Sob ataque russo, Mariupol espera Cruz Vermelha para evacuar civis

Comitê internacional da entidade fará nova tentativa para retirar moradores da cidade. Na última, rota ainda não era segura
 (Stringer/Anadolu Agency/Getty Images)
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Estadão ConteúdoPublicado em 02/04/2022 às 15:48.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha deve fazer nova tentativa neste sábado de retirar moradores da cidade de Mariupol, sob ataque de tropas russas. A organização informou que não foi possível realizar a operação na sexta-feira porque não recebeu garantias de que a rota a ser utilizada era segura. Autoridades da cidade disseram que os russos bloquearam o acesso à cidade.

Segundo a Cruz Vermelha, uma equipe de nove pessoas em três veículos estava a caminho para ajudar na passagem segura de civis para outra cidade, após a tentativa fracassada do dia anterior. "Nossa presença colocará uma marca humanitária a esse transporte planejado de pessoas, dando ao comboio proteção adicional e lembrando a todos os lados da natureza civil e humanitária da operação", afirmou a organização em comunicado de sexta-feira à noite.

O conselho municipal de Mariupol informou hoje que dez ônibus vazios estavam indo para

Berdyansk, uma cidade 84 quilômetros a oeste de Mariupol, para pegar civis que podem chegar lá por conta própria.

Ontem, cerca de 2 mil pessoas conseguiram sair de Mariupol na sexta-feira, alguns em ônibus e outros em veículos próprios, segundo autoridades da cidade. Eles embarcaram em cerca de 25 ônibus em Berdyansk e chegaram por volta da meia-noite em Zaporizhzhia, cidade ainda sob controle ucraniano que serviu anteriormente como destino de civis provenientes de Mariupol durante cessar-fogo prévios.

Mariupol foi cercada por forças russas há um mês e se tornou cenário de alguns dos piores momentos da guerra, como ataques a uma maternidade e a um teatro que abrigava civis. Estima-se que aproximadamente 100 mil pessoas ainda estejam na cidade, de uma população de 340 mil antes da guerra. O controle Mariupol daria a Moscou um caminho terrestre ininterrupto da Rússia até a Crimeia, região ucraniana que foi anexada pelos russos em 2014.

O conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, Oleksiy Arestovych, disse em entrevista a um advogado e ativista russo, Mark Feygin, que a Rússia e a Ucrânia chegaram a um acordo para permitir que 45 ônibus circulem até Mariupol para evacuar os moradores "nos próximos dias". Fonte: Associated Press.

fonte: Estadão Conteudo