Argentinos adotam stablecoin como alternativa ao dólar contra a inflação

Em uma grave crise econômica com uma alta taxa de inflação, população argentina começa a utilizar a DAI como um ativo de proteção

Após décadas utilizando o dólar como uma forma de se proteger da inflação, o limite de compra da moeda imposto pelo governo fez os argentinos buscarem outra forma para lidar com a crise econômica que assola o país. Se o bitcoin já era uma alternativa comum na Argentina, agora uma outra criptomoeda tem ganhado adeptos e cumprido esta função: a stablecoin DAI, que oferece uma paridade com a moeda norte-americana.

Com cinco calotes no pagamento de sua dívida externa (único país com essa marca), a Argentina é hoje o principal devedor do Fundo Monetário Internacional (FMI), com aproximadamente 44 bilhões de dólares de dívida. O cenário piorou com a diminuição da atividade econômica em 2020, marcado pela pandemia, registrou uma inflação anual superior a 38%, que aumentou ainda mais a busca da população por um ativo de proteção econômica.

Há anos enfrentando esse cenário, milhares de cidadãos enxergavam na compra de dólar uma possibilidade de proteção para a hiperinflação do país. Entretanto, com a limitação imposta de compra de 200 dólares por cidadão, os argentinos, que apesar de já estarem utilizando o bitcoin como uma forma de fugir da desvalorização do peso argentino, vislumbraram na DAI, uma alternativa mais próxima ao dólar e, consequentemente, um novo refúgio para suas economias.

De acordo com os dados das principais corretoras de criptomoedas locais, o volume de negociações da DAI em solo argentino cresceu mais de 600% no ano de 2020 com o agravamento da crise.

Imune à políticas econômicas do governo argentino, por ser uma stablecoin, a DAI oferece a população oportunidade de ter um ativo digital pareado com o dólar, com as vantagens de uma criptomoeda, como a autonomia para transferências globais sem intermediários, com taxas menores, mais segurança e agilidade

Em 2019, após a limitação de compra de dólares e antes da pandemia do Covid-19, a fundadora do Defiant, Camila Russo, publicou um artigo sobre a importância da DAI para que os cidadãos tenham uma válvula de escape para as medidas da política nacional.

"Diferentemente de outras stablecoins, como Tether e USDC, os argentinos historicamente violados por instituições financeiras não precisam contar com os bancos para usar a DAI. A stablecoin da MakerDAO é apoiada pelo ethereum em contratos inteligentes, não por dólares em cofres", disse Camila

Ainda em sua publicação, a jornalista ressaltou os benefícios das finanças descentralizadas (DeFI) e apontou o novo sistema como algo necessário para a população.

"Está sendo construído um novo sistema financeiro, que oferece mais controle aos indivíduos e elimina a necessidade de confiar em bancos e governos. É uma pena as instituições argentinas demonstrarem exatamente porque algo assim é necessário", completou.

Em entrevista ao Bitcoin Suisse, plataforma de negociação de criptoativos, o CEO da MakerDAO, Rune Christensen, mencionou o caso de uso da DAI na Argentina quando se referiu aos principais benefícios da stablecoin.

"Na Argentina, pessoas que não são especialistas em tecnologia estão utilizando a DAI como uma forma de escapar inflação do peso argentino, criando a imagem de que a DAI em seu telefone é como dinheiro no bolso", disse Rune.

No curso Decifrando as Criptomoedas" da EXAME Academy, Nicholas Sacchi, head de criptoativos da EXAME, mergulha no universo de criptoativos, com o objetivo de desmistificar e trazer clareza sobre o funcionamento. Confira.

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