muito bem, obrigado. E, segundo os analistas consultados por EXAME, esse quadro deve se manter, ao menos no curto prazo.

 

 

 

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