Patrocinado por:
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 4 de julho de 2026 às 10h52.
Última atualização em 4 de julho de 2026 às 10h53.
A Micron Technology iniciou neste sábado as obras de expansão de sua fábrica em Hiroshima, no oeste do Japão, em um projeto estimado em ¥1,5 trilhão, cerca de US$ 9,3 bilhões. A unidade será usada para produzir chips avançados de memória voltados a processadores de inteligência artificial, com embarques previstos para começar por volta do verão de 2028.
A companhia americana, com sede em Boise, no Estado de Idaho, pretende fabricar no local componentes como HBM, sigla em inglês para high-bandwidth memory, memória de alta largura de banda. Esse tipo de chip é considerado essencial para aceleradores de inteligência artificial, como os produzidos pela Nvidia.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão destinou até ¥500 bilhões para ajudar a financiar o projeto. Com recursos para expansão industrial e pesquisa e desenvolvimento, o apoio japonês à Micron soma cerca de ¥775 bilhões até agora.
A expansão ocorre em meio à corrida global de fabricantes de memória para atender à demanda gerada por serviços de IA, carros autônomos e data centers. A Micron também constrói duas fábricas de ponta em Boise e realizou, em janeiro, a cerimônia de início das obras de um complexo de US$ 100 bilhões nos arredores de Syracuse, no Estado de Nova York, como parte de seu plano de ampliar a produção de DRAM, memória dinâmica de acesso aleatório, em solo americano.
A sul-coreana SK Hynix e a Samsung Electronics também ampliam capacidade produtiva. O movimento reforça a mudança de status dos chips de memória, antes vistos como componentes mais sujeitos a ciclos de preço, para uma peça central da infraestrutura de IA.
Durante a cerimônia no Japão, o presidente-executivo da Micron, Sanjay Mehrotra, afirmou que o primeiro wafer, disco de silício usado na fabricação de semicondutores, de HBM da companhia foi produzido em Hiroshima. “Quando a ousadia americana encontra a habilidade japonesa, você não tem um compromisso. Você tem o melhor do mundo”, disse, diante de autoridades locais e do governo central.
O apoio à Micron faz parte de uma política industrial mais ampla do Japão para recuperar protagonismo em semicondutores, setor considerado estratégico para segurança nacional e competitividade econômica. Desde 2021, o país reservou dezenas de bilhões de dólares em incentivos para chips e inteligência artificial.
No mês passado, a primeira-ministra Sanae Takaichi apresentou um roteiro para direcionar ¥101,6 trilhões em investimentos públicos e privados para chips e IA até março de 2041, sem detalhar quanto desse total virá diretamente dos cofres públicos.
O ministro da Economia, Indústria e Comércio, Ryosei Akazawa, afirmou que o apoio à Micron, hoje a única fabricante de DRAM dentro do Japão, tem “valor inestimável”. Ele disse ainda que o país está disposto a fazer “tudo o que puder” para ajudar outros fabricantes estrangeiros de chips que queiram construir fábricas em território japonês.
Kota Nosaka, diretor representante da unidade japonesa da Micron, disse que a força da fábrica de Hiroshima está na capacidade de entregar rapidamente produtos de alto desempenho e de última geração aos clientes. Segundo ele, produzir chips de nova geração no local está diretamente ligado à estratégia global da empresa.
A Micron passou a controlar a fábrica de Hiroshima em 2013, quando comprou a Elpida Memory, fabricante japonesa de DRAM que havia entrado em falência. O Japão ainda reúne empresas importantes em materiais e equipamentos avançados para chips, embora tenha perdido espaço na produção final de semicondutores. Segundo Nosaka, cerca de 80% dos materiais usados pela fábrica de Hiroshima vêm atualmente de fornecedores japoneses.