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Solana despenca com crise da FTX e mercado prevê buraco ainda mais fundo

Criptomoeda acabou sendo associada ao CEO da exchange, Sam Bankman-Fried, sendo prejudicada com mais intensidade pela crise no setor

Solana já foi apontada por Sam Bankman-Fried como um dos projetos "mais promissores" entre criptomoedas (NurPhoto/Getty Images)

Solana já foi apontada por Sam Bankman-Fried como um dos projetos "mais promissores" entre criptomoedas (NurPhoto/Getty Images)

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João Pedro Malar

9 de novembro de 2022, 15h02

A criptomoeda Solana é, até o momento, um dos ativos mais prejudicados pelo atual pessimismo no setor, ligada aos problemas de liquidez na exchange FTX e o anúncio da sua compra pela rival Binance. Até o momento, ela caiu mais de 40% nas últimas 24 horas, segundo o CoinGecko, e o motivo para a queda é o próprio protagonista da crise, o empresário Sam Bankman-Fried.

SBF, como ele é conhecido, deu uma série de declarações nos últimos meses favorável ao criptoativo. Em entrevista à revista Fortune em dezembro de 2021, afirmou que a Solana era o "token mais subestimado" de todo o setor, com grande potencial de valorização.

Pouco tempo depois, em janeiro de 2022, apontou a criptomoeda e seu blockchain como parte dos "três mais promissores" para o ano, junto com a Avalanche e Bitcoin.

(Mynt/Divulgação)

O apoio de Bankman-Fried à Solana não ficou só nas palavras. A Alameda Research, criada por ele, é uma das maiores investidoras da fundação que desenvolve o blockchain, e a FTX a sua principal apoiadora.

Além disso, o balanço de uma de suas empresas, a Alameda Research, revelou que a segunda maior exposição do portfólio da empresa é o token SOL, atrás apenas do FTT, token nativo da FTX.

Segundo documentos, a Alameda teria mais de US$ 1 bilhão da criptomoeda, o que deu origem às preocupações com a Solana. A revelação de que um terço da patrimônio da empresa era de FTT gerou preocupações e questionamentos sobre a saúde financeira da FTX que levaram a uma crise de liquidez, retirada de investimentos e a venda para a rival Binance.

No processo, o FTT teve fortes perdas, caindo mais de 80% na semana, o que coloca o futuro financeiro da Alameda em xeque. “As grandes quantidades de tokens do ecossistema SOL e Solana detidas pela Alameda podem ser vendidas no pior cenário”, explicou Riyad Carey, analista de pesquisa da empresa de dados cripto Kaiko, ao site Coindesk.

Esse cenário envolveria um grande aumento na oferta da Solana, consequentemente reduzindo a sua cotação. E o blockchain vai passar ainda nesta semana por outro evento que pode piorar o quadro.

O processo de validação das transações no blockchain Solana envolve as chamadas "epochs", período em que há acumulo de blocos com dados de transação e que, uma vez concluídos, levam à liberação de mais Solana no mercado.

A atual epoch deve acabar nesta quinta-feira, 10, e geraria a liberação de cerca de 49,6 milhões de tokens, equivalentes a US$ 945 milhões, aproximadamente. A grande quantidade aumentaria ainda mais a oferta de Solana em um momento de baixa demanda no mercado, o que derrubaria os preços.

Há, ainda, o problema com a Solend, uma plataforma integrada ao blockchain Solana, focada em serviços financeiros descentralizados. A empresa está com dificuldade para quitar um empréstimo porque usou tokens SOL como garantia, e a falta do pagamento pode obrigá-la a dar um calote ou até declarar falência.

Segundo a Solend, o pagamento está sendo feito de forma lenta e "sem problemas" até o momento, mas quanto mais a Solana desvalorizar, mais difícil será a continuidade deste movimento. Ao mesmo tempo, quanto pior a situação do Solend, menor a crença no projeto, o que contribui para a criptomoeda cair.

No Twitter, um dos criadores da Solana, Raj Gokal, disse que "este momento crucial para o ecossistema Solana é tão difícil quanto o último. A diferença é que há 10 vezes mais de nós para nos unirmos desta vez. Da próxima vez, haverá 10 vezes mais".

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