Para gestor da QR Asset, 2021 será o ano do Ethereum e do DeFi no mercado cripto

Theodoro Fleury mostra otimismo para o mercado de criptoativos em 2021 e indica o ether como a altcoin com maior potencial para o ano que vem

A série de entrevistas "Perspectivas 2021", projeto da EXAME que pretende trazer opiniões e análises de nomes relevantes para traçar um panorama do que esperar do mercado em 2021, traz entrevista com Theodoro Fleury, gestor da QR Asset Management, que pertence à holding QR Capital.

A QR Capital controla um portfólio de marcas que oferece diversas soluções em blockchain e criptoativos e desenvolve e investe em empresas do setor. No portfólio da QR Capital estão o site BlockTrends, a exchange Foxbit, o protocolo de blockchain Hathor Network, além da QR Asset Management, entre outras.

Fleury vê o ano de 2021 com otimismo para o mercado de criptoativos, e faz no ehter, criptoativo da rede Ethereum, a sua grande "aposta". Experiente analista do mercado financeiro, ele também prevê aumento na entrada de dinheiro institucional no mercado de ativos digitais — fator que, segundo especialistas, é a principal razão por trás da alta do bitcoin em 2020.

Confira a entrevista:

Future of Money: Qual é sua perspectiva para o mercado cripto em 2021?
Theodoro Fleury: 
Em 2021, a expectativa é que se mantenha uma tendência que vimos consolidando ao longo deste ano: a entrada de investidores institucionais no mercado. A crise provocada pelo coronavírus obrigou os investidores a buscarem fontes fortes para se proteger da inflação e da desvalorização de moedas fiduciárias, e muitos perceberam o bitcoin como o melhor candidato para ser um bom hedge. Então, vimos muitos movimentos institucionais em direção ao bitcoin. Em maio, teve o Paul Tudor Jones com uma carta ao mercado de 10 páginas explicando por que iria começar a investir em bitcoin. Em agosto, foi a vez da MicroStrategy, empresa listada na Nasdaq, que alocou mais de 80% do caixa na criptomoeda. A tese do bitcoin como reserva de valor vai continuar sendo adotada e cada vez mais percebida no mercado institucional em 2021. Além disso, em 2021 poderemos ver uma valorização mais acentuada do bitcoin por causa do halving ocorrido em maio deste ano, que tornou o ativo ainda mais escasso. A junção do aumento da demanda, causada pela entrada do investidor institucional, com a maior escassez provocada pelo halving é uma combinação poderosa de fatores que pode se refletir no preço em 2021. É importante mencionar também que, enquanto a política monetária fortemente expansionista dos bancos centrais continuar, vai haver uma desvalorização das moedas fiduciárias e, consequentemente, uma procura maior pelo bitcoin.

FoM: Qual será a altcoin de maior destaque em 2021? Por quê?
TF: 
Em um universo de mais de cinco mil criptoativos, como o que temos hoje em dia, fica difícil escolher um único vencedor. Mas vemos um potencial grande no ether para 2021, ainda mais depois de o ETH 2.0 finalmente sair do papel. Acredito que o desenvolvimento das aplicações de finanças descentralizadas (DeFi) ainda esteja apenas no início, e 2021 pode ser um ano de grande crescimento para esse setor como um todo e, consequentemente, para o Ethereum.

FoM: Qual a melhor notícia que pode surgir para o bitcoin e para as criptos de modo geral em 2021?
TF:
A adoção do bitcoin como a moeda oficial de todos os países do mundo. Brincadeiras à parte, o crescimento das criptos acontece de forma orgânica por indivíduos através de inúmeras pequenas decisões e não depende da discricionariedade de grandes empresas ou governos. Ao longo do próximo ano, continuaremos vendo cada vez mais pessoas, físicas ou jurídicas, se interessando e usufruindo dos benefícios das criptos. 

FoM: Qual a pior notícia que pode surgir para o bitcoin e para as criptos de modo geral em 2021?
TF:
Existe uma crença de que notícias ruins poderiam vir do front regulatório e afetar o preço do bitcoin. Mas o que se viu em 2020 foi o contrário. Nem um crackdown (acusações criminais do Departamento de Justiça dos EUA) à Bitmex, então maior exchange não-regulada de derivativos de cripto, foi capaz de afetar o preço do bitcoin. Muito pelo contrário: os preços subiram nas semanas seguintes a essa notícia. Não há pior notícia possível para as criptos. Quando falamos de redes não permissionadas, não há o que possa ser feito para prevenir o crescimento. As criptos vieram para ficar e já são uma realidade, a liberdade financeira promovida por elas já é um ponto irrevogável da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Demonstrações de autoridade por governos só servirão para reforçar a proposta original das criptos. 

FoM: Qual aplicação em blockchain se tornará mais popular no ano que vem?
TF:
DeFi deve continuar crescendo em ritmo forte, e podemos ter grandes avanços na área de CBDC (Central Banks Digital Currencies, as meodas digitais emitidas por bancos centrais) com bancos centrais relevantes ao redor do mundo lançando suas moedas digitais. 

FoM: Qual startup blockchain brasileira tem maior potencial de inovação e impacto no mercado para 2021?
TF:
A Rispar, primeira plataforma de crédito com garantia bitcoin do país, que faz parte da holding QR Capital. É uma fintech inovadora, que está ampliando as possibilidades do mercado de crédito brasileiro e abrindo portas para os investidores de criptoativos no país.

FoM: O que passou despercebido para a maioria no mercado cripto em 2020?
TF:
Um ponto que foi ignorado pela maioria dos investidores foi a gigantesca taxa de juros para alavancagem em dólar em mercados spot de cripto. Essa taxa chegou a se estabilizar em 25% a.a. em algumas casas durante a grande pernada do bitcoin no fim de 2020. Em algumas exchanges, a margem é adquirida junto a outros usuários, e não à própria casa, permitindo que qualquer um possa financiar a alavancagem e ter um grande rendimento em dólar. Vale lembrar que essas casas onde há mercados de financiamento para alavancagem não costumam ser entidades reguladas. De qualquer forma, é, sim, possível emprestar dólar para alavancagem em exchanges onde não há mercado de financiamento, mas as taxas são menores e a operação é menos líquida. 

FoM: Qual será o preço do bitcoin em dezembro de 2021?
TF:
200 mil dólares.

A série de entrevistas "Perspectivas 2021", publicada pelo Future of Money, da EXAME, pretende mostrar as opiniões de nomes relevantes do mercado, do Brasil e de outros países, para ajudar a traçar um panorama sobre o que esperar do mercado de criptoativos no ano que vem. Para ver todas as entrevistas já publicadas, clique aqui.

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