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Visa quer modernizar e baratear transações internacionais com nova tecnologia

Em entrevista à EXAME, vice-presidente de Novos Negócios da empresa explicou novos projetos para a área de pagamentos crossborder

Eduardo Abreu é vice-presidente de Novos Negócios da Visa (Visa/Divulgação/Divulgação)

Eduardo Abreu é vice-presidente de Novos Negócios da Visa (Visa/Divulgação/Divulgação)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 15 de abril de 2024 às 17h42.

A Visa, uma das maiores empresas de meios de pagamento no mundo, ganhou um novo foco de atuação nos últimos meses: as transferências internacionais. Também conhecidas como "crossborder", esse tipo de movimentação ainda gera críticas no mercado pela complexidade, demora no processamento e custo elevado, aspectos que a companhia tem buscado solucionar.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa, destaca que "a gente tem visto uma série de novas formas de você usar dinheiro fora do país. E usar dinheiro fora do país não significa algo ilícito, passa por regulação, respeitando as regulamentações tradicionais, mas buscando dar mais rapidez, deixar mais barato, dar uma experiência de uso melhor".

Ele pontua que "o brasileiro continua viajando [para fora] normal, mas quer cada vez mais levar menos dinheiro com ele, fazer essas trocas de câmbio. Se digitaliza, fica tudo mais fácil, não precisa ir em casa de câmbio, lugar físico, é uma experiência que o cliente vai privilegiar e adotar". O grande objetivo da Visa, ressalta o executivo, é oferecer aos clientes as mesmas tecnologias e vantagens encontradas dentro do país, com o Pix.

O futuro dos pagamentos internacionais

Os esforços da Visa para modernizar e digitalizar a área de transferências crossborder existem há alguns anos e já possuem resultados: nos últimos dois anos, o número de saques internacionais com uso de cartão físico da Visa caiu quase 50%. Entretanto, a empresa quer ir além, lançando duas novas iniciativas na área.

A primeira é um programa que permite que bancos e outras instituições financeiras ofereçam aos seus clientes a criação de contas digitais nos Estados Unidos e na Europa que são, na verdade, abertas por bancos do país parceiros da Visa. Com isso, há uma "redução do trabalho por trás desse processo, evitando burocracias".

Abreu comenta que a empresa tem visto uma "demanda grande dos bancos e dos clientes" pela solução. Outra solução da empresa para o segmento foi lançada em 2023, o Visa Direct. O executivo explica que a iniciativa surgiu de uma demanda de bancos e corretoras que precisam enviar dinheiro para fora do país. Hoje, essas operações "têm um custo elevado e horário limitado", com uma estrutura que acaba dificultando o processo.

O Visa Direct permite que as transações sejam realizadas de forma digital, com processamento quase instantâneo. Abreu compara a plataforma a uma espécie de "Pix Internacional".  A novidade tem sido expandida aos poucos, conforme a empresa firma parcerias com startups, fintechs e corretoras. De agosto de 2023 até março de 2024, foram anunciadas parcerias com a RendimentoPay, a Muevy, a Oz Câmbio, a Ouribank, a BePay e a Western Union.

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A iniciativa se tornou possível após a Visa conseguir a primeira autorização do Banco Central para realizar transferências transfronteiriças instantâneas. Abreu aponta que o projeto foi viabilizado por uma combinação de demanda de clientes, abertura regulatória e avanços tecnológicos, permitindo a simplificação das transferências crossborder.

Na visão do executivo, a solução - que não usa tecnologia blockchain - também é mais vantajosa que o uso de criptomoedas. "O público de cripto para crossborder não tem hoje soluções reguladas como uma instituição tradicional. No trilho normal, a gente consegue dar transparência para a transação dentro da parte regulatória, em blockchain e cripto a conexão demanda que as redes cumpram as mesmas regras, dando uma proteção para quem recebe e para quem envia", comenta.

Mesmo assim, Abreu não descarta uma conexão da Visa com o segmento: "Nossa ideia é ser uma rede das redes, se conectar a tudo isso para dar segurança, ter menos custo e permitir que o cliente escolha o que quiser". "A indústria de pagamentos no Brasil é muito bacana em termos de tecnologia, o brasileiro gosta de inovação, e estamos na vanguarda em inovações em apagamentos. Hoje, a cada 10 transações, mais da metade já é por aproximação, uma adoção muito grande de uma tecnologia nova. Pix é outro exemplo".

Nesse sentido, ele comenta que "uma usabilidade melhor é uma necessidade legítima do brasileiro, que quer cada vez mais poder continuar viajando e usando dinheiro de forma fluída, como ocorre aqui. É um caminho que vamos continuar investindo, mas essas duas frentes já estão resolvendo bem esse problema. São os nossos dois maiores canais de fluxo de dinheiro para fora do país".

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