Presidente argentino diz que criptomoedas podem ajudar a conter inflação

Em entrevista, Alberto Fernández destaca crescimento dos criptoativos e revela que seu uso pode auxiliar o governo a controlar a alta inflação vivenciada na Argentina
 (Getty Images/Hector Vivas)
(Getty Images/Hector Vivas)
Por Lucas JosaPublicado em 12/08/2021 17:21 | Última atualização em 12/08/2021 21:17Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Algumas semanas após o deputado argentino José Luis Ramón anunciar o envio de um projeto de lei ao Congresso para permitir o pagamento de salários em bitcoin ou outros criptoativos na Argentina, as criptomoedas voltaram a aparecer no cenário político do país, dessa vez, por conta de seu presidente, que afirmou que esta classe de ativos pode auxiliar no controle da inflação na Argentina.

Durante uma entrevista nesta quarta-feira, 11, Alberto Fernandéz, presidente da Argentina, revelou a sua opinião sobre como as criptomoedas podem auxiliar a economia do país, principalmente em relação ao controle da alta inflação vivenciada na Argentina.

“A vantagem do uso das criptomoedas é que o efeito inflacionário é anulado... A discussão sobre o funcionamento das criptomoedas é mundial e confesso que é ponto de atenção, no meu caso, por conta do desconhecido, e por que também não se entende como essa fortuna se materializa...Mas não há como negar, talvez os criptoativos sejam um bom caminho”, disse Alberto Fernandéz.

Além disso, o presidente também destacou toda a evolução e crescimento dos criptoativos, comparando a sua ascensão com a do Youtube nos últimos anos, mas deixou bem claro a necessidade de uma regulação para as criptomoedas no país para garantir a segurança dos cidadãos, principalmente por conta de fraudes e golpes que já foram aplicados na Argentina utilizando esses ativos.

Com uma inflação de 50,2% nos últimos 12 meses, a Argentina possui a segunda maior taxa de inflação da América do Sul e, por conta disso, uma grande parte da população tem utilizado o bitcoin e outros criptoativos como uma alternativa ao dólar para se proteger dos efeitos inflacionários na economia do país, já que a compra da moeda norte-americana foi limitada a 200 dólares por mês para cada cidadão.

Neste sentido, uma parcela considerável dos cidadãos que migraram para o mundo dos ativos digitais por conta das restrições impostas para as compras de dólares escolheram a DAI, uma stablecoin que oferece uma paridade com o dólar e um novo refúgio para suas economias como um ativo de proteção econômica, que teve um crescimento em seu uso de mais de 600% durante o ano de 2020 em território argentino.