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Revisar fórmulas repetitivas e incluir detalhes concretos ajuda a melhorar textos produzidos com inteligência artificial (Magnific/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 05h04.
Você pede um texto à inteligência artificial, recebe uma resposta bem organizada e percebe que falta alguma coisa. As frases estão corretas, os parágrafos fazem sentido, mas o resultado parece impessoal, como se pudesse ter sido escrito para qualquer pessoa ou empresa.
Parte desse efeito vem de escolhas de linguagem que se repetem nas respostas geradas por IA. Nenhuma expressão isolada comprova que um texto foi produzido por uma máquina, mas a combinação de fórmulas previsíveis, abstrações e construções semelhantes pode tornar a leitura artificial.
A boa notícia é que dá para reconhecer esses padrões e orientar a ferramenta para produzir versões mais específicas, naturais e adequadas ao contexto.
Aberturas como “no mundo atual”, “em um cenário de constantes mudanças” e “na era digital” ocupam espaço sem apresentar uma informação concreta. São introduções amplas que poderiam servir para inúmeros assuntos.
Como evitar: comece pelo problema, pela situação ou pela informação central, peça para explicar qual mudança afeta o leitor e por quê.
A construção cria uma oposição que parece sofisticada, mas aparece com frequência em textos corporativos.
Quando usada repetidamente, deixa a argumentação previsível e pode dar a impressão de que o conteúdo está tentando parecer mais profundo do que realmente é.
Como evitar: apresente diretamente a ideia principal e desenvolva a relação entre os conceitos. Se houver uma diferença relevante, explique-a com exemplos ou consequências concretas.
Expressões como “vale ressaltar”, “é importante lembrar” e “cabe destacar” anunciam que algo merece atenção, mas nem sempre acrescentam valor. Muitas vezes, a frase seguinte funciona perfeitamente sem essa introdução.
Como evitar: elimine a expressão e veja se o argumento continua claro. Se a informação for realmente importante, a própria explicação deve mostrar isso.
Conectivos ajudam a organizar o raciocínio, mas seu uso mecânico pode deixar todos os parágrafos com o mesmo ritmo. O problema não está nas palavras em si, e sim na repetição automática, mesmo quando a relação entre as ideias não exige uma transição explícita.
Como evitar: varie a estrutura dos parágrafos. Às vezes, uma frase direta ou um exemplo já conecta os argumentos sem precisar de um marcador.
Combinações de verbos abstratos e substantivos corporativos podem soar profissionais à primeira vista, mas dizem pouco sobre o que será feito.
“Otimizar processos”, “gerar valor” e “transformar desafios em oportunidades” também podem esconder a ausência de detalhes.
Como evitar: troque a abstração por uma ação observável. Explique se a proposta é reduzir o tempo de atendimento, diminuir retrabalho ou facilitar a análise de documentos. Quanto mais específica a descrição, mais útil ela se torna.
Reconhecer expressões recorrentes é apenas o primeiro passo. O resultado depende das instruções dadas à ferramenta e da revisão feita por quem assina o conteúdo.
Forneça contexto sobre o público, o objetivo, o canal de publicação e o tom desejado. Solicite exemplos específicos, variação no tamanho das frases e eliminação de clichês.
Depois, confira se as informações estão corretas e se a redação corresponde ao que você realmente quer comunicar.
A inteligência artificial pode acelerar a primeira versão, mas a qualidade depende de escolhas editoriais. É a revisão que transforma uma resposta genérica em um texto que tem motivo para existir.